14:00 24 Janeiro 2021
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    Pequim aumentou o número de brigadas de mísseis balísticos em cerca de um terço nos últimos três anos, para melhorar sua capacidade de ataque nuclear em meio a tensões com os EUA, concluiu um relatório.

    A Força de Mísseis do Exército de Libertação Popular da China (ELP) tem agora 40 brigadas, um aumento de 35% em comparação com o ano de 2017, com mais brigadas em formação, segundo o estudo publicado pelo Boletim de Cientistas Atômicos na segunda-feira (7).

    O relatório estimou que cerca de metade das brigadas tenha lançadores de mísseis balísticos ou de cruzeiro, e o número deve crescer quando a construção de novas bases de mísseis for concluída, conta o South China Morning Post.

    De acordo com o relatório, 12 das brigadas pertencem aos comandos Leste e Sul, com o foco no estreito de Taiwan e no disputado mar do Sul da China.

    "A expansão das brigadas de mísseis balísticos pode ser vista como uma conquista da reforma militar sem precedentes do ELP", disse Song Zhongping, um comentador militar baseado em Hong Kong e ex-instrutor do Segundo Corpo de Artilharia.

    Equipe da Forças Aérea de Taiwan instala míssil Tien Chien I no aeroporto de Taichung (foto de arquivo)
    © AP Photo / Chiang Ying-ying
    Equipe da Forças Aérea de Taiwan instala míssil Tien Chien I no aeroporto de Taichung (foto de arquivo)

    "Como desempenha um papel fundamental especializado na estratégia assimétrica, a Força de Mísseis precisa ser expandida e aumentar suas vantagens especiais para ajudar a China a enfrentar o desafio crescente apresentado pelos Estados Unidos", diz ele.

    Lu Li-shih, um ex-instrutor da Academia Naval de Taiwan, em Kaohsiung, disse que a Força de Mísseis do ELP não só pode vir a desempenhar um papel fundamental em quaisquer esforços para tomar Taiwan pela força, mas seria também responsável por lançar ataques nucleares de retaliação caso ocorresse um conflito armado com os EUA.

    Imagens de satélite mostram que algumas bases da Força de Mísseis nas províncias costeiras de Fujian e Guangdong foram expandidas e atualizadas nos últimos anos, juntamente com a implantação na área do míssil hipersônico mais avançado de Pequim, o DF-17, segundo a mídia.

    Veículos militares chineses transportando o míssil balístico DF-17 durante o desfile militar em homenagem aos 70 anos da criação da República Popular da China
    © AP Photo / Ng Han Guan
    Veículos militares chineses transportando o míssil balístico DF-17 durante o desfile militar em homenagem aos 70 anos da criação da República Popular da China

    A China não revelou o tamanho de seu arsenal nuclear, mas o Boletim de Cientistas Atômicos estima que a China deverá ter um estoque de cerca de 350 ogivas nucleares, das quais a maioria, 273, é projetada para mísseis terrestres. Dos restantes, 48 seriam lançados de submarinos, e 20 de aviões.

    Segundo o mesmo, a China recentemente atribuiu missões nucleares à Força Aérea do ELP, o que significa que os seus bombardeiros, incluindo o H-6N e o futuro H-20, seriam armados com mísseis balísticos com capacidades convencionais e nucleares. Na verdade, a China só poderá completar a "tríade nuclear" de submarinos, mísseis balísticos e bombardeiros com o lançamento do H-20, que, segundo fontes militares, ainda está em desenvolvimento, relata o artigo.

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    Tags:
    tensão geopolítica, Defesa, míssil balístico, Estados Unidos, Taiwan, China
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