01:31 24 Novembro 2020
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    A Coreia do Norte tem uma forte guarnição e abriga um exército de 1,2 milhão de soldados, com outros vários milhões nas reservas e na milícia. Deste modo, as forças do seu vizinho a sul se preparam para uma dura batalha.

    Idealmente, um pouso das Forças Armadas da Coreia do Sul ocorreria no norte da Coreia do Norte, enquanto Pyongyang está totalmente comprometido com um ataque ao sul, deixando pouco combustível para as forças do Exército Popular da Coreia (EPC) do Norte contra-atacarem em um pouso na praia. Os fuzileiros navais sul-coreanos são realmente a ponta da lança, e seu compromisso em tempo de guerra sinalizará o fim do regime Kim, conta o The National Interest.

    Na história relativamente curta da moderna Coreia do Sul, a guerra anfíbia desempenhou um papel fundamental e central. As Nações Unidas basicamente libertaram Seul da invasão com um único ataque anfíbio, e o país manteve um grande e poderoso Corpo de Fuzileiros Navais desde então. Agora, uma nova geração de forças navais anfíbias sul-coreanas significa que o país pode ponderar tomar a ofensiva durante a guerra, não apenas embotando uma invasão, mas derrubando o domínio dinástico da família Kim na Coreia do Norte.

    Quando um oceano não separa países

    A natureza peninsular das Coreias significa que o oceano nunca está longe dos residentes de ambos os países. De igual modo, também significa que os exércitos que lutam na península, possuem linhas de comunicação e abastecimento que estão constantemente em perigo de serem separadas do mar.

    O território das Coreias, com apenas 257 quilômetros de largura e com relevo montanhoso, não deixa muito espaço para manobras, exceto se considerarmos o litoral: os países têm 4,8 mil quilômetros de litoral combinados. Em qualquer guerra futura, as operações anfíbias ajudarão a evitar guerras dispendiosas, concentrando suas forças no centro de gravidade do inimigo, neste caso, Seul ou Pyongyang.

    Sob a orientação do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, a Coreia do Sul manteve uma das maiores forças marítimas do mundo. Nas palavras de um coronel do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA durante a Guerra do Vietnã, citado pelo portal The National Interest: "Ensinámos a eles tudo o que sabemos, e agora eles sabem melhor do que nós".

    Atualmente, o Corpo de Fuzileiros Navais da República da Coreia (ROKMC, na sigla em inglês) do Sul consiste em 29 mil fuzileiros navais organizados em duas divisões e uma brigada.

    Bombardeiro B-1B da Força Aérea dos EUA sobrevoa a Península da Coreia com jatos de combate sul-coreanos  durante exercício aéreo combinado.
    © AP Photo / Ministério da Defesa da Coreia do Sul
    Bombardeiro B-1B da Força Aérea dos EUA sobrevoa a Península da Coreia com jatos de combate sul-coreanos durante exercício aéreo combinado.

    Nos últimos anos, o ROKMC tem operado como uma reserva, capaz de reforçar rapidamente as áreas onde as forças invasoras norte-coreanas podem eventualmente avançar.

    Após o fim da Guerra Fria, e o abandono da Coreia do Norte pelo seu aliado soviético, os planos de contingência envolvendo o ROKMC começaram a tomar um tom mais ousado. OPLAN 5027-94, um dos planos de contingência do Pentágono para a península coreana, previa uma aterrissagem anfíbia dos EUA e da Coreia do Sul na cidade de Wonsan para acabar com Pyongyang. O ROKMC seria usado não apenas para defender a Coreia do Sul, mas para destruir o governo norte-coreano.

    Contudo, o desenvolvimento de armas nucleares da Coreia do Norte mudou as regras do jogo. As forças dos EUA e da Coreia do Sul não podem mais combater o EPC com poder de fogo, mas antes permanecer móveis para evitar ataques nucleares táticos e buscar uma rápida capitulação do governo norte-coreano antes que ele autorize o uso de armas nucleares. Assim, uma possível guerra na península coreana será uma corrida contra o tempo.

    Novas armas, novas regras, novas estratégias

    O novo plano vai exigir mais do ROKMC, pois o principal objetivo se centra em fazer com que as forças marinhas e navais invadam Pyongyang diretamente pelo mar, aniquilando, ou capturando, o líder norte-coreano antes que ele possa usar armas nucleares.

    Para este fim, já em 2016 o ROKMC estabeleceu uma nova unidade do tamanho de uma brigada chamada Spartan 3000, cuja missão é a destruição de "instalações militares importantes na retaguarda do Norte durante contingências", segundo relatou na altura a agência de notícias Yonhap. A brigada deverá ser capaz de se posicionar com apenas um dia de antecedência de sua base em Pohang, longe da zona desmilitarizada.

    Exército Popular da Coreia apresenta, em desfile, complexos de lançamento de mísseis balísticos intercontinentais (foto de arquivo)
    © Sputnik / Ilia Pitalev
    Exército Popular da Coreia apresenta, em desfile, complexos de lançamento de mísseis balísticos intercontinentais (foto de arquivo)
    As forças de transporte marítimo da Coreia do Sul, com seu porta-aviões ROKS Dodko, vão apoiar o ROKMC e a nova unidade Spartan nesta missão. Com um convés de voo de comprimento total, ilha e convés do poço, o ROKS Dokdo é semelhante em aparência, e tipo de missão, aos navios de desembarque de helicópteros da classe Wasp da Marinha dos EUA, de acordo com o site de notícias Naval Technology.

    Com mais de 200 metros de comprimento e pesando 19 mil toneladas quando totalmente carregado, o Dokdo pode transportar até 700 fuzileiros navais e seus equipamentos, incluindo dez caminhões, seis tanques, seis veículos de assalto anfíbios, três peças de artilharia, dez helicópteros do tipo Blackhawk, e dois hovercrafts de fabricação coreana.

    A Coreia do Sul também tem uma frota de quatro navios-tanque de desembarque, cada um capaz de transportar até 17 tanques de batalha principais de cada vez.

    Atualmente, os fuzileiros navais sul-coreanos, poderiam pousar um batalhão reforçado de infantaria marinha coberto por pelo menos 40 tanques. Ao adicionar um segundo navio da classe Dokdo, seria aumentado para dois batalhões. Dado que qualquer local de pouso anfíbio não ficará longe das bases do ROKMC, qualquer pouso poderia ser reforçado em um dia, com um poder equivalente, até que forças suficientes fossem desembarcadas para penetrar no interior.
    Veículos militares norte-coreanos desfilam durante o desfile militar do 75º aniversário da criação do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte
    © REUTERS / KCNA
    Veículos militares norte-coreanos desfilam durante o desfile militar do 75º aniversário da criação do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte

    De igual modo, os fuzileiros navais sul-coreanos também poderiam usar os navios anfíbios da Sétima Frota da Marinha dos EUA baseados em Sasebo, no Japão, tornando possível até desembarques do tamanho de brigadas.

    No entanto, como já foi anteriormente mencionado, onde quer que pousem na Coreia do Norte, os fuzileiros navais sul-coreanos terão uma luta muito dura. No final, o desejo de derrubar o regime de Kim pode ser comparado à vontade do último de manter o seu poder.

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    Tags:
    armas nucleares, guerra, tensão geopolítica, Coreia do Norte, Coreia do Sul
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