18:36 24 Novembro 2020
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    Os EUA apresentaram a nova tecnologia revolucionária ATLAS, que pode facilitar o trabalho das tripulações de tanques e reduzir ao mínimo o tempo entre a detecção do alvo e sua destruição completa. Os criadores do sistema acreditam que os tanques norte-americanos com ATLAS são capazes de derrotar os tanques russos Armata.

    O sistema auxiliado de pontaria e letalidade avançado ATLAS (Advanced Targeting and Lethality Aided System, em inglês) é baseado em sensores modernos e algoritmos de aprendizado de máquina, automatizando a detecção de alvos e destruição deles.

    A tecnologia ATLAS foi desenvolvida pelo Centro de Comando, Controle, Comunicações, Computadores, Cibernética, Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (C5ISR Center, na sigla em inglês) do Comando de Desenvolvimento de Capacidades de Combate do Exército dos EUA.

    "A assistência que estamos fornecendo aos soldados acelerará o tempo de engajamento [e] lhes permitirá atacar múltiplos alvos no mesmo tempo que eles hoje precisam para destruir um só alvo", explicou aos jornalistas o chefe do projeto Dawne Deaver.

    Automatização não substituirá completamente o ser humano, mas facilitará a vida dele. A decisão de atacar o alvo será tomada pelo comandante, tal como antes, comentou Deaver.

    Detectar os alvos

    Os militares demostraram o sistema em ação no campo de provas de Aberdeen, no estado de Maryland. O sistema foi instalado no tanque leve experimental Griffin I, armado com canhão automático de 50 milímetros.

    Tanque Griffin da empresa de defesa dos EUA General Dynamics
    Tanque Griffin da empresa de defesa dos EUA General Dynamics

    Ao ligar o sistema, os sensores infravermelhos e optoeletrônicos, localizados na torre de tiro do tanque de guerra, começam a girar, sondando a área. Os dados chegam ao processador central. Usando os algoritmos de aprendizado de máquina, os alvos são detectados automaticamente, são identificados seus tipos, velocidades e distâncias.

    A informação visual é transmitida à tela de toque do comandante do carro de combate em tempo real. Ele apenas tem de tocar na imagem com o tanque inimigo e o resto será feito pela inteligência artificial.

    O sistema ATLAS vira a torre de tiro, aponta o canhão, determina a distância, calcula os parâmetros de balística e propõe o tipo de munição e regime de fogo mais convenientes.

    De acordo com os militares dos EUA, ATLAS reduzirá em três vezes o tempo desde o momento de detecção do alvo até o momento de destruição completa dele. O sistema ainda está em desenvolvimento, segundo o Pentágono. Cerca de 40 tripulações estão experimentando a tecnologia ATLAS.

    Rede única

    A característica principal do sistema é a inteligência artificial. A aplicação da inteligência artificial nos equipamentos terrestres, marítimos e aéreos é base do conceito norte-americano da "guerra em mosaico", com automatização máxima das operações de combate e uso massivo de sistemas não tripulados em conexão com os humanos.

    O Exército dos Estados Unidos experimentou esta estratégia em setembro no treinamento chamado Projeto Convergência, no campo de provas no deserto de Yuma. Os militares tentaram juntar todas as forças e tecnologias em uma rede única em que os soldados recebiam a inteligência em tempo real e sem intermediários enviavam aviação e armas de precisão contra os alvos.

    A iniciativa ATLAS do Exército dos EUA modernizará um elemento do carro de combate que permaneceu praticamente inalterado nas últimas décadas: o processo de detectar o alvo, apontar e disparar.

    A Rússia também desenvolve sistemas deste tipo para usar inteligência artificial.

    "Projetos deste tipo também são desenvolvidos na Rússia. Trata-se principalmente de sistemas de controle de tropas. Inteligência artificial é uma área muito promissora", explicou em entrevista à Sputnik o analista militar Mikhail Khodarenok.

    Globalmente, a inteligência artificial pode revolucionar a área militar de modo comparável à invenção da pólvora, comentou Khodarenok.

    Derrotar os tanques russos Armata

    De acordo com os desenvolvedores, os tanques norte-americanos Abrams com o sistema ATLAS seriam capazes de se opor aos tanques russos T-14 Armata. Esta declaração pode ser contestada. Os mais novos carros de combate russos são superiores aos dos EUA em uma geração e possuem uma proteção elevada contra munições perfurantes subcalibre padronizadas do Exército dos EUA.

    Os tanques T-14 são capazes de incapacitar todo o tipo de material blindado pesado dos países da OTAN através da blindagem frontal. O sistema eletrônico permite detectar os alvos a distâncias nas quais os tanques do provável inimigo não os podem atingir.

    Os tanques T-14 possuem radar com antena de matriz ativa faseada, capaz de detectar dezenas de alvos terrestres e aéreos e transmitir informação ao computador de bordo, que escolhe automaticamente os meios de ataque.

    Tanques T-14 Armata e T-90M Proryv passando pela Praça Vermelha na Parada da Vitória, Moscou, 24 de junho de 2020
    © Sputnik / Mikhail Voskresensky / Foto Host Agency
    Tanques T-14 Armata e T-90M Proryv passando pela Praça Vermelha na Parada da Vitória, Moscou, 24 de junho de 2020

    Os bombardeiros táticos Su-34 dirigem automaticamente os pilotos aos alvos e indicam quando devem ser largadas as bombas. A infantaria russa tem sistemas de reconhecimento e indicação de alvos, que ajudam a transmitir rapidamente informação sobre a situação no terreno ao quartel-general.

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    Tags:
    tanque, inteligência artificial, armamento, Rússia, EUA
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