17:56 27 Outubro 2020
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    Enquanto importantes movimentos militares se encontram em curso no conflito no leste de Ladakh, Índia fornece um de seus submarinos diesel-elétricos a Mianmar para conter incursões estratégicas da China na região.

    Mianmar encomendou um submarino de três mil toneladas INS Sindhuvir, rebatizando-o como UMS Min Ye Thein Kha Thu e chegando a implantá-lo durante o exercício Bandoola da Marinha.

    A embarcação foi inspecionada pelo comandante-em-chefe das Forças Armadas de Mianmar, general Min Aung Hlaing, na quinta-feira (15). No mesmo dia, o Ministério das Relações Exteriores da Índia anunciou oficialmente a decisão de entregar o submarino a Mianmar.

    O submarino de origem russa tem 31 anos, mas passou por uma extensa reforma e modernização no Estaleiro do Hindustão, em Visakhapatnam, no ano passado. O The Times Of India relatou que, em dezembro desse ano, todos os conveses foram liberados para que o submarino INS Sindhuvir pudesse ser comissionado, e os marinheiros birmaneses preparados para treinar nas complexas operações de combate subaquático, começando oficialmente os treinos de março a abril deste ano.

    "A cooperação no domínio marítimo é parte do nosso envolvimento diversificado e aprimorado com Mianmar […] [e] está de acordo com nossa visão de Segurança e Crescimento para Todos na Região [SAGAR, da sigla em inglês], e também em linha com nosso compromisso de construir condições para autossuficiência em todos os nossos países vizinhos", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores indiano, Anurag Srivastava, citado pelo Times Of India.

    A Índia já fornece uma grande variedade de hardwares e softwares militares para Mianmar, tais como aeronaves de patrulha marítima insulares, canhões navais, torpedos leves, radares, canhões leves de artilharia 105 mm, morteiros, dispositivos de visão noturna, lançadores de granadas e fuzis.

    Soldados do Exército de Mianmar marcham durante parada militar (foto de arquivo)
    © AP Photo / Aung Shine Oo
    Soldados do Exército de Mianmar marcham durante parada militar (foto de arquivo)

    Naturalmente, a entrega do submarino em questão não passou despercebida dos olhares dos adversários da República da Índia.

    A China também fornecerá um submarino da classe Yuan para a Tailândia em 2023, com mais dois seguidos. De igual modo, também vai fornecer ao Paquistão – que continua em disputas territoriais com a Índia – oito submarinos diesel-elétricos também da classe Yuan, com propulsão independente do ar para maior resistência subaquática, quatro fragatas furtivas multifuncionais Type 054A, e outras plataformas navais e armas em acordos avaliados em mais de US$ 7 bilhões (R$ 39 bilhões) a partir do próximo ano.

    A Índia não se encontra em pé de igualdade com a China, tanto em termos de força econômica como em questões de defesa doméstica. Contudo, Nova Deli foi estabelecendo gradualmente laços militares com Mianmar, sendo o único país da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) com o qual a Índia compartilha território de cerca de 1.643 km, bem como uma fronteira marítima.

    Exércitos militares, patrulhas navais coordenadas e comunicação militar são realizados com frequência entre Mianmar e Índia.

    Os Exércitos dos dois países têm trabalho juntos na destruição de bases operacionais insurgentes, e na prisão de dezenas de militantes ao longo de suas fronteiras sob a Operação Amanhecer, realizada desde janeiro deste ano, conforme relatado anteriormente pelo The Times of India.

    No contexto de tensões geopolíticas, um dos maiores trunfos consiste em estabelecer relações estáveis e cordeais com um ou mais aliados do adversário principal, e a Índia está ficando boa no jogo.

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    Tags:
    Defesa, tensão geopolítica, submarino, Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), China, Índia, Mianmar
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