02:52 20 Outubro 2020
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    No mês passado, Pequim acusou Washington de enviar aeronaves militares de reconhecimento, ou aviões espiões, "disfarçadas" de aviões civis para realizar missões de coleta de inteligência nos mares do Sul da China e da China Oriental.

    Oficiais de segurança do governo chinês alegaram que os Estados Unidos realizaram pelo menos 100 operações desta natureza ao longo deste ano, e que uma aeronave de reconhecimento RC-135 da Força Aérea dos EUA realizou operações alterando os códigos de identificação atribuindo-o a aeronaves civis da Malásia, enquanto o avião militar circulava o espaço aéreo internacional entre Hainan e as ilhas Paracel.

    A Força Aérea americana negou que disfarce de avião espião tenha ocorrido. O general Kenneth Wilsbach, comandante da Forças Aéreas do Pacífico, assegurou que a Força Aérea norte-americana não "falsificou" os sinais do transponder de aeronaves civis, e disse que todos os voos de reconhecimento seguiram as regras internacionais, segundo o jornal Asia Times.

    Mark J. Valencia, especialista em política marítima, afirmou que as aeronaves de coleta de inteligência Boeing RC-135W e E-8C da Força Aérea dos EUA têm estruturas semelhantes às do avião civil Boeing 707-200, e que aviões militares, às vezes, seguem rotas comerciais.

    "O código de identificação deles é o que ajuda a distingui-los nos sensores remotos", escreveu Valencia para o The National Interest. "Quando a China detecta um avião espião, seus meios militares provavelmente ficam em silêncio. Mas com uma 'bandeira falsa', o avião espião pode enganá-los para que continuem em atividade e as comunicações podem ser monitoradas. De acordo com as normas internacionais, aeronaves civis não devem ser abatidas, e os EUA podem estar apostando nisso e se aproveitando, ironicamente, da adesão da China às mesmas."

    Boeing RC-135W da Força Aérea dos EUA (foto de arquivo)
    Boeing RC-135W da Força Aérea dos EUA (foto de arquivo)
    Pequim afirmou que pelo menos 60 aeronaves militares americanas realizaram voos de reconhecimento perto da China em setembro, e que os EUA estão se preparando ainda mais para missões de longa distância na região nos próximos meses.

    Tais afirmações são suportadas por um relatório do think-tank SCSPI apoiado pelo governo chinês, que foi lançado no início desta semana em uma reportagem do South China Morning Post. O relatório alega que as atividades de reabastecimento aéreo por aeronaves militares dos EUA mostraram um aumento acentuado no mês passado e sugeriu que os Estados Unidos poderiam estar se preparando para ataques de longa distância contra alvos no mar do Sul da China.

    O South China Morning Post também informou que houve 13 voos de reconhecimento conduzidos no mar Amarelo e três no mar da China Oriental, que ocorreram quando os militares chineses estavam conduzindo exercícios. Em agosto, Pequim emitiu um protesto severo depois de um avião de reconhecimento U-2 Dragon Lady ter sobrevoado a chamada "zona de exclusão aérea" durante um exercício militar chinês no mar de Bohai, a extensão noroeste e interna do mar Amarelo.

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    Tags:
    segurança, defesa, espionagem, Mar Amarelo, China, EUA
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