04:16 20 Outubro 2020
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    Na opinião de membros da Câmara dos Representantes e de outros funcionários norte-americanos, a medida que visa retirar quase 12 mil militares estadunidenses da Alemanha foi tomada por impulso.

    O Comitê de Serviços Armados da Câmara (HASC, na sigla em inglês) dos EUA questionou uma proposta do Pentágono de retirar 11.900 militares da Alemanha, 6.400 dos quais regressariam aos Estados Unidos, e os restantes sendo realocados para Bélgica e Itália, relata a revista Military Times.

    Na opinião de alguns, o plano apenas vem ao encontro da retórica do presidente norte-americano de "punir" Berlim por não cumprir sua meta não vinculativa de contribuir com 2% de seu Produto Interno Bruto (PIB) para a OTAN.

    "Acho que este plano não foi particularmente bem pensado e me preocupo com vários aspectos de sua implementação", afirmou o representante Adam Smith, presidente do HASC.

    "De onde veio o número?", perguntou Smith, questionando que requisito é cumprido ao transferir 12.000 soldados para fora da Alemanha.

    Segundo o autor do plano, o secretário de Defesa, Mark Esper, procura redistribuir tropas pelo continente europeu de forma rotativa, ao mesmo tempo que as tropas existentes se concentram em país ao leste da Alemanha e próximos da Rússia para impedir "incursões" de Moscou perto de suas fronteiras ocidentais.

    Soldados dos EUA e do Reino Unido lado a lado após uma coletiva de imprensa sobre os exercícios militares Defender 2020, em Bruek, na Alemanha
    © AP Photo / Soeren Stache
    Soldados dos EUA e do Reino Unido lado a lado após uma coletiva de imprensa sobre os exercícios militares Defender 2020, em Bruek, na Alemanha

    No entanto, a política adotada pela administração Trump pode não se concretizar se o presidente norte-americano não for reeleito.

    Michèle Flournoy, ex-subsecretária de Defesa sob a administração Obama e provável escolha de Joe Biden para secretária de Defesa caso atinja vitória nas eleições presidenciais, crê que o plano não foi pensado em conjunto com os aliados dos EUA.

    "Este é um caso exemplar que deveria ser ensinado em programas [de relações internacionais] de como não tomar uma decisão como esta. Sem consulta com seu aliado [...] sem análise estratégica real das alternativas. Isto foi um impulso presidencial", criticou na quarta-feira (30).

    Outra justificativa

    Em uma questão de Smith, James Anderson, subsecretário interino de Defesa, respondeu que o modelo oferecido proporciona "flexibilidade".

    "Flexibilidade soa como uma palavra agradável, mas, na verdade, não nos diz nada", respondeu Smith.

    "Estou realmente tendo um problema em entender as razões e se isso vai resolver um problema, que eu não acho que exista", ponderou Jim Langevin, outro membro da Câmara dos Representantes. "Na verdade, eu acho que isto vai criar mais problemas do que qualquer coisa que vai resolver."

    A Câmara dos Representantes e o Senado dos EUA estão discutindo a Lei de Autorização de Defesa Nacional de 2021. A versão da Câmara inclui uma provisão para proibir a administração de baixar os níveis das tropas abaixo dos níveis atuais até 180 dias após os líderes do Pentágono apresentarem um plano ao Congresso e certificarem que ele não prejudica os interesses dos norte-americanos ou aliados.

    O plano de relocar tropas da OTAN para fora da Alemanha foi proposto pela primeira vez por Mark Esper no final de julho.

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    Tags:
    Defense News, Military Times, Comitê de Serviços Armados da Câmara dos Estados Unidos, Rússia, Senado dos EUA, Senado, Câmara dos Representantes, Mark Esper, Alemanha, OTAN, EUA
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