05:38 23 Outubro 2020
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    Brasil leva ao Fórum Internacional Técnico-Militar EXÉRCITO 2020 inovações nacionais para proteger não só o campo de batalha, mas também as escolas e hospitais da ameaça representada pelo novo coronavírus.

    Neste ano, o Brasil levou uma delegação de alto nível para participar do Fórum Internacional Técnico-Militar EXÉRCITO 2020. Com estande completo, o Ministério da Defesa, em parceria com a APEX Brasil, não quer somente comprar, mas também vender produtos de defesa para a Rússia e região.

    A delegação brasileira levou ainda uma série de produtos e soluções focadas na pandemia de COVID-19, desenvolvidos a toque de caixa no Brasil nesses últimos seis meses.

    "A defesa é um setor muito mais amplo do que só armamentos. Envolve saúde da nossa população [...] e segurança alimentar", afirmou o general Duizit Brito, diretor do Departamento de Promoção Comercial da Defesa (DEPCOM), à Sputnik Brasil.

    "Os exércitos têm que ter saúde de campanha, biossegurança e proteção", acrescentou o general.

    Soldados usam máscaras protetoras durante o Fórum Internacional Técnico-Militar EXÉRCITO 2020, próximo à Moscou, Rússia, 28 de agosto de 2020
    © Sputnik / Ilia Pitalev
    Soldados usam máscaras protetoras durante o Fórum Internacional Técnico-Militar EXÉRCITO 2020, próximo à Moscou, Rússia, 28 de agosto de 2020

    "Qualquer exército pode chegar a uma região e ficar exposto a um vírus local, então deve estar preparado em biossegurança e bioproteção", explicou Brito.

    Com base nessa experiência, a indústria de defesa brasileira se mobilizou para desenvolver soluções para a pandemia de COVID-19.

    "A indústria de defesa [...] pode mudar sua linha de produção pra atender de forma dual às necessidades da sociedade", explicou Brito. "Por isso ela deve que ser muito bem preservada."

    A parceria

    No início da pandemia, "fronteiras no mundo inteiro se fecharam para exportações". Por isso, os setores público e privado se uniram para produzir equipamentos médicos essenciais em território nacional e desenvolver soluções para minimizar os efeitos da pandemia.

    "Houve uma decisão presidencial de envolver vários ministérios nesse esforço [...] e coordenação entre os Ministérios da Ciência e Tecnologia e Inovação, Defesa, Saúde e até da Economia, para facilitar importações e exportações e capitanear financiamento", contou.

    A parceria se formou como uma "tríplice hélice, formada pelo governo, inciativa privada e a academia", explicou Brito. "Eu ainda coloco mais uma pá nesse sistema: as startups."

    Profissional de saúde coleta amostra de teste para COVID-19 em mercado de Brasília, 24 de agosto de 2020
    © AP Photo / Eraldo Peres
    Profissional de saúde coleta amostra de teste para COVID-19 em mercado de Brasília, 24 de agosto de 2020

    "Isso tudo em uma mobilização voluntária [...], um esforço fantástico do povo brasileiro, das empresas, das organizações, que é de se esperar em uma crise de tal gravidade", disse.

    "Foram umas 16 semanas ininterruptas de trabalho, no qual todos se empenharam", relata o general.

    Os resultados

    Uma das primeiras tarefas da indústria de defesa em meio à pandemia foi resolver a escassez de ventiladores médicos disponíveis para a população brasileira.

    "Nós tínhamos quatro fábricas de ventiladores com uma produção baixa. Com a participação da indústria aeronáutica e de motores, todas conseguiram escalar a produção", contou. 

    "Hoje nós temos 16 fábricas produzindo ventiladores para a fase aguda da COVID-19 [...] e uma rede de produção de ventiladores coordenada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI)", comemorou Brito.

    Pessoas caminham em frente a grafite em homenagem a trabalhadores de saúde durante pandemia do coronavírus no Hospital das Clínicas, em São Paulo
    © REUTERS / Amanda Perobelli
    Pessoas caminham em frente a grafite em homenagem a trabalhadores de saúde durante pandemia do coronavírus no Hospital das Clínicas, em São Paulo

    Para ele, a COVID-19 "não é simples, e não se deve comemorar onde tem mortes, mas temos que reconhecer que estamos achando o final do túnel para sair dessa crise pandêmica", notou.

    Inovação

    O esforço rendeu soluções inovadoras por parte de empresas brasileiras, cujos produtos foram apresentados durante o Fórum Internacional Técnico-Militar EXÉRCITO 2020.

    "Nasceu uma solução muito inovadora [...] de uma marca de Minas Gerais [Inspirar Health Tech], que é um ventilador que trabalha com Wi-Fi", contou. "O médico intensivista pode monitorar a manutenção do aparelho, sua vida útil e o estado de saúde do paciente sem precisar fazer ronda pela UTI."

    O ventilador mineiro "ainda tem uma versão que permite a instalação de uma pequena central de ar comprimido, o que é muito útil para hospitais de campanha", disse Brito.

    General Luis Antônio Duizit Brito, diretor do Departamento de Promoção Comercial da Defesa, durante evento em Moscou, 27 de agosto de 2020
    © Sputnik / Ana Livia Esteves
    General Luis Antônio Duizit Brito, diretor do Departamento de Promoção Comercial da Defesa, durante evento em Moscou, 27 de agosto de 2020

    "Foi um trabalho que mostrou que quando você tem um ecossistema de inovação e de parceria você consegue superar as dificuldades que uma sociedade pode enfrentar", acredita o general.

    Testes para COVID-19 por saliva

    Com a pandemia completando seis meses no Brasil, os testes para COVID-19 por saliva desenvolvidos nacionalmente se tornaram prioridade.

    "A Universidade de Uberlândia e a empresa Biogenetics já trabalhavam juntas pelo teste da saliva que, em dois minutos, acusa se a pessoa está com COVID-19, zika, chicungunha, câncer de próstata e de útero e várias outras doenças."

    Com a pandemia, as entidades priorizaram o processo de certificação dos testes para a COVID-19, que "já estão nas fases finais".

    Vacina contra a COVID-19 que será testada no Brasil
    © Folhapress / Adailton Damasceno/Futura Press
    Vacina contra a COVID-19 que será testada no Brasil

    "Pesquisa e equipamentos militares foram usados para testar" as inovações brasileiras para o combate à COVID-19, o que "reforça algo que toda a sociedade tem que estar alerta às [questões relacionadas à] defesa e à proteção biológica", assegurou Brito.

    Defesa brasileira em Moscou

    General experiente do Exército e santista fanático, Brito acredita que Brasil e Rússia têm o potencial de selar parcerias de longo prazo na área de Defesa.

    "A Rússia, como um país amigo, que também está muito bem nessa batalha [...] chegando na fase final de desenvolvimento de vacina, também pode se beneficiar das inovações" brasileiras, acredita Brito.

    "A Rússia é um país impressionante, com um povo muito alegre", relatou o general, que visita o país pela primeira vez.

    "Estamos com seis pessoas nos ajudando no estande do Brasil, todas russas, jovens [...] falando muito bem o português. Isso foi uma agradável surpresa", contou.

    General Duizit Brito (centro) acompanhado por tradutores e funcionários de apoio do estande brasileiro no evento EXÉRCITO 2020, 27 de agosto de 2020
    © Sputnik / Ana Livia Esteves
    General Duizit Brito (centro) acompanhado por tradutores e funcionários de apoio do estande brasileiro no evento EXÉRCITO 2020, 27 de agosto de 2020

    "Estamos aqui prontos [...] para que a gente vire o ano com esse inimigo chamado vírus derrotado", concluiu.

    A exposição EXÉRCITO 2020, realizada entre os dias 23 a 29 de agosto nos subúrbios de Moscou, apresentará 730 armamentos e equipamentos militares russos, além de contar com estandes de 28 mil empresas do ramo e representantes de mais de 70 países.

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    Tags:
    Ministério da Defesa Russo, Ministério da Defesa, Segurança, produtos, Brasil, Exército, COVID-19
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