19:48 06 Agosto 2020
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    A agência militar norte-americana está tentando desenvolver tecnologia que não só reduza o manuseamento manual das armas pelos operadores, como também lhes permita detectar e identificar o equipamento do adversário.

    A Agência de Projetos de Pesquisa Avançados de Defesa (DARPA, na sigla em inglês) dos EUA anunciou um concurso para criar uma tecnologia que detectará e determinará automaticamente o tipo de equipamento terrestre em movimento do inimigo.

    Na primeira fase do programa, a DARPA oferece a todas as empresas interessadas a possibilidade de apresentação de algoritmos que ajudem radares com abertura sintética a detectar veículos terrestres em movimento, incluindo com velocidades baixas. A nova tecnologia deverá ser testada em drones, que serão ensinados a procurar veículos blindados camuflados no terreno de forma autônoma.

    A segunda fase do programa é a criação de algoritmos para identificação automática por inteligência artificial (IA) do tipo de veículos de combate, para que no futuro se desenvolva a maneira mais rápida e eficaz de destruí-los. Segundo os especialistas da DARPA, esta etapa é a mais difícil.

    Inteligência Artificial, imagem referencial.
    © AP Photo / Martin Meissner
    Inteligência Artificial, imagem referencial.

    Os tanques russos T-72 e T-90 são extremamente difíceis de distinguir de longe. Devido ao Shtora, um sistema de contramedidas óticas eletrônicas, os T-90 estão protegidos de mísseis antitanque guiados a laser, tornando esses mísseis pouco eficazes contra eles.

    No entanto, os T-72 estão mais expostos.

    "Se você estiver treinando um algoritmo para identificação de um gato, você pode ensiná-lo a pesquisar on-line, onde há centenas de milhares de fotos deste animal de todos os ângulos possíveis", explicou Mike Murray, um general do Exército dos EUA. "Fazer isso com o tanque russo T-72 é mais difícil. Você pode obter algumas fotos, mas elas terão sido tiradas do mesmo ângulo do qual o drone o vê? A iluminação é a mesma? O tanque estará camuflado ou em terreno aberto?"

    Prevê-se que a IA determinará o tipo de alvo usando um banco de dados detalhado de modelos em 3D dos veículos de combate do provável inimigo. Após ver um tanque no campo de batalha, o drone o compara com imagens 3D em sua memória de uma perspectiva semelhante e escolhe a mais adequada.

    Guerra de Mosaico

    A tecnologia para detecção e identificação de alvos terrestres móveis faz parte do programa global da Guerra de Mosaico, desenvolvido pela DARPA desde 2017, que prevê o uso maciço de aeronaves tripuladas e não tripuladas em conjunto com forças terrestres e navais, grupos de satélites e sistemas de armas de precisão. Neste conceito, um piloto militar comanda os drones que executam a parte principal das missões de combate.

    Timothy Grayson, diretor do Escritório de Tecnologias Estratégicas da DARPA, citou como exemplo potencial as ações de quatro drones em conjunto com um caça tripulado: um neutraliza radares inimigos, o segundo transporta armas, o terceiro busca alvos e o quarto atua como isca para a defesa antiaérea.

    O conceito de Guerra de Mosaico requer muitos drones altamente especializados e baratos, que sobrecarregarão qualquer sistema de defesa antiaérea com seus números, sendo fáceis de substituir. Além disso, os pilotos militares não terão que arriscar suas vidas ficando expostos ao fogo de sistemas de mísseis antiaéreos.

    Sistema de mísseis de defesa antiaérea S-400 durante o desfile militar que marcou o 75º aniversário da vitória na Grande Guerra pela Pátria de 1941-1945, na Praça Vermelha, Moscou
    © Sputnik / Photo host agency
    Sistema de defesa antiaéreo S-400

    No entanto, permanece a questão se tais drones são capazes de operar eficazmente contra os sistemas modernos de guerra eletrônica que estão disponíveis no Exército da Rússia.

    Combate automático

    No verão de 2019 a DARPA lançou o programa Evolução de Combate Aéreo (ACE, na sigla em inglês) para criar inteligência artificial de combate, que poderá tomar decisões bastante mais rápido que um humano.

    A IA treinará elementos de combate aéreo em simulação computadorizada na primeira etapa, sendo usada em pequenos drones comerciais na segunda etapa e em aviões de caça na terceira etapa.

    A IA receberá tarefas cada vez mais difíceis: abater mísseis de cruzeiro, atacar bombardeiros e, por fim, combater caças supermanobráveis, enquanto o piloto só terá de observar a ação.

    "O piloto pode aumentar significativamente a letalidade e eficiência dos veículos de combate, operando uma variedade de plataformas semiautônomas 'inteligentes' não tripuladas desde o seu avião", segundo a DARPA.

    "O ACE criará uma estrutura hierárquica na qual funções cognitivas de nível superior (tais como desenvolvimento da estratégia, seleção de alvos e das armas apropriadas) serão deixadas ao humano, enquanto os sistemas autônomos manobrarão a aeronave e definirão detalhes táticos."

    Caças furtivos existentes

    O programa norte-americano Skyborg Vanguard é um dos exemplos da Guerra de Mosaico para criar um drone de caça baseado no conceito de drone acompanhante Loyal Wingman da Boeing. Na sexta-feira (24) a Força Aérea dos EUA assinou contratos com quatro empreiteiras, Boeing, Northrop Grumman, General Atomics e Kratos, para desenvolver modelos concorrentes de tais drones.

    Drone XQ-58A
    © Foto / Força Aérea dos EUA / YouTube
    Drone XQ-58A

    O valor máximo dos contratos é de US$ 400 milhões (R$ 2,06 bilhões) e é planejado que os testes sejam concluídos até julho de 2026.

    No início de 2019, ficou conhecido que na Rússia o terceiro protótipo do caça de quinta geração Su-57 é usado como um laboratório voador para testar o drone avançado de ataque S-70. Foi avaliado o equipamento eletrônico, a comunicação e o uso em grupo de veículos aéreos não tripulados.

    Além disso, em 27 de setembro de 2019, o Ministério da Defesa da Rússia informou sobre o primeiro voo conjunto de um S-70 (em modo autônomo) com um Su-57, que durou mais de meia hora e em que foi trabalhada a expansão do campo de radar do caça. Além disso, o S-70 fornecia indicações de alvos para a aeronave sem que o Su-57 entrasse na zona de ação da defesa antiaérea.

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    Tags:
    Ministério da Defesa da Rússia, Su-57, General Atomics, Northrop Grumman, Força Aérea dos EUA, Boeing, Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa dos EUA (DARPA), Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA), Agência de Projetos Avançados de Defesa dos EUA (DARPA), Rússia, EUA
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