02:53 04 Agosto 2020
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    Ida Holst-Pedersen Kvam, pesquisadora da Academia Naval da Noruega, alertou para as fraquezas estratégicas no norte do país escandinavo e para possíveis mudanças nos planos russos.

    Desde a Guerra Fria, as Forças Armadas da Noruega consideram uma possível invasão russa ao condado de Finnmark, que se encontra na fronteira com a Rússia. De acordo com a pesquisadora, contudo, o panorama se alterou e o planejamento de 60 anos atrás está desatualizado.

    "A Noruega e a OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte] parecem que se preparam para o cenário errado", afirmou Kvam ao canal NRK. "Não é definitivo que seja necessário ocupar Finnmark para garantir os interesses russos em uma guerra de grande escala com a OTAN. Os planos de guerra soviéticos, que incluíam a ocupação de Finnmark, foram desenvolvidos prevendo um cenário diferente e com condições tecnológicas diferentes das atuais."

    Kvam chamou essa perspectiva de "ultrapassada". Segundo a pesquisadora, a elevada atividade da OTAN nas águas do norte provocou uma mudança nos planos russos. O arquipélago de Lofoten, no condado de Nordland, surge como o novo ponto central.

    "Se a Rússia estabelecer seus sistemas de mísseis de longo alcance em Lofoten, ela poderá controlar grande parte do norte da Noruega e áreas marítimas mais a oeste. Além disso, as forças do Exército em Troms e Finnmark estarão isoladas do resto da Noruega", considerou Kvam.

    Segundo a especialista norueguesa, a Noruega e a OTAN não consideram as significativas mudanças de tecnologia de armas, estratégias e táticas no lado russo.

    "Atualmente, os sistemas de armas russos possuem um alcance que cobre completamente Finnmark. [...] Desta forma, Finnmark não pode mais ser usado pelos aliados ocidentais e a Rússia ganha a zona tampão que precisa para assegurar sua capacidade nuclear no norte", analisou Kvam.

    Para a pesquisadora, conforme a Rússia fortalece suas capacidades para uma guerra costeira, Noruega e OTAN arriscam serem ultrapassadas. "O foco da OTAN nas últimas décadas tem se redirecionado para gestão de crises e operações distantes do território da própria Aliança [Atlântica]. Isso afetou a capacidade para conflitos ao longo da costa."

    Um soldado da OTAN durante manobras militares na Noruega
    Um soldado da OTAN durante manobras militares na Noruega

    Contudo, a opinião da especialista não é compartilhada pelo chefe da Defesa da Noruega, o almirante Haakon Bruun-Hanssen, que afirma:

    "O valor de Finnmark em um contexto estratégico não mudou profundamente desde a Guerra Fria. [...] Não acho que vejo pontos concretos no lado russo que indicam que Lofoten é um cenário mais relevante que Finnmark", comentou o almirante.

    O coronel John-Olav Fuglem, chefe de operações do Exército norueguês, salienta que "Finnmark será sempre extremamente importante para o Exército e para a Noruega".

    As tensões entre Moscou e Oslo têm aumentado progressivamente. Enquanto a Noruega teme a modernização das capacidades militares russas no mar de Barents, a Rússia observa a crescente presença de aeronaves da OTAN no território norueguês.

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    Tags:
    estratégia, segurança, OTAN, Rússia, Noruega, defesa
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