21:30 03 Dezembro 2020
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    Washington ainda tem vantagem militar no espaço, mas a Rússia e a China "representam a maior ameaça estratégica" aos EUA e seus aliados na OTAN, de acordo com um responsável norte-americano.

    Os Estados Unidos mantêm a liderança sobre a Rússia e a China em capacidade espacial militar, mas estão sendo desafiados pelos ritmos de desenvolvimento destes dois países, disse na quarta-feira (17) o vice-secretário adjunto de Defesa, Stephen Kitay, segundo a revista National Defense.

    "Nós ainda estamos à frente deles, mas estamos realmente em risco com o ritmo que eles estão desenvolvendo essas capacidades. Estas são ameaças muito sérias", disse Kitay durante a apresentação da estratégia espacial do Pentágono, afirmando que a China e a Rússia têm "militarizado o espaço" e o transformado em um domínio de guerra.

    "Eles representam a maior ameaça estratégica devido ao seu desenvolvimento, testes, implantação de capacidades contra-espaciais e sua doutrina militar associada para emprego em conflitos que se estendem ao espaço", diz o documento publicado pelo Departamento de Defesa.

    Kitay acrescentou que os EUA procuram manter a superioridade espacial, "o que inclui ter liberdade de operação neste domínio, assegurando essas capacidades aos nossos militares durante todo o conflito, ser capazes de nos protegermos e de responder a atividades espaciais hostis".

    Entre as ameaças para as quais os EUA devem supostamente estar preparados, ele mencionou os chamados canhões espaciais, destinados a colocar satélites em órbita, armas nucleares e tentativas de interferência em sistemas espaciais.

    O alto responsável afirmou também que os EUA acreditam que o espaço exterior é atualmente o principal teatro de potenciais conflitos.

    "O espaço exterior surgiu como uma arena chave de conflito potencial em uma era de grande competição de potências", disse Kitay.

    "A China e a Rússia têm militarizado o espaço e o transformado em um domínio de guerra. Suas ações representam a maior ameaça estratégica, com o contínuo desenvolvimento, teste e implantação de sistemas espaciais de combate e uma doutrina militar associada concebida para manter os sistemas espaciais norte-americanos e aliados em risco".

    Novos comandos espaciais

    Em agosto de 2019, os Estados Unidos deram um grande passo para a criação de uma Força Espacial, lançando oficialmente seu mais novo ramo militar, o Comando Espacial dos EUA.

    Bandeira do Comando Espacial dos EUA, recentemente transformado em Força Espacial
    Bandeira do Comando Espacial dos EUA, recentemente transformado em Força Espacial

    Em julho de 2019, o presidente francês Emmanuel Macron estabeleceu uma divisão e um comando espacial dentro da Força Aérea de seu país que, juntas, se tornarão a Força Aérea e Espacial da França.

    Em meio às ações de Washington, a Rússia tem apelado constantemente aos EUA para parar a militarização do espaço, destacando que há uma necessidade urgente de impedir uma corrida armamentista no espaço.

    No final de maio, o embaixador russo nos EUA, Anatoly Antonov, declarou que a Rússia está fazendo "todo o possível" para evitar que os americanos venham a "transformar o espaço em um campo de batalha para possíveis confrontos entre nossas nações" com "o apoio de seus aliados da OTAN".

    Antonov observou que as tentativas da Rússia de convencer Washington a "trabalhar em conjunto para evitar uma corrida armamentista no espaço e para os EUA se absterem de utilizar qualquer arma" neste domínio falharam.

    De forma semelhante, o governo chinês criticou a política espacial militar norte-americana, tendo o Ministério de Defesa da China recentemente advertido que os EUA e outros países que criaram forças militares espaciais poderiam "desencadear uma corrida armamentista no espaço e no futuro afetar negativamente a estabilidade estratégica global".

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    Tags:
    OTAN, Departamento de Defesa dos EUA, Força Espacial Militar dos Estados Unidos, Emmanuel Macron, China, Rússia, EUA
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