00:38 14 Agosto 2020
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    O novo sistema de defesa antimíssil russo A-235 Nudol possui capacidades como velocidade hipersônica, interceptação de ogivas de mísseis balísticos intercontinentais e destruição de satélites na órbita terrestre.

    O projeto do complexo A-235 Nudol foi iniciado no final da década de 70, entretanto foi suspenso. Contudo foi reativado nos anos 2000 e deve substituir o atual sistema de defesa antimíssil A-135 Amur.

    Interceptor hipersônico

    Esse projeto é um dos mais secretos da Rússia. Apesar das poucas informações, sabe-se que os testes de lançamento e voo do míssil se iniciaram em 2014, quando foram realizados aproximadamente 10 lançamentos.

    Ele será capaz de atingir alvos a uma distância de até 1.500 quilômetros. Além disso, o míssil interceptador pode chegar a uma velocidade Mach 10, ou seja, o A-235 é um complexo de mísseis hipersônicos, com objetivo principal de eliminar ogivas de mísseis balísticos intercontinentais em voo.

    Dados oficiais qualificam o projétil do sistema como um míssil espacial, entretanto, o Pentágono considera o projeto um sistema de interceptação antissatélite, que pode limitar consideravelmente as capacidades militares dos EUA no espaço.

    Blindagem de Moscou

    Atualmente, Moscou é protegida pelo sistema A-135 Amur, que é totalmente automatizado para detecção de alvos, interceptação e emissão de permissões para lançar e orientar os projéteis antimísseis sem a intervenção humana.

    O Nudol, que deve ser o substituto do Amur, possui diversos tipos de mísseis de combustível sólido de curto, médio e longo alcance, capazes de atingir os mísseis inimigos a centenas de quilômetros de distância, no espaço próximo e na estratosfera.

    Lançamento do míssil renovado A-135 do sistema de defesa antiaérea, no polígono cazaque de Sary-Shagan
    © Sputnik / Ministério da Defesa da Rússia
    Lançamento do míssil renovado A-135 do sistema de defesa antiaérea, no polígono cazaque de Sary-Shagan

    Segundo Viktor Murakhovsky, editor-chefe da revista Arsenal Otechestva, o novo sistema tem a mesma função do atual Amur.

    "Não planejamos construir um sistema de defesa antimíssil para todo o país. Embora estejamos falando de cobrir Moscou e a região industrial central de ataques únicos de mísseis balísticos intercontinentais, mísseis de médio alcance e outras ameaças. E não há necessidade de uma munição totalmente nova. Vão ser utilizados mísseis modificados e profundamente modernizados do A-135", declarou.

    Abater o alvo sem explosão

    Uma das características marcantes do novo sistema russo é a interceptação cinética de alvos, sem a utilização de ogivas especiais. Sendo assim, a munição eliminará os mísseis inimigos se chocando contra eles a velocidades hipersônicas.

    "Além disso, o sistema é capaz de interceptar mísseis mais além da atmosfera. De fato, é possível atingir satélites em órbitas baixas. Atualmente, isso é muito relevante para Rússia, pois as intenções dos EUA de desenvolver futuras armas espaciais são muito preocupantes. O Nudol neutraliza essas ameaças", apontou Murakhovsky.

    Outra característica importante do novo sistema é sua mobilidade. Os lançadores podem ser colocados em veículos de transporte autopropulsados capazes de atravessar terrenos pouco transitáveis, permitindo sua locomoção de maneira rápida e secreta até a área desejada.

    Batalha espacial

    A obsessão norte-americana de militarizar o espaço nos últimos anos está cada vez mais visível, tanto que, no final de 2019, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a criação da Força Espacial.

    Por sua vez, o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, anunciou a intenção de reconhecer o espaço como a nova esfera de operações da Aliança Atlântica.

    Lançamento do míssil renovado A-135 do sistema de defesa antiaérea, no polígono cazaque de Sary-Shagan
    © Sputnik / Ministério da Defesa da Rússia
    Lançamento do míssil renovado A-135 do sistema de defesa antiaérea, no polígono cazaque de Sary-Shagan

    Além disso, Trump enfatizou que o Força Espacial dos EUA, além da defesa, desenvolverá capacidades ofensivas. Dessa maneira, o país começará a implantação de sistemas de rastreamento e interceptação de mísseis balísticos no espaço.

    Outra ameaça norte-americana estaria relacionada ao interesse de atacar e eliminar alvos com armas não nucleares em qualquer lugar do mundo em apenas uma hora após a ordem dada.

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    Tags:
    Rússia, Moscou, sistema de defesa de mísseis, sistema de defesa antiaérea, sistema de defesa aérea, sistema de defesa
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