07:28 26 Novembro 2020
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    Mundo lidando com COVID-19 no início de abril de 2020 (153)
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    Forças armadas de toda a Europa estão reduzindo sua escala de operações e impondo regras mais rigorosas às tropas para tentar reduzir o ritmo da propagação do novo coronavírus. Trabalhando e vivendo em quartéis lotados, efetivos militares são altamente vulneráveis à COVID-19.

    Governos ao redor do mundo estão tomando medidas para proteger a saúde de suas tropas, essenciais no combate a COVID-19 internamente.

    A Alemanha mobilizou 15.000 soldados para ajudar as autoridades locais a lidar com a crise do coronavírus. A Polônia ativou milhares de efetivos para patrulhar as ruas das cidades sob quarentena, desinfetar hospitais e reforçar o controle de fronteiras, informou o Ministério da Defesa do país.

    A propagação da COVID-19 no porta-aviões norte-americano USS Theodore Roosevelt serviu de alerta a forças militares de todo o mundo. A embarcação de propulsão nuclear com 5.000 efetivos a bordo teve que atracar na ilha de Guam para tentar conter o vírus, que já havia pelo menos 114 marinheiros infectados.

    Porta-aviões norte-americano Theodore Roosevelt no mar do Sul da China
    © AP Photo / Bullit Marquez
    Porta-aviões norte-americano Theodore Roosevelt no mar do Sul da China

    Alguns dias depois, o comandante do navio, capitão Brett Crozier, foi afastado de suas funções por ter escrito uma carta, que posteriormente vazou para a mídia, pedindo que o Pentágono tomasse medidas para conter a epidemia na embarcação. Neste domingo (5) Crozier foi diagnosticado com a COVID-19.

    Na França, Itália e Espanha, operações militares estão sendo suspensas ou canceladas, reportou a Reuters. Cerca de 200 dos 800 soldados italianos no Iraque estão sendo repatriados.

    "Nós tivemos que cancelar todas as missões e posicionamentos marítimos não essenciais, ou modificar o seu escopo", disse o porta-voz do Estado-Maior francês, coronel Frédéric Barbry.

    No leste da França, cerca de 600 militares contraíram o vírus, informou o Ministério da Defesa do país na sexta-feira (3). No norte da África, quatro soldados franceses envolvidos na operação Barkhane, na região do Sahel, também foram infectados.

    Soldados franceses usam máscaras protetoras em hospital militar próximo da cidade de Mulhouse, na França
    © REUTERS / Christian Hartmann
    Soldados franceses usam máscaras protetoras em hospital militar próximo da cidade de Mulhouse, na França

    Na Turquia, medidas de distanciamento social estão sendo impostas em quartéis superlotados. Nesta segunda (6), o Ministério da Defesa turco informou que irá minimizar as movimentações de tropas na Síria, reduzindo-as estritamente ao "essencial".

    Testes em forças militares

    Realizar testes do novo coronavírus nos efetivos militares é crucial, mas existem poucos dados sobre sua proliferação. Países como Reino Unido, França e Turquia não fornecem dados sobre quantos efetivos foram testados e qual o exato número de casos de COVID-19 nas suas fileiras.

    "Se os militares forem empregados em larga escala, então cerca de 20% dos efetivos vão pegar a doença", disse Jack Watling, pesquisador sênior do Instituto Real dos Serviços Unidos.

    Para o pesquisador, caso os governos optem por deslocar tropas "eles deverão usar os testes para garantir que [os efetivos] não estão propagando o vírus".

    O Ministério da Defesa da Itália só divulga dados sobre seus oficiais e informou que o chefe do Estado-Maior, Salvatore Farina, e uma dúzia de outros altos cargos das Forças Armadas foram infectados pelo vírus. Um tenente-coronel faleceu em função da COVID-19.

    Soldados usando máscaras protetoras em clínica construída para receber pacientes infectados com o novo coronavírus, em Hannover, na Alemanha, 4 de abril de 2020
    © AP Photo / Peter Steffen
    Soldados usando máscaras protetoras em clínica construída para receber pacientes infectados com o novo coronavírus, em Hannover, na Alemanha, 4 de abril de 2020

    O Ministério da Defesa da Espanha, o segundo país com maior número de casos de COVID-19 no mundo, informou que 230 efetivos das Forças Armadas testaram positivo para o novo coronavírus, enquanto cerca de 3.000 militares estariam em regime de autoisolamento.

    O chefe do Estado-Maior espanhol, general da aeronáutica Miguel Ángel Villarroya, disse que nenhuma operação naval foi afetada pelo vírus até o momento. No entanto, a reposição de pessoal servindo na operação Atalanta no Chifre da África, coordenada pela União Europeia, foi interrompida.

    "Tivemos que adiar e repatriar o pessoal que iria substituir aqueles que estão na missão, porque identificamos uma pessoa infectada pelo vírus", disse Villarroya em coletiva de imprensa.

    Um porta-voz do Ministério da Defesa da Alemanha informou que cerca de 250 soldados estavam com COVID-19 e menos de 10 estavam hospitalizados. Dentre eles, alguns estavam em serviço na Lituânia, onde no batalhão internacional da OTAN foram detectados 25 casos entre os soldados.

    Tropas alemãs que seriam enviadas ao Afeganistão estão sendo colocadas em 14 dias de autoisolamento, após quatro soldados italianos recém-chegados de seu país natal terem sido testados positivos em Cabul.

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