10:08 24 Outubro 2020
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    Segundo um documento revelado pelo tabloide Express, o Reino Unido estaria enfrentando um ataque de outro país durante o período que antecedia a Guerra das Malvinas com a Argentina.

    A Guerra das Malvinas, um conflito não declarado de 10 semanas entre a Argentina e o Reino Unido, eclodiu em abril de 1982 sobre dois territórios britânicos não incorporados no Atlântico Sul. Entretanto, parece que a ameaça argentina não era a única que Downing Street tinha que enfrentar na época.

    Um arquivo do gabinete britânico, citado pelo tabloide Express, revelou que em um certo momento em 1982, o Reino Unido, encabeçado na época por Margaret Thatcher, estava à beira de lutar contra duas nações latino-americanas simultaneamente, Argentina, que estava em guerra pelas Ilhas Malvinas, e Guatemala, que havia reivindicado a antiga colônia britânica Belize.

    Sem exército próprio, Belize contava com uma guarnição de 1.500 soldados britânicos, apoiada por um destacamento de seis jatos de decolagem e aterrissagem vertical Harrier da Força Aérea Real (RAF, na sigla em inglês) para deter qualquer agressão da Guatemala.

    Era planejado que a guarnição fosse retirada em junho de 1982, pouco tempo depois de um golpe militar na nação latino-americana em março, que viu o general Rios Montt tomar o poder.

    "A situação na Guatemala ainda não é clara, embora a junta pareça ter o controle total do país", escreveu o chanceler Francis Pym à premiê britânica em 9 de abril, sugerindo que "devemos concordar agora em adiar a data de retirada [da guarnição britânica] para 21 de setembro".

    Invasão como possibilidade

    Um relatório da embaixada britânica na capital venezuelana, Caracas, emitido em 14 de abril, acrescentou às preocupações de Londres na época. O texto sugeriu que era iminente uma invasão de Belize, citando a posição dura de Montt.

    "Os venezuelanos tinham recebido informações de que o novo governo da Guatemala, que era bem visto pela Venezuela, estava pensando em avançar contra Belize", afirmava o relatório, alertando o governo britânico que se isso acontecesse, "a Venezuela seria obrigada a apoiá-los".

    Dois dias depois, em uma reunião dos Chefes de Estado-Maior, Margaret Thatcher foi instruída pelo comando britânico a garantir que os militares pudessem reforçar a guarnição no caso de um ataque militar na Guatemala, ao mesmo tempo que conduzia operações contra os argentinos nas Malvinas.

    O Museu Malvinas está situado no Espaço da Memória (ex-ESMA)
    © Sputnik / Francisco Lucotti
    O Museu Malvinas está situado no Espaço da Memória (ex-ESMA)

    Esta última guerra não declarada entre o Reino Unido e a Argentina pelos territórios das Malvinas, a Geórgia do Sul e as Ilhas Sandwich do Sul, levou cerca de 650 mortos argentinos e 253 britânicos, e não resolveu a disputa: as Malvinas continuam sendo um obstáculo nas relações entre os países.

    Thatcher escreveu ao primeiro-ministro de Belize, George Price, depois que o destróier HMS Sheffield foi atingido por um míssil Exocet na costa das Malvinas em maio de 1982. A premiê do Reino Unido disse-lhe que a guarnição britânica permaneceria lá por algum tempo, prometendo "observar de perto os desenvolvimentos com a Guatemala".

    O Reino Unido só terminou a sua presença militar em Belize, que havia conquistado a independência em 1981, em 1994, com sua guarnição substituída por uma pequena unidade de treino do Exército britânico.

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    Tags:
    AV-8B Harrier, Força Aérea Real, Daily Express, Atlântico Sul, Belize, Venezuela, Guerra das Malvinas, Argentina, Guatemala, Reino Unido
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