14:31 31 Março 2020
Ouvir Rádio
    Defesa
    URL curta
    2270
    Nos siga no

    Ataques aéreos noturnos possuem diversas vantagens, enquanto para tais missões são exigidas características especiais dos pilotos.

    Nas últimas décadas a popularidade de operações aéreas noturnas tem aumentado. A aviação militar prefere lançar seus primeiros ataques pela noite do que durante o dia.

    Para tanto, aparelhos de localização por radar, sistemas via satélite e voo por instrumentos são fundamentais para tais missões.

    Vendo no escuro

    A noite é considerada a parte do dia perfeita para o sono dos humanos. Por isso, voar no escuro é um estresse para o organismo. Além disso, os pontos de referência terrestres ficam obscuros em comparação com as luzes dos equipamentos do cockpit a partir de grandes altitudes.

    Sendo assim, os voos noturnos demandam uma excelente visão.

    "É importante o tempo de reação do homem à mudança de luminosidade", disse à Sputnik o major-general Vladimir Popov, da Força Aérea russa.

    Segundo ele, quanto mais rápida for a reação dos olhos tanto melhor será.

    "A verificação [da visão do piloto] é feita em um cômodo escuro onde se dispara um flash brilhante e é cronometrado o quanto o piloto leva para encontrar a silhueta de um avião ou uma figura geométrica", acrescentou.

    Um tempo de reação de 4 ou 5 segundos é considerado um bom resultado.

    Além de encontrar os objetos, o piloto deve discernir bem os sinais luminosos de cor vermelha, amarela e verde. Elas ajudam a determinar sua localização em relação a outras aeronaves. Na asa da esquerda fica uma luz vermelha, na direita uma verde e na cauda uma luz branca.

    O uso das luzes da pista também é importante para se orientar durante o pouso.

    Da mesma forma, o piloto deve ter um "sexto sentido": a capacidade de determinar a posição do avião em relação ao horizonte.
    Helicóptero russo Ka-52 em operação na Síria
    © Sputnik / Mikhail Voskresensky
    Helicóptero russo Ka-52 em operação na Síria

    Os futuros pilotos só são convocados para operações noturnas após estarem capacitados para pilotar com confiança durante o dia em condições de má visibilidade.

    'Onde eu estou?'

    Para auxiliar os pilotos em voos noturnos, nos anos de 1920-1930 eram usados pontos de referência luminosos para os pilotos na extinta União Soviética.

    "Depois surgiu o rádio, nos pontos onde o trajeto mudava de direção, além dos faróis luminosos, eram colocados dispositivos de rádio. Eram instaladas estações que emitiam um sinal com uma determinada frequência, enquanto os pilotos a sintonizavam com suas radiobússulas, voando literalmente 'pela agulha'. Hoje nos voos noturnos são usados radares [...] de visão infravermelha, por rádio ou radiogoniômetros [...] Finalmente, praticamente todos os nossos aviões e helicópteros estão munidos com comunicação por rádio, o que também facilita sua orientação", explicou.

    Também o uso de sistemas via satélite, como o russo GLONASS e o americano GPS, ajuda na orientação mesmo quando a visibilidade é zero.

    Mas em caso de uma guerra em larga escala seu uso ficaria comprometido devido à guerra eletrônica, exigindo o uso de métodos antigos.

    Experiência na Síria

    As vantagens das operações noturnas são muitas. Em primeiro lugar, durante esta parte do dia o adversário costuma descansar.

    Em segundo, muitos sistemas de defesa antiaérea dependem da detecção visual do alvo, o que é difícil de ser feito pela noite. Em terceiro, os caças da defesa aérea têm dificuldade em detectar o inimigo a curta distância quando está escuro, ao passo que tais bombardeios também trazem um grande efeito psicológico.

    Durante a Segunda Guerra Mundial, os alemães temiam os bombardeiros leves soviéticos de ataque noturno, os quais eram "silenciosos" e "apareciam do nada".

    Por sua vez, na Síria a aviação russa tem trabalhado em conjunto com as forças especiais de dia e de noite.

    Têm ganhado muito destaque os helicópteros para qualquer clima Mi-35, Mi-28 e Ka-52, os quais podem atacar durante 24 horas e se mantendo praticamente invulneráveis.

    De noite, os inimigos tentam descobrir para onde estão voando os helicópteros quando ouvem seu ruído, mas não vêm nada.

    Por isso, é difícil de prever onde o ataque será realizado ou onde irão desembarcar tropas.

    A experiência de tais operações na Síria já está sendo usada durante o novo curso preparatório de pilotos de helicóptero da Força Aérea russa.

    Mais:

    Caças Su-35 da China são 'dor de cabeça' para EUA, diz mídia
    'Cabo de guerra': Pentágono e Lockheed Martin reclamam acesso a sistema do caça F-35
    Tu-142 russos são escoltados por caças britânicos próximo da Escócia (FOTOS, VÍDEO)
    Tags:
    Ka-52, Mi-28, MI-35, escuro, noite, operação militar, Síria, Força Aérea da Rússia, caças
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar