17:58 04 Agosto 2020
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    EUA desistem de gastar US$ 1 bilhão (cerca de R$ 6,7 bilhões) com mais duas baterias do sistema de defesa antimísseis israelense. Recusa de Israel de fornecer alguns códigos-chave do sistema pode ter motivado decisão de Washington.

    O Exército dos EUA informou que irá cancelar seus planos de adotar o sistema de defesa israelense Iron Dome (Cúpula de Ferro) por duvidar da capacidade de integrá-lo com as tecnologias norte-americanas já em operação. Com a decisão, os EUA desistem de comprar mais duas baterias do sistema e de considerar uma integração de longo prazo com o sistema desenvolvido por Israel.

    O motivo central seria a recusa de Israel em fornecer aos EUA o código fonte do sistema Cúpula de Ferro, o que dificultaria a capacidade dos EUA de integrar o sistema israelense à sua defesa antiaérea, reportou o The Times of Israel.

    O general Mike Murray, chefe do Comando de Futuros do Exército, disse que seu departamento identificou diversos problemas com o sistema israelense, incluindo vulnerabilidades cibernéticas e dificuldades operacionais, durante as tentativas de integrar os elementos do Iron Dome com os sistemas dos EUA.

    "Nós acreditamos que não podemos integrá-las no nosso sistema de defesa antiaérea em função de desafios de interoperabilidade, alguns desafios na área cibernética e alguns outros desafios", disse Murray.

    No ano passado, o Exército dos EUA havia anunciado planos para adquirir duas baterias do sistema Cúpula de Ferro para garantir que os EUA estariam protegidos de mísseis de cruzeiro. Na ocasião, os EUA manifestaram interesse em estudar a adoção completa do sistema israelense.

    Nesse ínterim, o Exército reservou US$ 1 bilhão (cerca de R$ 4,6 bilhões) para o projeto, que previa que a integração do Cúpula de Ferro estaria completa em 2023.

    Sistema antimísseis Cúpula de Ferro (Iron Dome) dispara mísseis de interceptação enquanto foguetes são lançados de Gaza em direção a Israel, como é visto da cidade de Ashkelon, Israel, 23 de fevereiro de 2020
    © REUTERS / Amir Cohen
    Sistema antimísseis Cúpula de Ferro (Iron Dome) dispara mísseis de interceptação enquanto foguetes são lançados de Gaza em direção a Israel, como é visto da cidade de Ashkelon, Israel, 23 de fevereiro de 2020

    A Organização de Defesa Antimíssil de Israel e o Exército dos EUA selaram o acordo para a aquisição do Cúpula de Ferro em agosto de 2019.

    Logo após a assinatura, os EUA teriam solicitado reiteradamente o acesso ao "código fonte" do sistema israelense. O código fornece informações detalhadas sobre o  funcionamento do sistema.

    Israel concedeu informações de engenharia para os EUA, mas recusou-se a fornecer o código fonte que Washington alega ser necessário para integrar o sistema Cúpula de Ferro ao seu próprio sistema.

    "O Cúpula de Ferro é […] um sistema com capacidade comprovada, com muita experiência operacional, mas todo mundo também sabe que ele foi desenvolvido especificamente para Israel, e assim ele não será otimizado para os EUA", disse Tom Karako, especialista do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais de Washington.

    A decisão do Exército dos EUA está baseada, sobretudo, no impasse em relação ao código fonte do Cúpula de Ferro e não em eventuais dificuldades técnicas, acredita Karako. "Eu não estou surpreso com esse desenvolvimento [da situação]", disse o especialista.

    O general Murray informou ao Congresso dos EUA que, em breve, os EUA devem abrir licitação para "indústrias dos EUA e internacionais" para substituir o Cúpula de Ferro.

    "Estamos desenvolvendo um caminho agora [...] para seguir em frente", contou Murray.

    Desde 2011, o Congresso dos EUA forneceu mais de US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 6,9 bilhões) a Israel para a produção de baterias do Cúpula de Ferro, desenvolvidas pela empresa Rafael Advanced Defense Systems.

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