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    Há 60 anos exatos, entrou oficialmente ao serviço das Forças Armadas soviéticas o primeiro míssil balístico intercontinental do mundo: o R-7.

    Aconteceu em 20 de janeiro de 1960. Pelas suas enormes dimensões, toneladas de metal e querosene e equipado com ogiva termonuclear, o R-7 realmente impressionava. Desde então, os mísseis balísticos intercontinentais (ICBM, na sigla em inglês) foram perdendo tamanho e peso, mas tornaram-se cada vez mais letais.

    Primeiro míssil estratégico de sempre

    Foi em meados do século passado, após o teste bem-sucedido da primeira bomba de hidrogênio RDS-6S, que ao OKB-1 dirigido por Sergei Korolev foi incumbida a missão de desenvolver um míssil balístico de longo alcance passível de ser equipado com uma ogiva nuclear.

    No Cazaquistão foi construído de raiz para esse efeito o cosmódromo de Baikonur, ainda hoje ativo. O lançamento inaugural do R-7 teve lugar em agosto de 1957. O míssil percorreu mais de 5.500 km, alcançando a península de Kamchatka. Em outubro desse mesmo ano, ele colocaria em órbita o primeiro satélite artificial da Terra.

    Com o R-7, a URSS dispunha pela primeira vez da capacidade de lançar uma carga nuclear sobre os EUA sem ter de recorrer à aviação. Os primeiros R-7 foram posicionados em Plesetsk, não muito longe do Círculo Polar Ártico.

    O R-7 era composto por dois estágios. O primeiro tinha 9,5 m de diâmetro e era constituído por quatro blocos, onde se encontravam os depósitos de comburente (oxigênio líquido) e de combustível (querosene), bem como os compartimentos de instrumentos e energia, o motor de propulsão e os mecanismos de direção. O segundo módulo tinha a forma de cone, comprimento de mais de 7 m, pesava 5,5 t e encimava o R-7. Apesar de a massa total do foguete, quando abastecido, chegar a 260 t, este míssil balístico intercontinental poderia ser armado somente com uma única ogiva nuclear de 3 t de peso e 1,5 megaton de potência.

    O R-7 esteve em serviço até 1968, com base nele foram criados diversos foguetes-portadores, tais como os da classe Soyuz que ainda hoje são utilizados no transporte de cosmonautas e astronautas para a Estação Internacional Espacial e na colocação de satélites em órbita.

    Surge a necessidade de reduzir o peso

    O R-7 ficaria rapidamente obsoleto. Era necessária uma alternativa, forçosamente mais potente, mas ao mesmo tempo mais compacta. Este míssil era caro, difícil de manejar e suas dimensões tornavam quase impossível camuflá-lo e limitavam sua operacionalidade.

    O gabinete OKB-1 iniciou então a elaboração do projeto do míssil balístico intercontinental R-9A, cujo peso inicial não ultrapassava as 80 t. Recorreram igualmente a motores de propulsão movidos a oxigênio líquido e querosene, mas mais eficientes que os do R-7, assegurando uma maior capacidade de carga. O míssil podia portar agora tanto uma ogiva de 1.700 kg de peso, potência de 1,6 megaton e alcance de 16.000 km, como uma de 2.200 kg de peso e potência de 5 Mt, atingindo neste caso os 12.000 km de distância.

    Contudo, o processo de preparação para lançamento do R-9A se revelou muito demorado, trabalhoso e contraproducente.

    Primeiro, era montado em um hangar, sendo depois transportado para o local da rampa de lançamento e finalmente colocado na vertical. Em seguida, ele era abastecido, procedia-se à afinação do sistema de direção e pontaria. Finalmente, decorria a contagem final e o lançamento. Tudo isto requeria várias horas.

    As relativamente reduzidas dimensões do R-9A permitiam instalá-lo em silos de lançamento subterrâneos, nos quais os ICBM permaneciam em um nível elevado de prontidão para disparo, mas ainda sem combustível.

    Chega o compacto UR-100

    O R-9A foi abatido ao serviço em meados dos anos 70 do século XX, sendo substituído pelo UR-100, um míssil balístico intercontinental de nova geração. Para assegurar a paridade nuclear da URSS com os EUA na corrida armamentista, era necessário um míssil que pudesse ser produzido em massa. O pequeno UR-100 pesava somente 50 toneladas e foi o primeiro passível de ser mantido no silo durante dez anos em situação de prontidão de lançamento permanente.

    Rampa de lançamento nº 175 das Forças de Mísseis Estratégicos da Rússia, sita no cosmódromo de Baikonur, pouco antes do disparo de um míssil balístico intercontinental RS-18 (variante do UR-100N)
    © Sputnik / Sergei Kazak
    Rampa de lançamento nº 175 das Forças de Mísseis Estratégicos da Rússia, sita no cosmódromo de Baikonur, pouco antes do disparo de um míssil balístico intercontinental RS-18 (variante do UR-100N)

    O UR-100 já vinha abastecido de fábrica com combustível e era transportado em contentores herméticos diretamente para o local de posicionamento. Na sua construção foi utilizada tecnologia de ponta: por exemplo, todas as principais operações eram executadas remotamente. Embora dotadas de uma potência relativamente baixa – 1 megaton, essa desvantagem era compensada pela sua produção em massa e disseminação por milhares de silos de lançamento subterrâneos em toda a URSS.

    O UR-100N viria a substituir o UR-100. Em geral sua estrutura era copiada do antecessor, ele pesava, contudo, 100 t, o que lhe permitia transportar 6 ogivas de maior potência com possibilidade de serem encaminhadas para alvos diferentes. Foram instalados nos mesmos silos do anterior, silos esses agora dotados de maior segurança e proteção, incluindo contra ataques nucleares.

    De regresso aos mísseis grandes

    Ao mesmo tempo, foram desenvolvidos novos mísseis balísticos intercontinentais pesados. Assim, em 1978, nas Forças Estratégicas de Mísseis entrou em serviço o R-36M, de mais de 200 t e dois estágios. Ele vinha igualmente abastecido de fábrica com combustível líquido, sendo transportado em contentores herméticos. Equipado com ogivas múltiplas, podia alcançar os 11.000 km de distância.

    A era do combustível sólido

    Optou-se mais tarde por mísseis balísticos intercontinentais movidos a combustível sólido – eram considerados menos dispendiosos e permitiam um armazenamento duradouro mais seguro. Nos finais dos anos 80 do século XX, as Forças Estratégicas de Mísseis foram dotadas com o míssil móvel e fixo Тоpol e, mais tarde, com o melhorado Тоpol-M.

    Era um míssil de três estágios, instalado em contentores de lançamento transportáveis sobre caminhão. Seu diâmetro era inferior a 2 m. Prazo de armazenamento – 15 a 20 anos. Peso de lançamento: 45 t. Pode carregar uma ogiva "mini" de potência 550 kt, ou várias ogivas múltiplas.

    As Forças Estratégicas de Mísseis da Rússia viriam igualmente a ser equipadas nos anos 2000 com mísseis de combustível sólido, mas muito mais avançados, como o RS-24 Yars. Trata-se, no fundo, de uma variante profundamente modificada do Topol, residindo as diferenças na ogiva e no sistema de direção. Contudo, graças a motores mais avançados, foi possível reduzir o tempo de impulso inicial. São também muito mais fáceis de manobrar e têm maior precisão.

    Os mísseis Yars estão aptos a superar com sucesso todos os sistemas existentes de defesa antimíssil e suas ogivas múltiplas podem ser orientados para alvos diferentes. Segundo informação divulgada pelo Ministério da Defesa da Rússia, até 2024 todos os Topol ainda existentes cederão lugar aos modernos mísseis Yars.

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    Tags:
    míssil balístico intercontinental, Rússia, míssil balístico
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