19:40 19 Outubro 2020
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    Projetado para substituir os porta-aviões da classe Nimitz, o USS Gerald R. Ford apresenta uma série de problemas que aumentaram seus gastos em bilhões de dólares.

    O desenvolvimento do mais poderoso porta-aviões da Marinha americana começou na década de 90. No entanto, seu assentamento da quilha ocorreu em 2009, enquanto seu comissionamento se deu em 2017.

    Projetado para substituir o primeiro porta-aviões nuclear dos EUA, o USS Enterprise, o USS Gerald R. Ford tem um deslocamento de 100 mil toneladas, tendo se tornado o maior navio de superfície militar do mundo.

    Porta-aviões norte-americano USS Gerald R. Ford
    © AP Photo / Steve Helber
    Porta-aviões norte-americano USS Gerald R. Ford

    Durante seu desenvolvimento, alguns requerimentos foram estabelecidos: unidade propulsora mais potente do que a dos seus antecessores, levar mais aeronaves e ter maior capacidade de sobrevivência.

    Também foi cogitado tornar o navio "invisível" com o uso de tecnologia stealth, o que não foi possível devido à complexidade e ao alto preço.

    Quanto ao seu nível de robotização, diversos sistemas automatizados foram instalados para substituir o trabalho humano. Contudo a fortaleza marítima possui um efetivo de mais de 4,5 mil militares para o seu funcionamento.

    Superando seus antecessores

    É fato que o Gerald Ford supera seus antecessores em certas tecnologias. Catapultas eletromagnéticas, que permitem maior frequência de voos e reduzem a sobrecarga dos pilotos durante a decolagem; maior convés de voo e uma configuração que agiliza a distribuição de munições e aviões em seu interior.

    Além disso, a embarcação porta até 90 aeronaves, dentre elas aviões, helicópteros e drones.

    Elas incluem caças F/A-18E/F Super Hornet e F-35C, tal como aviões de guerra eletrônica EA-18G Growler e E-2D Hawkeye, desenvolvidos para detectar aeronaves inimigas e emitir alertas precoces, assim como aviões de transporte C-2 Greyhound.

    Porta-aviões USS Enterprise atracado na base naval americana de Norfolk
    © AP Photo / Steve Helber
    Porta-aviões USS Enterprise atracado na base naval americana de Norfolk

    Sua propulsão, gerada por dois reatores nucleares, impulsiona o navio de 337 m de comprimento e 78 m de boca. Enquanto isso, sua defesa antiaérea é assegurada por sistemas RIM-116 e RIM-162, com raios máximos de ação de 10 km e 50 km respectivamente.

    Problemas

    Apesar dos avanços tecnológicos, a embarcação se tornou uma fonte de problemas para o Pentágono. A começar pelas vezes que sua data de lançamento foi adiada devido a defeitos frequentes com seu equipamento.

    Além disso, seu mau funcionamento veio à tona logo após o USS Gerald R. Ford ser lançado.

    Como exemplo, houve uma série de problemas graves no funcionamento dos sistemas de apoio a decolagem e pouso das aeronaves, em particular as peças eletromagnéticas usadas para frenagem durante o pouso. Segundo os fabricantes, o equipamento poderia servir 1.600 aeronaves, mas de fato tal número caiu para 25.

    Enquanto isso, sua catapulta eletromagnética só serviu para 400 decolagens, em contraste com as 4.000 prometidas pelo fabricante.

    Também durante os testes de mar quebram-se alguns de seus mancais dos veios propulsores. Para resolver os problemas, o porta-aviões foi enviado para conserto, o que levou alguns meses. Mesmo assim, o Gerald Ford ainda enfrenta problemas com sua unidade propulsora.

    Durante testes, o equipamento nuclear usado para a geração de energia apresentou um sério defeito. Em um relatório da Marinha americana diz-se que o "navio enfrenta dificuldades com a transformação da energia produzida pelos reatores nucleares".

    Também dos seus 11 elevadores para o transporte de munição somente dois estão funcionando.

    Gastos exorbitantes

    Tal quadro acabou gerando críticas ao departamento militar dos EUA e à secretaria da Indústria do país. A razão disso seriam os US$ 13 bilhões (cerca de R$ 53 bilhões) gastos com a embarcação, valor superior ao planejado em 22%.

    Além disso, as despesas com as falhas do navio continuam a crescer.

    Alvo fácil

    Com tamanhas despesas, alguns especialistas militares ocidentais acreditam que um porta-aviões tão caro como o Gerald Ford não fazia sentido. A razão disso é que em uma guerra marcada pelo uso de mísseis e torpedos altamente precisos, navios das dimensões do Gerald Ford seriam um alvo fácil.

    Além do mais, a perda de um navio com uma tripulação de milhares de militares seria grande, comparável com todas as perdas dos EUA no Afeganistão.

    Mesmo assim, tendo em vista o lobby militar americano, dificilmente o Pentágono abandonará os planos de construir outros irmãos do Gerald Ford.

    O segundo da fila, John F. Kennedy, já está em processo de construção.

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    Tags:
    despesas, EUA, Pentágono, F-35, F-18, reator nuclear, Marinha dos EUA, problemas mecânicos, porta-aviões, USS Gerald R.Ford
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