09:50 23 Janeiro 2020
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    Aumento das tensões entre países na região do Ártico pode levar à conflito armado, mas cenário de conflito de larga escala está, por enquanto, excluído, diz comandante da Frota do Norte russa.

    Os principais fatores para a desestabilização da região do Ártico são a política dos EUA e de alguns países do Ocidente, disse o vice-almirante e comandante da Frota do Norte Aleksandr Moiseev, durante fórum especializado realizado há poucos dias em São Petersburgo.

    "Sob certas condições, o agravamento das contradições existentes pode levar a situações de crise e escalar para conflitos armados [...] Mas, a curto e médio prazo, uma guerra de larga escala não deve eclodir nesta macrorregião [Ártico]”, declarou Moiseev.

    Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, desde 2015 o número de operações e exercícios militares da OTAN na região dobrou, o que aponta para a necessidade de fortalecimento da Frota do Norte.

    Equipamento militar russo no Ártico (arquivo)
    © Sputnik / Maksim Blinov
    Equipamento militar russo no Ártico (arquivo)

    O vice-almirante notou que documentos oficiais norte-americanos preveem a instalação de sistemas de defesa antiaéreas na região e o desenvolvimento de frota de quebra-gelos.

    Além disso, os documentos dos EUA defendem o livre acesso de embarcações, inclusive militares, à Rota do Norte, cujo traçado passa pela Zona Econômica Exclusiva da Rússia.

    Presença da OTAN

    O Ministério da Defesa da Rússia nota com preocupação o aumento das atividades militares da OTAN no Ártico, que, desde 2015, conduziu nove exercícios na região.

    A inclusão de países de fora da aliança nos exercícios também preocupa a Rússia: Finlândia e Suécia foram convidadas a participar dos exercícios, apesar de seus territórios não terem saída para o Oceano Ártico.

    Soldados dos EUA fazem treinamento com sapatos especiais para uso na neve, em treinamento chamado Luz do Ártico, em 2012 (foto de arquivo)
    © AP Photo / Justin Connaher
    Soldados dos EUA fazem treinamento com sapatos especiais para uso na neve, em treinamento chamado "Luz do Ártico", em 2012 (foto de arquivo)

    A atividade militar cada vez mais intensa da Noruega também é motivo de inquietação. Oslo pretende estender sua jurisdição nacional ao arquipélago de Svalbard e zonas marítimas adjacentes. Os militares russos temem a erosão do status desmilitarizado desses territórios e a criação de condições para a "restrição" de atividades econômicas de Moscou na localidade.

    Para o professor da Academia de Ciências Militares, Vadim Kozyulin, a Noruega se transforma em um posto avançado da presença militar dos EUA na região do Ártico.

    "Durante a Guerra Fria [...] Oslo proibia o estacionamento de tropas estrangeiras no seu território, para não deteriorar suas relações com Moscou. Apesar do confronto entre a URSS e os EUA, o reino escandinavo permaneceu, de fato, neutro. Mas agora a Noruega realmente se envolve nas atividades militares anti-russas promovidas por Washington", disse Kozyulin à RT.

    A Noruega está construindo, com recursos norte-americanos, uma estação de radar estacionária a pouco mais de 60km da fronteira coma Rússia.

    Fuzileiros navais dos EUA na Noruega participam dos exercícios Cold Response
    Fuzileiros navais dos EUA na Noruega participam dos exercícios Cold Response

    Para Moscou, a instalação Globus III, que será equipada com os mais recentes radares da família AN / FPS-129, será utilizada para monitorar as atividades da sua Frota do Norte.

    Os países da região se reúnem periodicamente no Conselho do Ártico, fórum diplomático destinado ao trato de temas comuns aos Estados da região.

    Os membros do Conselho são Rússia, Canadá, Dinamarca, Islândia, Noruega, Estados Unidos, Finlândia e Suécia.

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    Tags:
    Frota do Norte, militarização, OTAN, Noruega, Ártico, Rússia
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