11:11 26 Outubro 2020
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    A Sputnik conversou com especialistas para compreender quais os interesses da China, África do Sul e Rússia na realização do primeiro exercício militar conjunto na costa africana, a decorrer entre os dias 15 e 30 de novembro.

    Os três países, parceiros no âmbito do BRICS, realizam treinamento conjunto focado na busca e apreensão de embarcações piratas e na manutenção da segurança das rotas marítimas mundiais.

    Para a analista do Instituto da África da Academia de Ciências da Rússia, Tatiana Deich, as manobras se inserem no contexto da expansão dos interesses chineses no continente africano:

    "A China desenvolve de maneira bastante significativa sua cooperação militar com 22 países da África, participando simultaneamente de diversas operações de manutenção de paz", lembrou Deich.

    A África do Sul, por sua vez, não quer restringir a sua cooperação militar a um só parceiro, preferindo absorver tanto da China quanto da Rússia o que há de melhor nessa área.

    Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, acompanha parada militar na Cidade do Cabo  (foto de arquivo)
    Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, acompanha parada militar na Cidade do Cabo (foto de arquivo)

    "A África do Sul também participa ativamente de operações de paz, e por isso [...] necessita realizar exercícios tanto terrestres, como marítimos. Além disso, tal como qualquer outro país africano, ela quer ter uma proteção consistente. Tanto a Rússia, quanto a China sempre forneceram apoio à África, quando solicitados", disse Deich.

    O especialista Jiang Yi, da Academia Chinesa de Ciências Sociais, lembra que se trata do primeiro exercício conjunto com a África do Sul, tanto para a Rússia quanto para a China, o que reflete a importância estratégica da região sul do continente africano para as duas grandes potências.

    "Os exercícios refletem a atenção que as duas grandes potências conferem ao sul da África. Essa atenção não está ligada a confrontações nessa região, mas a interesses de um desenvolvimento multivetorial da cooperação com os países africanos", disse Jiang.

    Já para Konstantin Sivkov, vice-presidente da Academia Russa de Mísseis e Artilharia, a China tem interesse em fortalecer a sua posição geopolítica no sul africano:

    "A China certamente tem interesse em manter sua presença naval na região, em aumentar a sua influência e desenvolver seus negócios. Sem o apoio de estruturas militares, os negócios ficam vulneráveis, podem se perder simplesmente. Existem muitos exemplos disso, tais como os recentes acontecimentos na Líbia", lembrou Sivkov.

    Navios da Marinha chinesa participam de manobras no mar Amarelo
    © East News / Liu Zheng/Color China Photo/AP Images
    Navios da Marinha chinesa participam de manobras no mar Amarelo

    Para ele, a China precisa assegurar as suas rotas marítimas comerciais, afastando definitivamente a possibilidade de serem interrompidas por situações de tensão geopolítica:

    "Por isso, para a China é importante manter aberta a possibilidade de passagem dos navios, manter vias de comunicação seguras em torno da África, passando ao lado da África do Sul", disse.

    O especialista também notou o aspecto geoeconômico, citando as matérias-primas sul-africanas que também estariam nos radares chineses, em especial os diamantes.

    "Do ponto de vista geopolítico a África do Sul é extremamente importante, proporcionando o controle de toda a região sul da África", concluiu Sivkov.

    Das manobras participam a fragata chinesa Weifang e o cruzador de mísseis russo Marshal Ustinov.

    Tripulação do cruzador de mísseis Marshal Ustinov durante as manobras da Frota do Norte da Rússia
    © Sputnik / Pavel Lvov
    Tripulação do cruzador de mísseis Marshal Ustinov durante as manobras da Frota do Norte da Rússia

    A chinesa Weifang tem um sólido histórico de participação em operações antipirataria no golfo de Áden e nas águas da Somália. Além disso, ela participou da missão de evacuação de cidadãos chineses e estrangeiros do Iêmen em março de 2015.

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    Tags:
    África, continente, costa, exercícios militares, Rússia, China, África do Sul
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