20:06 06 Dezembro 2019
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    Tripulação das Tropas de Proteção Radiológica, Química e Bacteriológica da Rússia fazendo prospecção nas competições entre unidades de exércitos no evento Ambiente Seguro 2016, na região de Transbaikal

    'Soldados do Apocalipse': militares russos que seriam enviados ao epicentro de explosão nuclear

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    Unidades militares de proteção química têm tido papel importante nos bastidores das guerras.

    Seu campo de batalha é pequeno, o inimigo é invisível e o risco é imenso. Na quarta-feira (13), as Tropas de Proteção Radiológica, Química e Bacteriológica da Rússia celebram seu feriado profissional.

    Embora estes militares não apareçam muito nas reportagens, o seu papel na garantia da segurança do país não pode ser subestimado.

    Batismo químico

    Os gases tóxicos usados na Primeira Guerra Mundial mudaram para sempre os métodos de guerra. Em vez de lançar batalhão após batalhão para um ataque, começou a ser utilizada uma pequena unidade química armada com cilindros de cloro para atingir uma posição inexpugnável. Em poucos minutos, os soldados enchiam as trincheiras com a substância tóxica, privando o inimigo da vida ou da vontade de resistir. Além do gás, os "químicos" militares receberam outras armas terríveis para expulsar o inimigo das fortificações, os lança-chamas.

    Nesses anos, as tropas russas também levaram a cabo bombardeio com gás e lançamento de chamas. No final de 1916 havia 15 unidades químicas no exército imperial, que operava em diferentes partes da frente. O sucesso era variável: o gás é uma arma caprichosa, que depende das condições meteorológicas. Um sopro do vento torna-o inútil.

    Dez anos após o fim da guerra, em 8 de fevereiro de 1928, entrou em vigor o Protocolo Relativo à Proibição do Uso de Gases Asfixiantes, Tóxicos ou Similares e de Meios Bacteriológicos na Guerra, (geralmente chamado de Protocolo de Genebra). A URSS ratificou-o em abril do mesmo ano. Mas não havia qualquer menção sobre a produção, armazenagem e transporte de armas químicas ou biológicas.

    Durante a Segunda Guerra Mundial, as tropas químicas da Rússia colocavam cortinas de fumaça e camuflavam prédios e outras estruturas. O exército mantinha uma alta prontidão de proteção química das unidades militares em caso de uso de armas químicas pelo inimigo, destruindo as unidades adversárias com a ajuda de lança-chamas.

    Durante a guerra, 17 batalhões e 13 companhias de lança-chamas portáteis, 25 batalhões de lança-chamas pesados, 18 batalhões de proteção química foram condecorados com medalhas, 40 unidades militares receberam títulos honoríficos, 28 militares "químicos" tornaram-se Heróis da União Soviética, milhares receberam ordens e medalhas. No final da guerra, havia 19 brigadas químicas no exército, mas depois da vitória a maioria delas foi dissolvida.

    Experiência nuclear

    Na era atômica, as tropas químicas passaram a ter novas tarefas: reconhecimento de radiação, desativação, descontaminação, desinfeção, controle de segurança pessoal, de armas, equipamentos e assim por diante.
    Em 1954, no polígono de Totsky, foram usadas armas nucleares nas manobras com o nome de código Snezhok, a fim de romper as defesas do inimigo convencional. Cerca de 45 mil militares estiveram envolvidos no exercício.

    Especialistas das tropas químicas avaliaram a situação antes da explosão, descreveram o "cogumelo" e investigaram a área. As primeiras patrulhas de reconhecimento de radiação chegaram ao epicentro 40 minutos após a detonação e estabeleceram que a radiação no epicentro era de 50 roentgen por hora, 25 roentgen à distância de 300 metros, 0,5 roentgen a mais de 500 metros e 0,1 roentgen a mais de 800. As tropas químicas trataram o pessoal atingido pela radiação e o equipamento militar com reagentes especiais.

    Os militares químicos participaram da eliminação das consequências do acidente de Chernobyl. Na operação estiveram envolvidos a 1ª, 20ª, 25ª, 51ª brigadas e todos os batalhões de proteção química do 1º Exército de Guarda. Já em 27 de abril de 1986 eles formaram um grupo operacional da diretoria de tropas químicas do Ministério da Defesa da URSS sob a liderança do coronel-general Vladimir Pikalov. Ele encabeçou pessoalmente o grupo de reconhecimento inicial de radiação com o uso de veículos de reconhecimento químico blindados do 122º destacamento móvel. Mais tarde, as tropas químicas assumiram toda a enorme carga do trabalho no gerador que explodiu em Chernobyl.

    Chamas "draconianas"

    Atualmente, as Tropas de Proteção Radiológica, Química e Bacteriológica (nome dado oficialmente em 1993) garantem a segurança do pessoal militar, da população e das infraestruturas, efetuam o reconhecimento da área com a ajuda de máquinas e dispositivos especializados e, em caso de detecção de contaminação, marcam os limites do seu epicentro.

    Um militar das Forças Armadas russas durante uma sessão de treinamento conjunto para eliminar as consequências da emergência em uma instalação militar na região de Leningrado, como parte da reunião de organização e mobilização da liderança do Distrito Militar Ocidental
    © Sputnik / Aleksei Danichev
    Um militar das Forças Armadas russas durante uma sessão de treinamento conjunto para eliminar as consequências da emergência em uma instalação militar na região de Leningrado, como parte da reunião de organização e mobilização da liderança do Distrito Militar Ocidental

    Além de suas funções puramente defensivas, essas tropas preservaram a famosa chama "draconiana". A lista de tarefas em caso de guerra inclui infligir perdas irreparáveis ao inimigo com a ajuda de armas incendiárias. Para este fim, as tropas têm, por exemplo, lança-chamas portáteis de infantaria RPO-A Shmel (equivalente em efeito destrutivo a um projétil de artilharia de 152 mm) e o sistema móvel de lança-chamas pesado TOS-1A Solntsepek, capaz de lançar 24 projéteis incendiários de 220 mm contra o alvo em poucos segundos.

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    Tags:
    militares, Defesa, Rússia
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