22:48 24 Janeiro 2020
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    A confiança dos EUA na superioridade da sua força poderia levar o país a tomar medidas irracionais, tornando-se uma ameaça para o mundo.

    "Quando você nota sua vulnerabilidade e está interessado em manter o equilíbrio e a segurança geral em igualdade, isso faz você usar a cabeça. Mas quando você acha, como continuam a achar os EUA, que o equilíbrio do poder está a seu favor, pode se ter uma diversidade de ideias, incluindo algumas que não sejam muito racionais. É precisamente nesta situação que eu vejo a principal ameaça [...]", afirmou o ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, em entrevista ao jornal Moskovsky Komsomolets.

    Shoigu também observou que com o alto nível de informatização e automação há uma grande probabilidade de ocorrer um erro no sistema de gerenciamento de armamentos, e por isso as questões de segurança da informação terão um papel de destaque.

    Perante o cenário atual, a Rússia está realizando testes com suas armas mais recentes e interrompeu a produção de 12 modelos de armas avançadas após falharem durante testes realizados em missões na Síria. Outros 300 modelos de armas foram modernizados.

    Ministro da Defesa russo Sergei Shoigu durante o Segundo festivalo da Sociedade geográfica russa
    © Sputnik / Ramil Sitdikov
    Ministro da Defesa russo Sergei Shoigu durante o Segundo festivalo da Sociedade geográfica russa

    "Como resultado das missões de combate na Síria [...] posso afirmar que aproximadamente 300 tipos de armas foram melhorados levando em conta a experiência na Síria e outras 12, consideradas promissoras antes, nós simplesmente retiramos da produção e do serviço", afirmou Shoigu, tendo em agosto sido ressaltado que na Síria foram testados 231 modelos de armas modernas e modernizadas que mostraram alta eficiência em combate.

    Entre essas armas está o míssil de cruzeiro Kalibr, que foi modernizado após seu emprego em missões na Síria.

    "[...] Costumava demorar muito tempo para programar a missão em um míssil de cruzeiro Kalibr, tanto que o alvo poderia escapar. Hoje o tempo de carregamento foi reduzido [...]", ressaltou Shoigu.

    Participação da Rússia em uma eventual guerra

    Durante a entrevista, Shoigu também afirmou que a participação da Rússia em uma eventual guerra em grande escala não é uma questão imediata.

    "Espero que a questão sobre uma guerra em grande escala não se ponha atualmente", disse Shoigu, respondendo à pergunta sobre um provável envolvimento da Rússia em um conflito em grande escala em um futuro próximo.

    "Todos os riscos e consequências de uma guerra em grande escala são óbvios para todos nós", enfatizou, lembrando que o mundo está se tornando cada vez mais imprevisível e inseguro.

    Isso porque a retirada dos EUA de dois importantes tratados de controle de armas nucleares torna o mundo cada vez mais imprevisível e inseguro.

    "Os EUA já saíram de dois importantes tratados de controle de armas nucleares. No momento, ainda há o START-3, que também está sendo discutido nos EUA, se ele deve ou não ser prolongado", completou o ministro.

    Com essas atitudes, o mundo está se tornando um lugar de alto risco e imprevisível.

    Ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, durante a cerimônia de abertura da VII Conferência de Segurança de Moscou
    © Sputnik / Grigory Sysoev
    Ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, durante a cerimônia de abertura da VII Conferência de Segurança de Moscou

    Tanto é que hoje os EUA possuem 170 bases militares espalhadas pelo mundo. Contudo, a Rússia pode conter os EUA de maneira eficaz.

    "A Rússia não só pode como já se opõe eficazmente à América. Isso graças à nossa ciência, indústria e novos desenvolvimentos. Além disso, nós não tentamos competir com eles em todas as frentes. Se citarmos o orçamento militar dos EUA, você entenderá que eles têm despesas enormes com as diversas bases distribuídas por todo o mundo. A América possui 170 bases", afirmou Shoigu.

    Apenas os gastos dos EUA com sua operação no Afeganistão quase igualam o orçamento anual da Defesa russa.

    "O valor gasto pelos EUA em companhias militares privadas e em grupos de porta-aviões é muito alto. Mas será que a Rússia precisa de cinco a dez grupos de porta-aviões se nós não queremos atacar ninguém? Precisamos de fundos que possam ser potencialmente usados para conter esse tipo de grupos de porta-aviões do adversário em caso de agressão contra nosso país. Isso é incomparavelmente mais barato e eficaz!", completou o ministro.

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    Tags:
    tratados internacionais, armas, ataque, guerra, defesa, Sergei Shoigu, EUA, Rússia
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