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    Indústria de defesa europeia corre risco de ser ultrapassada por EUA e China, diz especialista

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    As forças aéreas europeias correm o risco de ficar para trás com o crescimento e desenvolvimento das indústrias aeroespaciais dos EUA e da China.

    Segundo analistas, as forças aéreas europeias estão ficando cada vez mais ultrapassadas pelas indústrias aeroespaciais norte-americanas e, em um curto período, pelas chinesas, que estão elevando cada vez mais seu faturamento.

    Os ministros da Defesa da França, Alemanha e Espanha devem assinar um acordo de cooperação sobre o Sistema de Combate Aéreo do Futuro (FCAS), durante a o Salão Aéreo de Paris, visando o lançamento de um caça da próxima geração, segundo a AFP.

    Com esse projeto os países pretendem unificar o poderio militar da Europa reduzindo sua dependência de equipamentos norte-americanos. Além disso, o projeto incluirá drones e mísseis de cruzeiro e deve ser liderado pela Airbus e pela Dassault Aviation.

    Foi ressaltado que os gastos europeus com a defesa ainda estão muito abaixo dos gastos norte-americanos e chineses.

    "Há um desequilíbrio cada vez maior entre a forma como a Europa está montando sua indústria aeronáutica, espacial e de defesa e a forma como isso está acontecendo nos dois blocos desafiantes, os EUA e a China", afirmou Philippe Plouvier no Boston Consulting Group em Paris.

    De um lado, os norte-americanos estão elevando cada vez mais suas despesas com a defesa, devendo atingir "um nível extremamente elevado", chegando a US$ 700 bilhões (R$ 2,7 trilhões) neste ano.

    Por sua vez, a China não fica muito atrás e investe pesado, tornando-se o segundo maior gasto em defesa, com aproximadamente US$ 250 bilhões (R$ 975 bilhões).

    O presidente russo Vladimir Putin e o presidente francês Emmanuel Macron reuniram-se no Grand Trianon do Palácio de Versalhes em Paris, 29 de maio de 2017
    © Foto / Russian Presidential Press Office

    Enquanto isso, os principais países europeus juntos gastaram US$ 200 bilhões (R$ 780 bilhões).

    Entretanto, mesmo com o avanço chinês, alguns setores do país asiático ainda estão a uma ou duas décadas de se tornarem uma ameaça nos setores de defesa, a lentidão europeia em desenvolver novas tecnologias é um sinal de haver um sério risco de a Europa ser deixada para trás.

    Os principais fatores apontados por analistas para a lentidão europeia estariam ligados ao acesso limitado a fundos, dificultando o financiamento e o desenvolvimento de novas tecnologias, que seriam fundamentais para suprir as necessidades militares do continente.

    "Quando você compara Airbus, Safran ou Thales com as grandes empresas norte-americanas, você nota que as nossas possuem um crescimento mais forte, talvez até maiores lucros, mas elas não geram muito dinheiro, elas utilizam o dinheiro para financiar seu crescimento", afirmou Plouvier.

    "Se você não tem dinheiro – não se moderniza, o que significa menos capacidade de autofinanciamento da pesquisa ou de transformação tecnológica, então você não está se preparando corretamente para o futuro", concluiu.

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    Tags:
    dinheiro, caças, Força Aérea, equipamento militar, tecnologia
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