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    'OTAN é apenas um zumbi periodicamente reanimado', diz analista militar

    © AFP 2019 / FRANCISCO LEONG
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    Em seu artigo para a revista The National Interest, o analista militar Douglas Macgregor comparou a OTAN com "um zumbi periodicamente reanimado através de vários métodos, geralmente magia vodu".

    Macgregor lembrou o artigo do acadêmico Walter Russell Mead no Wall Street Journal. Ele declarou que a OTAN estaria morrendo. Entretanto, o colunista da The National Interest declarou que a aliança não está morrendo, mas é simplesmente um zumbi que é periodicamente reanimado, acrescentando que "a reanimação tem seus limites e mesmo zumbis acabam por morrer".

    Para provar sua hipótese, Macgregor lembrou a Geórgia, um pequeno Estado na cordilheira do Cáucaso localizado entre a Rússia, Turquia e o Irã e que quer aderir à OTAN.

    O analista escreveu que os primeiros sinais que a OTAN se estava transformando em zumbi surgiram após o colapso da União Soviética. Naquela época, o então senador americano Richard Lugar declarou que a OTAN deveria "deixar a área ou cessar sua atividade". Mas a aliança foi reanimada "através da poderosa infusão da magia vodu", que mais tarde tomou a forma de intervenção militar da OTAN nos Bálcãs.

    Além disso, a reanimação recebeu um grande impulso durante o programa Parceria para a Paz (um programa da OTAN que visa a criação de confiança entre a aliança e outros Estados do Leste Europeu e da antiga União Soviética).

    Macgregor lembrou a promessa dada ao então presidente soviético Mikhail Gorbachev pelos líderes ocidentais em 1990 de não expandir a OTAN para o leste, para os membros do antigo Pacto de Varsóvia.

    Para Macgregor, o Ocidente se atreveu a fazer isso porque naquela época a Rússia era bastante fraca. Além disso, o então presidente dos EUA Bill Clinton e os senadores que estavam nominalmente encarregados de supervisionar a condução da Política Externa e de Segurança do país foram "hipnotizados" pelas perspectivas de receber doações de campanha.

    Levando em conta o apetite voraz por dinheiro no Congresso, as indústrias de defesa estavam interessadas na expansão da OTAN e encontraram meios de justificá-la. O envio de armas aos países do Leste Europeu que aderiram à OTAN permitiu obter lucros enormes.

    Após 2001, qualquer coisa servia para ser considerado como ameaça para o povo americano: terrorismo islâmico, China, Irã, Venezuela, Cuba e a Rússia. O orçamento militar estava crescendo e as Forças Armadas dos EUA tinham presença na África, Oriente Médio, Ásia e Leste Europeu, sublinhou o autor.

    Quando o presidente dos EUA Barack Obama completou seu primeiro mandato em 2012, Moscou concluiu que a expansão da aliança, junto com sua presença sem prazo no Afeganistão e Oriente Próximo, era realmente um plano coordenado para tornar a situação estratégica da Rússia insustentável. É por isso que a Rússia foi forçada a fortalecer suas posições para proteger seu território.

    Agora a Geórgia, um país vizinho da Rússia, planeja aderir à OTAN. O país, tal como a maioria dos países da OTAN, está em linha de se tornar mais um protetorado militar dos EUA.

    "Se o presidente [Donald] Trump não quer que Moscou considere a Geórgia como uma futura plataforma para ataques contra a Rússia, o Irã ou outras potências regionais, o presidente Trump deve dizer 'Não!'", apelou o analista.

    "Chegou a hora de o zumbi OTAN deixar de existir. Charles de Gaulle [estadista francês] estava certo: 'Inglaterra é uma ilha e os EUA não ficam na Europa'", concluiu o autor.

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    Tags:
    forças armadas, OTAN, Rússia, União Soviética, EUA
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