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    Tinha médio alcance, alta precisão e um poder destrutivo colossal. Há 60 anos, em 4 de março de 1959, o míssil balístico R-12 entrou em serviço da União Soviética. O míssil ficou em prontidão de combate até 1990, quando os mísseis dessa classe foram destruídos de acordo com o Tratado INF.

    Sputnik revelou a história desses mísseis que poderiam ter mudado o rumo da história.

    O R-12 a combustível líquido foi baseado no míssil R-5M, que entrou no serviço das Forças Armadas soviéticas em 1955 e que é considerado o primeiro míssil soviético de médio alcance. Entretanto, o abastecimento e preparação para o lançamento do R-5M levava várias horas – era um dos pontos fracos desse míssil.

    Fotografia de um agente da CIA de um míssil com ogiva nuclear R-12 de médio alcance durante a parada militar na Praça Vermelha em Moscou
    Fotografia de um agente da CIA de um míssil com ogiva nuclear R-12 de médio alcance durante a parada militar na Praça Vermelha em Moscou

    O R-12 era um míssil mais avançado de um estágio com uma ogiva simples separável e com motores a jato de quatro câmaras. Com uma ogiva de potência 2,3 megatons e uma margem de erro circular de cinco quilômetros, o míssil era capaz de atingir alvos não protegidos com uma área de até 100 quilômetros quadrados.

    O complexo com o R-12 foi o primeiro sistema estratégico com componentes do combustível armazenáveis e sistema de controle totalmente autônomo. O míssil R-12 foi criado para um sistema de lançamento terrestre aberto. Em 1959 foram realizados lançamentos experimentais de mísseis a partir de silos fortificados que receberam o nome Dvina. Os primeiros regimentos com R-12 de baseamento terrestre foram posicionados em serviço em maio de 1960, enquanto um regimento com o sistema em silos fortificados entro em serviço em janeiro de 1963.

    Argumento da Guerra Fria

    O R-12 poderia ter tido seu batismo de fogo em Cuba. No âmbito da operação secreta Anadyr, a União Soviética planejava enviar e instalar secretamente em Cuba unidades militares, 24 lançadores de mísseis e 36 mísseis R-12, bem como 16 lançadores e 25 mísseis R-14. O potencial nuclear das forças instaladas atingiria 70 megatons em um lançamento.

    Em 9 de setembro de 1962, ao porto cubano de Cacilda chegaram os seis primeiros R-12 e em 15 de setembro mais oito mísseis. Em 4 de outubro, no porto de Mariel atracou o navio mercante Indigirka que transportava 160 ogivas nucleares, incluindo 60 ogivas para mísseis R-12 e R-14, 12 ogivas para mísseis Luna e 80 ogivas para mísseis de cruzeiro. Além disso, o navio transportava seis bombas aéreas e quatro minas navais. No total, a 51ª divisão de mísseis (divisão criada para instalar mísseis em Cuba) recebeu 36 mísseis R-12 e seis falsos R-12, 36 ogivas com cargas nucleares para os R-12 e 24 ogivas com cargas nucleares para os R-14.

    Em 14 de outubro, durante o primeiro voo de vigilância dos EUA sobre Cuba, um avião americano U-2 fotografou as posições dos mísseis balísticos. A análise revelou que o esquema de posicionamento das plataformas de lançamento e dos sistemas de manutenção era igual ao usado na União Soviética. O oficial soviético Oleg Penkovsky, que colaborava com as inteligências dos EUA e do Reino Unido, ajudou Washington a identificar os mísseis, tendo antes entregue um catálogo secreto com fotos dos principais mísseis soviéticos. Dois dias depois, o então presidente dos EUA John Kennedy foi informado sobre os mísseis soviéticos instalados em Cuba, o que marcou o início da Crise do Caribe.

    Até 27 de outubro, os R-12 soviéticos instalados em Cuba ficaram prontos para realizar um ataque nuclear contra os EUA. Embora os mísseis tivessem chegado a Cuba em 9 de setembro, eles foram detectados apenas um mês depois. Além disso, os EUA continuavam sem saber o número exato dos mísseis e das ogivas nucleares.

    Ao instalar os R-12 em Cuba, a União Soviética atingiu quase todos os seus objetivos militares e políticos definidos para aquela época. Em troca da retirada dos mísseis, os EUA iniciaram as negociações sobre o desarmamento das bases próximas das fronteiras soviéticas. Como resultado, até ao final de 1963 os americanos retiraram todos os mísseis Thor e Jupiter da Europa Ocidental e Turquia. Além disso, a Casa Branca anunciou publicamente a rejeição dos planos para derrubar militarmente o governo de Castro em Cuba, o que aumentou em muito o prestígio internacional da União Soviética.

    A partir de 1976, os mísseis R-12 e R-12U começaram a ser substituídos gradualmente por sistemas de mísseis Pioner. De acordo com o Tratado INF, assinado em 1987 pela então União Soviética e pelos Estados Unidos, todos os mísseis R-12 deveriam ser destruídos, o que aconteceu pouco depois de 1989.

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    Tags:
    guerra nuclear, armas nucleares, míssil balístico, Cuba, EUA, União Soviética
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