17:03 09 Dezembro 2018
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    Exercícios táticos de unidades de artilharia e de reconhecimento das tropas de desembarque na região de Primorie, Rússia (foto de arquivo)

    Lutar até o fim: 5 combates desiguais em que militares russos conseguiram o impossível

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    Mesmo com grandes forças e um bom plano de ação, as grandes ofensivas nem sempre correm dentro do planejado. O analista militar Andrei Kots recorda cinco casos na história russa em que pequenas subunidades enfrentaram inimigos que tinham uma esmagadora vantagem numérica.

    Dois contra uma esquadra

    Uma das batalhas mais excepcionais na história da Marinha russa durante a Primeira Guerra Mundial foi a batalha entre as canhoneiras Sivuch II e Koreets II com uma esquadra alemã no golfo de Riga (mar Báltico) em 6 de agosto de 1915. As embarcações russas literalmente deram de cara com um cruzador e dois contratorpedeiros alemães ao anoitecer, mas não tinham ordens para atacar e tentaram escapar aos perseguidores.

    Porém, os navios inimigos eram mais rápidos, alcançaram as canhoneiras e abriram fogo. Pouco depois, a Sivuch foi danificada. Cobrindo o navio em retirada, a Koreets atacou de frente o cruzador alemão e destruiu seu holofote, fazendo com que o campo de batalha mergulhasse na escuridão.

    Quando a luz foi concertada, os alemães viram a silhueta da canhoneira Sivuch mas a tomaram por um cruzador russo e chamaram reforços. Em 20 minutos, ao local chegaram mais sete contratorpedeiros alemães e dois encouraçados que não se tardaram a disparar contra o navio russo. A Sivuch resistiu heroicamente durante meia hora e até danificou o cruzador e um contratorpedeiro inimigos. A canhoneira acabou sendo destruída de perto, mas a Koreets conseguiu sair da batalha e se livrar dos perseguidores.

    Dois meses de resistência

    A batalha pela chamada Casa de Pavlov, em Stalingrado, é um dos símbolos da Grande Guerra pela Pátria (parte da Segunda Guerra Mundial, compreendida entre 22 de junho de 1941 e 9 de maio de 1945, e limitada às hostilidades entre a União Soviética e a Alemanha nazista e seus aliados). Em 1942, um pequeno destacamento soviético defendeu este prédio durante dois meses dos ataques alemães. O edifício foi batizado assim em homenagem ao sargento Yakov Palvov que, junto com o tenente Ivan Afanasiev, comandou o destacamento de 31 soldados.

    Graças à resistência desta subunidade, os alemães não conseguiram conquistar os outros andares do prédio, apenas o térreo. Nem os tanques nazistas conseguiram ajudar: os soldados soviéticos repeliram com sucesso seus ataques com fuzis antitanque e morteiros. Após dois meses de defesa, os soldados soviéticos tiveram apenas três baixas mortais, mas quase todos ficaram feridos. Entretanto, os alemães sofreram centenas de perdas mortais.

    12 ataques repelidos

    Outro exemplo do heroísmo demonstrado por militares russos ao se defenderem foi o combate pelo monte 3234, travado por paraquedistas do 345º Regimento de Paraquedistas Independente da Guarda na Guerra do Afeganistão de 1979-1989. Durante 10 horas de combate, 39 soldados e oficias soviéticos repeliram 12 assaltos de um grupo de 400 rebeldes armados mujahidin e comandos paquistaneses, perdendo apenas seis militares.

    O inimigo não conseguiu romper a defesa em nenhum trecho, apesar de se ter aproximado por várias vezes à distância de 25-30 metros. Quase todos os soldados russos no fim da batalha estavam feridos, mas não deixaram o monte até pela estrada que defendiam ter passado o último comboio com ajuda humanitária em direção à cidade de Khost.

    Soldados de ferro

    A batalha pelo monte 776, em 2000, se tornou um dos momentos mais trágicos da Segunda Guerra da Chechênia, quando 90 paraquedistas russos enfrentaram uma força de 2,5 mil militantes. Fugindo do exército russo, os rebeldes queriam se esconder nas montanhas, mas acabaram encontrando pela frente a posição da 6ª companhia do 104º Regimento de Paraquedistas.

    O primeiro dia do combate levou a vida de 31 soldados russos. O confronto voltou a se iniciar de noite e de madrugada os rebeldes conseguiram alcançar as trincheiras dos russos. Ao entender que não havia outra solução, o comandante da 6ª companhia contatou com a artilharia do regimento e coordenou o fogo das peças contra a sua posição.

    Somente seis militares russos sobreviveram nesta batalha desigual, mas a companhia eliminou cerca de 500 militantes. Além disso, os soldados impediram a passagem ao inimigo e ganharam tempo até chegarem forças de reserva.

    Quando a preparação vale mais que a quantidade

    Na primavera de 2017, 16 militares das Forças de Operações Especiais russas repeliram um ataque de centenas de jihadistas na província síria de Aleppo. As forças especiais por vários dias tinham estado realizando uma missão de reconhecimento na área, detectando edifícios capturados por terroristas, pontos de apoio e seus armazéns de munições e transmitindo essas informações para a aviação. Depois de vários ataques aéreos contra as posições dos terroristas, os combatentes detectaram a posição do coordenador de apoio de fogo e enviaram um batalhão de infantaria motorizada para eliminar o grupo.

    Quando foram atacados pelos terroristas, os elementos das Forças de Operações Especiais russas usaram com êxito sistemas de mísseis antitanque e eliminaram rapidamente os veículos blindados inimigos, enquanto seus atiradores especiais e metralhadoras varreram a infantaria. Os militantes tiveram que recuar, os militares russos não sofreram quaisquer perdas.

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    Tags:
    canhoneira, inimigo, combate, batalha, Segunda Guerra Mundial, Primeira Guerra Mundial, Alemanha, Chechênia, Afeganistão, URSS, Rússia
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