10:34 15 Dezembro 2018
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    Sistema de mísseis balísticos RS-24 Yars

    Especialista explica como Moscou pode neutralizar ameaça nuclear dos EUA

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    Para neutralizar completamente a ameaça dos mísseis balísticos de médio alcance americanos na Europa, a Rússia precisa de desenvolver o componente móvel das suas Forças Estratégicas de Mísseis, acredita um especialista.

    Depois de analisar os pontos fortes e fracos dos mísseis de médio alcance, tanto balísticos quanto de cruzeiro, o especialista militar Konstantin Sivkov, vice-presidente da Academia Russa de Ciências de Mísseis e Artilharia, concluiu que seu uso contra complexos de mísseis móveis é pouco eficiente.

    Assim, disse o analista em seu artigo para o jornal Voenno-promyshlenny kuryer (Correio Militar-Industrial, em russo), são precisas várias medidas para aumentar a capacidade móvel das Forças Estratégicas de Mísseis da Rússia.

    Primeiro, assinala o autor, com o aparecimento de algum tipo de ameaça é necessário introduzir o constante patrulhamento aéreo com o número máximo de caças-bombardeiros estratégicos, e, ao mesmo tempo, aumentar radicalmente o sistema de baseamento da aviação estratégica graças à criação de aeródromos de escalonamento nos aeroportos civis.

    Segundo, caso a tensão cresça, uma das medidas efetivas poderia ser o envio de todos os submarinos de mísseis que sejam adequados para o patrulhamento militar.

    Em seguida, acredita autor, é indispensável preparar uma rede de itinerários para os complexos de mísseis estratégicos, como os Topol-M e Yars, para os tempos de guerra, pois hoje em dia, de acordo com o tratado de mísseis START, tais deslocações são rigorosamente regulamentadas.

    Quanto aos complexos baseados em silos, tais como o R-36TTKH ou o Sarmat que está em construção, o especialista propôs aumentar a defesa antiaérea e os meios de guerra eletrônica nas áreas das suas instalações, com a finalidade de defendê-las melhor.

    Além disso, acredita Sivkov, é necessário prestar atenção à ideia de restabelecer os complexos ferroviários de mísseis para aumentar a mobilidade dos mísseis estratégicos russos de classe média e pesada. Ao mesmo tempo, o especialista destacou a desenvolvida rede fluvial russa, o que, em sua opinião, permitirá usar embarcações especiais como portadores de mísseis.

    Mais uma medida eficaz seria o aumento da frota de aviões com Sistema Aéreo de Alerta e Controle, opina Sivkov, acreditando que hoje em dia o número de tais aeronaves no parque russo é insuficiente.

    "Tudo o mencionado, sem dúvida, vai custar caro. Mas a defesa da soberania nacional e a proteção contra as ameaças do Ocidente é uma causa que não é barata em sua essência. Por outro lado, as despesas com uma resposta assimétrica, de qualquer jeito, parecem muito menores e, o mais importante, mas eficientes que as com a [resposta] espelhada", concluiu o especialista.

    Recentemente, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que os EUA não planejam observar o Tratado INF, por Moscou alegadamente o violar, e sairiam do acordo. O líder estadunidense também informou que Washington iria desenvolver seus armamentos nucleares.

    Enquanto isso, o porta-voz do presidente russo, Dmitry Peskov, afirmou que o abandono do Tratado INF levaria a Rússia a empreender medidas para garantir sua segurança.
    Ao longo dos últimos anos, Moscou e Washington se acusam mutuamente de violar o Tratado INF. A Rússia tem sublinhado muitas vezes que observa rigorosamente suas obrigações, tendo o chanceler Sergei Lavrov afirmado que Moscou tem ela própria sérias perguntas a fazer a os EUA quanto à sua observação do acordo.

    Em particular, o Kremlin aponta as atividades militares dos EUA no terreno, por exemplo, na base militar na Romênia, bem como na Polônia, inclusive em relação à instalação de complexos capazes de lançar mísseis como os Tomahawk (o que é proibido pelo tratado). A parte russa também chama atenção ao fato dos EUA desenvolverem drones de assalto e financiarem as pesquisas para criar um míssil de cruzeiro de baseamento terrestre.

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    Tags:
    Tratado INF, acordo nuclear, RS-28 Sarmat, Konstantin Sivkov, EUA, Rússia
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