16:18 16 Novembro 2018
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    Lançamento de míssil balístico intercontinental russo de tipo RS, a partir do cosmódromo de Baikonur, Cazaquistão

    200 Hiroshimas: qual era poder destrutivo de mísseis intercontinentais soviéticos

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    Elevado nível de confiabilidade, lançamento a frio, boa precisão e quatro ogivas com potência conjunta de três megatons – eis as caraterísticas dos mísseis soviéticos do tipo RS-16 que possuía a URSS desde os anos 1970. Em que etapa de evolução estavam esses mísseis e de que era capaz cada versão dessa classe?

    O especialista militar russo Andre Kots revela em detalhes que capacidades tinham essas armas e que avanços obtiveram com o decurso de tempo.

    Mísseis balísticos com ogivas múltiplas

    O foguete de combustível líquido (RS-10) que entrou em serviço em 1966 é o míssil balístico intercontinental mais produzido em toda a história da Força Estratégica de Mísseis (soviética e, em seguida, russa). O principal objetivo que tinham os criadores deste míssil era reduzir o tempo entre a ordem de lançamento e o arranque propriamente dito. Para isso os engenheiros soviéticos conseguiram determinar e tornar realidade as caraterísticas atualmente são consideradas necessárias para todos os mísseis de combustível líquido. Seus avanços levaram a que esse intervalo fosse minimizado até três minutos.

    No seu tempo, o RS-10 era um míssil eficaz, potente e preciso. Podia lançar ogivas leves (0,5 megatons) e pesadas (1,1 megatons) à distância de 10,6 mil e cinco mil quilômetros respectivamente. No entanto, nos anos 1960 na área da defesa apareceram os primeiros sistemas de defesa antimíssil, capazes de interceptar ogivas isoladas.

    Em seguida, os EUA e a URSS começaram desenvolvendo o Míssil de Reentrada Múltipla Independentemente Direcionados, ou seja, um míssil balístico capaz de portar múltiplas ogivas que podem ser orientadas independentemente.

    O desenvolvimento de um novo míssil balístico intercontinental foi iniciado em agosto de 1970 e já em 1975 ele entrou em serviço do exército soviético. O novo RS-16А era muito parecido ao míssil anterior, em termos de suas caraterísticas, portanto não houve necessidade de construir novos silos para esses mísseis.

    Exemplares de mísseis balísticos de 1ª geração exibidos no centro científico da Academia Militar das Tropas de Mísseis Estratégicos, Rússia
    © Sputnik / Valery Melnikov
    Exemplares de mísseis balísticos de 1ª geração exibidos no centro científico da Academia Militar das Tropas de Mísseis Estratégicos, Rússia

    O novo míssil era equipado com quatro ogivas com capacidade de entre 0,5 e 0,75 megatons cada. Assim, ao efetuar um só lançamento a Força Estratégica de Mísseis soviética era capaz de criar 200 Hiroshimas ao inimigo, especialmente considerando o fato que o alcance do míssil — 10-11 mil quilômetros — seria suficiente para atingir qualquer cidade norte-americana.

    Lançamento a frio

    Outro avanço revolucionário era o chamado lançamento a frio. Se o míssil anterior começava a consumir combustível antes de ser lançado, o motor do novo modelo entrava em funcionamento só depois do lançamento, o que permitia reduzir significativamente os gastos de combustível. Ademais, foi esse invento que permitiu lançar mísseis balísticos desde submarinos.

    Para continuar a par com o tempo, em 1976 a URSS começou desenvolvendo um míssil da série "cem" modernizado, o R-16B, com caraterísticas táticas e técnicas aperfeiçoadas. A aparência do novo míssil era muito semelhante à de seu predecessor. Não obstante, suas capacidades de combate o superavam significativamente em aproximadamente 1,5-2,5 vezes.

    Em particular, o novo míssil balístico foi equipado com um sistema de controle melhorado e com um nível de confiabilidade mais alto. Ademais, novas ogivas foram instaladas e a precisão de míssil também foi dobrada. O sistema de controle era autônomo e inercial, capaz de alterar a pontaria antes do lançamento.

    Ao mesmo tempo, vale destacar que o sistema de pontaria autônoma de bordo Meridian permitia aos R-16B serem lançados e iniciarem a trajetória predeterminada após ocorrer uma explosão nuclear perto da posição de lançamento. Isso, por sua vez, aumentou significativamente as chances de sobrevivência dos sistemas de mísseis em caso de primeiro ataque do adversário.

    O R-16B foi unificado ao máximo com o míssil R-16A para simplificar a sua substituição.

    Mísseis balísticos intercontinentais de combustível líquido RS-16
    Mísseis balísticos intercontinentais de combustível líquido RS-16

    No total foram fabricados 150 mísseis balísticos intercontinentais RS-16 de ambas as modificações. Nos anos 1990, esse tipo de míssil terminou seu serviço no exército soviético devido ao prazo de funcionamento ter expirado.

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    Tags:
    capacidade militar, defesa, míssil balístico intercontinental, ogiva nuclear, avanço, URSS, Rússia
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