23:19 17 Novembro 2018
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    Caça norte-americano F-35 cumprindo missão

    Analista militar estadunidense revela razões ocultas por trás das falhas do caça F-35

    CC BY 2.0 / Forsvarsdepartementet / Lockheed Martins F-35
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    Há pouco, todos os voos dos aviões F-35 nos EUA, Israel e Reino Unido foram suspensos até serem resolvidas as causas do primeiro acidente envolvendo a sofisticada aeronave. Um especialista em assuntos de aviação explica os motivos das constantes deficiências técnicas da aeronave.

    Os militares dos EUA alegaram ter encontrado o problema em um F-35B — um tubo de combustível — e começaram a inspeção de todas as aeronaves da série, receando que corressem o risco de sofrer um acidente semelhante.

    No entanto, esta falha não é nem a primeira nem a única na família destes caças de 5ª geração, o projeto militar mais caro da história, já que estes caças têm tido problemas com a interface no capacete do piloto, os pneus que se desgastam rapidamente, o suprimento de oxigênio para o piloto e muitos outros.

    Problemas no sistema governamental

    Do ponto de vista do Pentágono, tudo o que está acontecendo com o F-35 faz parte do período de testes, já que a aeronave não tem ainda o status de projeto finalizado.

    No entanto, de acordo com vários especialistas no campo da aviação militar, os problemas vão além de um desenho imperfeito ou da tentativa de combinar três funções diferentes em um avião.

    Entre eles, se destaca Pierre Sprey, assistente especial do secretário de Defesa e analista militar, famoso crítico do projeto dos F-35 e simpatizante de uma filosofia de desenho aeronáutico diferente. Em uma conversa com a Sputnik Internacional, ele destacou que os problemas atuais do setor militar estadunidense têm origem em primeiro lugar na "corrupção inerente" à indústria bélica do país.

    Assim, o especialista, conhecido por sua considerável influência sobre o desenho das duas aeronaves estadunidenses bem sucedidas, o F-16 e o A-10, considera que os problemas atuais do F-35, e também de outros dispendiosos projetos de armamento, são uma "consequência da forma como o sistema de aquisição de componentes funciona".

    "O problema fundamental é muito simples: [nos EUA] permitimos que os generais de todos os ramos das Forças Armadas continuem trabalhando nas empresas empreiteiras da área da defesa, uma vez terminadas suas carreiras militares", disse ele.

    Basicamente, se permite que as pessoas responsáveis pela compra de armas e com influência sobre o que se deve adquirir se tornem funcionários de empresas que fabricam essas mesmas armas.

    Segundo Sprey, cerca de 90% dos generais americanos ligados a aquisições aeronáuticas acabam trabalhando para um empreiteiro de defesa. Enquanto houver incentivos deste tipo em uma área cheia de dinheiro, "será impossível para a nação ter uma Força Aérea decente e eficaz" nesse sistema, acredita o analista.

    Sprey ressaltou que as empresas do setor militar frequentemente contratam linhas de produção para componentes "em todo o país", em vez de promoverem um tipo razoável de centralização.

    Ele diz que isso é uma maneira de influenciar os congressistas desses estados para que apoiem decisões que beneficiem o setor militar.

    Como resultado, muitos subcontratados com níveis mais baixos de experiência e qualidade são responsáveis pela fabricação de peças sofisticadas. Se isso acontece com muitos componentes, o risco de receber peças defeituosas aumenta, sem que o empreiteiro geral ou o Pentágono consigam controlar o que se passa.

    Problemas do próprio desenho

    Depois de criticar os procedimentos de aquisição adotados nos EUA, Sprey reiterou suas principais críticas ao conceito original do F-35.

    "A ideia de uma 'navalha suíça voadora' é como combinar uma chave de fenda, uma serra e um martelo em uma ferramenta. É óbvio que nenhuma das três tarefas será bem realizada", diz ele.

    Concebido como um avião furtivo polivalente com foco no ataque ao solo, o F-35 "é pior" do que o veterano A-10 para esta tarefa, assegura o especialista.

    Sprey explica que, para apoiar as tropas terrestres, uma aeronave desta classe deve poder se lançar em meio do combate para atacar os inimigos. Se um F-35 fizer isso, sua 'invisibilidade' será nula e algum sistema de defesa aérea próxima irá derrubá-lo.

    Assim, o avião se vê forçado a confiar em seus sensores e câmeras para realizar ataques de alta precisão a partir de distâncias enormes. Esse é um método imperfeito que "causará a morte de soldados americanos", adverte.

    As capacidades furtivas também limitam a carga útil da aeronave, de modo que seu papel como bombardeiro tático também fica reduzido. E se ele carregar todo o seu arsenal, então, não é mais tão "invisível" para os os radares inimigos.

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    Tags:
    aviação militar, caça, F-16, F-35, Lockheed Martin, Força Aérea dos EUA, Pentágono, Israel, EUA
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