23:37 19 Setembro 2018
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    Bombardeiro Tu-22 (foto de arquivo)

    'Ameaça mortal': Por que analistas da OTAN temiam tanto este avião?

    © Sputnik / N. Verinchuk
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    Há 60 anos, em 21 de junho de 1958, a URSS adquiriu um argumento sério no confronto com a OTAN ao se realizar o primeiro voo do "aparelho 105", que quatro anos depois foi adotado em serviço sob o nome Tu-22.

    Durante muito tempo estes bombardeiros portadores de mísseis de longo alcance desempenharam o papel de "longo braço" da Força Aérea soviética e russa. Hoje em dia, seus sucessores Tu-22M3 continuam servindo no exército russo.

    Pesado e veloz

    O desenvolvimento do Tu-22 supersônico se iniciou em 1955. Estes aparelhos deveriam substituir os bombardeiros Tu-16, que já não eram capazes de ultrapassar eficazmente os sistemas de defesa antiaérea do provável adversário. O país precisava de um bombardeiro rápido, manobrável e universal. Vale destacar que naquela época nem a URSS, tampouco os EUA, dispunham de arsenal de mísseis balísticos intercontinentais, fazendo com que as duas superpotências considerassem a aviação de longo alcance como principal meio de transporte de armas nucleares.

    Por seu aspecto, com o característico "nariz" aguçado, os pilotos soviéticos apelidaram o avião de "sovela". Graças a seu "coração" – dois motores turbojato RD-7M2, o Tu-22 era capaz de atingir uma velocidade de até 1.600 km/hora, o que naquela época era comparável à dos caças a jato. O alcance máximo de voo à velocidade subsônica do avião correspondia a 4.400 quilômetros, enquanto à velocidade supersônica era de 1.560 quilômetros.

    O Tu-22 era capaz de atacar um potencial adversário com até nove toneladas de carga útil. Bombas aéreas de queda livre eram sua arma principal. Contudo, não seria justo considerar esta aeronave como um simples portador de bombas. Os engenheiros soviéticos elaboraram várias modificações do Tu-22 destinadas a diferentes missões: o bombardeiro Tu-22B, o avião de reconhecimento Tu-22R/RD e o portador de mísseis Tu-22K/KD, equipado com os melhores mísseis antinavio daquela época – os Kh-22 Burya, capazes de portar uma carga explosiva cumulativa ou uma termonuclear, o que permitia ao Tu-22 combater de forma eficaz até mesmo contra os maiores navios da OTAN.

    'Maturidade' difícil

    A chegada à "maturidade" do Tu-22 não foi fácil. Demorou bastante tempo para ele aprender a voar bem. De 1958 a 1991 a Força Aérea soviética perdeu em vários incidentes 70 aviões dos 311 de série (ou seja, 20% de toda a frota).

    Durante sua exploração também foram reveladas várias falhas: a instalação dos motores sobre a empenagem dificultava o controle da aeronave em velocidades supersônicas. A oscilação dos chassis preocupava os pilotos durante a decolagem e aterrissagem, devido à complexidade de construção, os preparativos para o voo de um Tu-22 podiam demorar meio dia.

    Nem todos os pilotos aprenderam a lidar com esta aeronave caprichosa. Somente os mais experientes tornaram-se comandantes de tripulações e podiam despoletar todo o potencial do Tu-22.

    No fim das contas o bombardeiro superou este estágio. Em caso de uma terceira guerra mundial, a aeronave deveria atacar as forças da OTAN na Europa. Entre 1970 e 1980 os aviões Tu-22 participaram de todos os treinamentos militares de grande escala no oeste da URSS. Uma importância especial foi dada às manobras a altitudes baixas e extremamente baixas, bem como à tática de proteção de grupos de ataque por meio de aviões de guerra eletrônica.

    Avião furtivo

    A estreia em combate do avião ocorreu em 22 de setembro de 1980. Quatro aviões iraquianos lotados de bombas aéreas explosivas FAB-500 fizeram desaparecer da face de terra o aeroporto de Mehrabad, situado perto de Teerã. Posteriormente, Bagdá utilizava ativamente Tu-22 para efetuar ataques contra alvos no Irã, tendo perdido somente 4 aviões dos 12 que possuía.

    A elevada sobrevivência do avião devia-se a seus meios avançados de guerra eletrônica, entre eles, às estações de interferências ativas. Sendo assim, mesmo quando os caças iranianos conseguiam alcançar um Tu-22, não eram capazes de orientar os mísseis contra ele.

    O Tu-22 era praticamente invulnerável para interceptores e meios de defesa antiaérea do adversário.

    Em 1983, um bombardeiro soviético se perdeu no caminho e por engano violou o espaço aéreo iraniano. No âmbito das manobras, o piloto mantinha ligados todos os meios de guerra eletrônica. Para sua intercepção, o Irã colocou no ar caças F-14 de fabricação norte-americana, que não conseguiram cumprir sua missão. No caminho de volta, o Tu-22 "deu uma espiada" ao espaço aéreo do Afeganistão, de onde também consegui sair são e salvo, apesar das tentativas de intercepção, e voltou ao seu aeródromo.

    Futuro promissor

    Na Rússia, o último voo do Tu-22 ocorreu em 1994. Ao longo de trinta anos, os bombardeiros soviéticos se tornaram uma arma temível, considerada por analistas da OTAN como uma das aeronaves mais perigosas da frota soviética. A experiência, que custou a vida de muitos pilotos, contribuiu para a construção do portador de mísseis supersônico Tu-22M.

    Sua versão mais moderna, Tu-22M3, realizou repetidamente ataques contra alvos terroristas na Síria. A modificação promissora M3M, cujo desenvolvimento ainda está em curso, será capaz de utilizar os novíssimos mísseis Kh-32, adotados em serviço em 2016. Sendo assim, o bombardeiro Tu-22, com um passado muito difícil, deixou depois de si um sucessor de mérito.

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    Tags:
    Tu-22, URSS, Rússia
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