15:39 24 Junho 2018
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    Bombardeiros estratégicos russos Tu-22M3

    'Assassino de porta-aviões': como Tu-22M3 modernizado pode ameaçar a Marinha dos EUA?

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    A modernização do bombardeiro supersônico russo Tu-22M3 significa o regresso da "maldição" para a Marinha dos EUA, segundo a mídia norte-americana.

    Rearmado e perigoso

    A fábrica de aviões de Kazan, depois de anunciar seus planos de lançar a versão modernizada Tu-22M3, planeja aperfeiçoar 40 aeronaves do tipo. Especialistas planejam aprimorar o recurso dos bombardeiros, atualizar a parte interna dos sistemas eletrônicos, bem como sistemas de pontaria e de navegação.

    Vale destacar que o novo Tu-22M3 será dotado de um equipamento de alta precisão – míssil antinavio Kh-32, colocado em serviço da Marinha russa em 2016.

    O novo míssil difere de seu "antecessor" Kh-22 por seu novo sistema de pontaria, protegido de interferências eletrônicas, tanques com capacidade de volume aumentado, bem como por um motor mais potente e econômico. 

    Voo íngreme mortal 

    O míssil hipersônico Kh-32 voa a uma altitude de 40 quilômetros, ou seja, supera a zona de ação de qualquer sistema de defesa antimíssil naval, e finaliza o ataque com um voo íngreme. A velocidade do míssil supera quase duas vezes a dos mísseis norte-americanos Standart Missile 6 da classe "navio-ar". Dependendo da missão, o Kh-32 é capaz de transportar uma ogiva cumulativa altamente explosiva e uma nuclear. O Tu-22M3M é capaz de portar três projéteis do tipo.

    De acordo com o analista militar, Konstantin Sivkov, é praticamente impossível interceptar o portador de mísseis já que o alcance do projétil corresponde a cerca de mil quilômetros, enquanto o raio de intercepção de aviões embarcados é limitado a 400 quilômetros. 

    "Caso os caças inimigos patrulhem a área, este alcance aumenta em até 600 quilômetros, o que também é insuficiente", explicou Sivkov, acrescentando que a adoção em serviço dos aviões Tu-22M3M é uma ameaça séria para a Marina dos EUA.

    Os bombardeiros estratégicos já comprovaram sua alta eficácia ao longo das últimas décadas, ou seja, em missões no Afeganistão, Chechênia, Geórgia, Síria, e assim por diante. Entretanto, o bombardeiro ganhou sua fama por eliminar navios de guerra no mar, e então foi batizado de "assassino de porta-aviões".

    Falhas na doutrina

    É evidente que as aeronaves russas modernizadas Tu-22M3M não tornarão os porta-aviões dos EUA "indefesos". Os grupos de porta-aviões norte-americanos permanecerão sendo uma séria força equipados com sistemas de supressão radioeletrônica de alta eficácia, além do armamento de artilharia e de mísseis. Contudo, o potencial de combate, bom como as possibilidades de novos aviões russos abalarão suas capacidades defensivas. 

    Hoje em dia, uma ameaça adicional para porta-aviões dos EUA é representada por mísseis balísticos chineses Dongfeng, desenvolvidos especialmente contra este tipo de navios, indicou Konstantin Sivkov.

    "Tudo isso revela problemas sérios dos norte-americanos com estabilidade de combate de seus porta-aviões, que exigem novas formas e métodos de combate naval. Eles precisam reexaminar todo o conceito da 'grande frota de porta-aviões'", ressaltou o analista. 

    Vale recordar que os especialistas norte-americanos têm alertado sobre a diminuição da eficácia da doutrina nacional. Assim, após os anúncios dos testes bem-sucedidos do novíssimo míssil hipersônico russo Tsirkon, a proeminente revista norte-americana The National Interest previu aos porta-aviões dos EUA o destino de “alvos flutuantes”. De acordo com ele, a novíssima arma hipersônica justamente impedirá que os navios cheguem a uma distância suficiente para realizar ataques contra alvos costeiros, o que por sua vez, os tornará em brinquedos inúteis e muitos caros.

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    Bombardeiro, Tu-22M3, Marinha dos EUA, EUA, Rússia
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