11:38 17 Agosto 2018
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    T-72 durante o Biatlon de Tanques.

    Escudo soviético: armas russas que OTAN não pode descartar

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    As forças armadas polonesas acordaram com Washington a diminuição dos preços dos sistemas de defesa antiaérea americanos Patriot. A informação veio do ministro da Defesa polonês, Mariusz Blaszczak.

    Apesar do desconto alcançado, o total do negócio pode atingir 4,5 bilhões de dólares (R$ 14 bilhões), uma verba recorde para o Leste Europeu. Entretanto, é evidente que os membros da Aliança Atlântica não serão capazes de se livrar tão cedo do legado militar da URSS. A Sputnik apresenta a lista de armas soviéticas no serviço dos países da OTAN.

    Armas originais ou versão de base soviética? 

    O Pacto de Varsóvia (aliança militar entre países do Leste Europeu formada em 1955 e que deixou de existir em 1991) se dissolveu há 27 anos, mas o parque de tanques da República Tcheca, Eslováquia, Hungria, Romênia, Bulgária e ex-repúblicas da Iugoslávia até hoje é composto por tanques de combate T-55 e T-72 ou versões locais com base nos veículos soviéticos.

    Os tanques da OTAN estão apenas no serviço da Polônia – na primeira década de 2000, Varsóvia recebeu da Alemanha mais de 230 "leopardos" usados. Os poloneses afirmam ter um tanque de produção própria, PT-91 Twardy, mas, de acordo com especialistas, estas máquinas podem ser consideradas "polonesas" apenas condicionalmente.

    Tanque PT-91 Twardy
    © Sputnik / Stringer
    Tanque PT-91 Twardy

    "A Polônia diz que produz tanques próprios, mas todos entendem que o Twardy é um T-72 soviético que eles [poloneses] produziam sob licença. O T-72 se comportou muito bem em vários conflitos armados e os poloneses não querem abdicar dele", explicou à Sputnik o chefe do Centro de Conjuntura Estratégica, Ivan Konovalov.

    As peças soviéticas dominam também na artilharia dos países do antigo Pacto de Varsóvia: obuseiros autopropulsados 2S1 Gvozdika, 2S3 Akatsia e vários outros armamentos. A Bulgária, por exemplo, dispõe do maior "calibre" em mísseis: suas forças armadas contam com vários lançadores de mísseis táticos Tochka. Além do material militar já mencionado, os países do Leste Europeu têm centenas de veículos blindados de transporte de pessoal e de reconhecimento.

    Modernização bem pensada

    A defesa antiaérea está quase completamente equipada com sistemas russos. Em primeiro lugar, trata-se de S-125 e S-200. Os sistemas mais "recentes" estão na Bulgária e na Eslováquia, que conseguiram, graças ao Pacto de Varsóvia, receber da URSS uma divisão de S-300 cada uma. Apenas a Romênia tem hoje em dia sistemas importantes de mísseis antiaéreos dos EUA, MIM-23 Hawk. As capacidades de combate dos sistemas antiaéreos soviéticos suscitam dúvidas aos especialistas militares.

    "No que diz respeito aos sistemas de defesa antiaérea, de fato no Leste Europeu a maioria destes armamentos está armazenada", destacou o analista militar Viktor Murakhovsky, acrescentando que atualmente apenas a Grécia tem uma quantidade significativa de sistemas S-300 e Buk.

    Os sistemas antiaéreos de tropas terrestres no flanco oriental da OTAN estão em melhor estado. Trata-se dos sistemas 9K33 Osa, 2K12 Kub, ZSU-23-4 Shilka. E parece que a Europa do Leste ainda não está pronta para se despedir destes armamentos: em 2010 a Polônia começou a modernização dos Shilka, enquanto o sistema Osa está sendo adaptado para poder usar mísseis guiados antiaéreos alemães IRIS-T. A República Tcheca modernizou parte dos sistemas Kub para usarem mísseis antiaéreos italianos Aspide 2000.

    MiG-29 da Força Aérea da Bulgária
    © Foto : public domain
    MiG-29 da Força Aérea da Bulgária

    O ramo da aviação também está em declínio. Os "veteranos soviéticos" MiG-29, Su-22 e MiG-21 quase esgotaram seu tempo de vida útil. Pouco a pouco estão sendo substituídos por artigos "em segunda mão" da OTAN. Os mais populares são os aviões F-16, eles estão no serviço da Polônia e Romênia, a Bulgária esteve também discutindo a compra destes aviões de combate. O único país que conseguiu se livrar completamente dos aviões soviéticos é a Hungria, que recebeu em leasing 12 Saab JAS 39 Gripen suecos.

    Negócio de armamentos soviéticos bem ajustado

    "A necessidade obriga, eis por que a Europa do Leste continua usando armas soviéticas", disse à Sputnik o vice-diretor do Instituto de Análise Política e Militar, Aleksandr Kramchikhin.

    Na OTAN, continuou, este problema se resolvia assim: "Se têm dinheiro, comprem armas da OTAN, se não têm, fiquem com as soviéticas." Mas o processo de rearmamento é inevitável, dado ao fato de as armas soviéticas estarem esgotando seu tempo de vida, no entanto, tudo depende do tempo e meios para o processo de rearmamento.

    O Leste Europeu não se apressa em deixar de usar armamentos soviéticos por uma simples razão: nestes países funcionam mais de 350 fábricas que estão ajustadas pelos padrões soviéticos. Os segmentos mais desenvolvidos são a produção de munições e a manutenção, reparação e modernização de equipamento militar. A renúncia às armas soviéticas pode acabar com a indústria miliar dos ex-membros do Pacto de Varsóvia.

    A Europa do Leste faz todo o possível para manter a produção de equipamento soviético, considera Ivan Konovalov. Mas este fato não está ligado apenas à falta de recursos para o rearmamento. O analista frisou que, se aproveitado da situação instável nas zonas de conflito, inclusive na Síria, a Bulgária vendeu armamentos com bastante lucro.

    "A demanda por armas soviéticas é alta, porque elas continuam mostrando bons resultados", sublinhou Konovalov.

    Os analistas entrevistados ficaram perplexos aos serem perguntados sobre os prazos em que o Leste Europeu pode se livrar das armas soviéticas. Mesmo se os ex-aliados da URSS obtenham dinheiro, o processo de rearmamento pode durar anos, já que entre a assinatura de um contrato e a primeira entrega habitualmente passam cinco ou seis anos.

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    Tags:
    defesa, indústria militar, armas, T-72, Leopard, MiG-27, S-300, Leste Europeu, URSS, Rússia
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