03:15 22 Outubro 2018
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    Exercícios militares conjuntos entre Rússia e Paquistão Druzhba 2017

    Pressionado contra a parede: por que Paquistão precisa de armas russas?

    © Sputnik / Denis Abramov
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    Muito em breve, caças, tanques e sistemas de defesa antiaérea russos podem conquistar mais um país até recentemente pouco familiarizado com armamento de fabricação russa. No início da semana, o embaixador do Paquistão na Rússia, Qazi Mohammad Khalilullah, afirmou que seu país está disposto a reforçar colaboração militar com Moscou.

    No momento, especialistas da República Islâmica estão estudando o rico "cardápio" dos armamentos russos. Pelo visto, o pedido será grande, já que os norte-americanos abandonaram recentemente o mercado de armamentos paquistanês, que forneciam uma grande parte das armas de defesa a Islamabad. 

    Colaboração complicada

    A história da colaboração militar entre Rússia e Paquistão pode ser caracterizada como complicadíssima, que no século passado tinha um caráter limitado. Nas décadas de 50 e 60, os norte-americanos até alugavam bases aéreas paquistanesas para realizar atividade de reconhecimento contra a União Soviética. Quando as autoridades soviéticas descobriram este fato, o então secretário-geral do Partido Comunista da URSS, Nikita Khrushchov, chegou a prometeu a fazer o aeródromo paquistanês desaparecer da face da Terra. Graças a grandes esforços diplomáticos, as tensões entre Moscou e Islamabad foram suavizadas. 

    Ao longo do resto da história da URSS e do início do século XXI, épocas de amizade e colaboração no campo militar antecediam períodos de tensões. Assim, por exemplo, na época dos anos 80, Islamabad apoiou mujahidins afegãos na luta contra a URSS. 

    De 1996 a 2014, a Rússia forneceu ao Paquistão aproximadamente 70 helicópteros Mi-17, que ainda hoje fazem parte dos veículos de transporte da aviação do exército paquistanês.

    Além disso, em conformidade com contrato assinado em 2007, Moscou entregou ao Paquistão pela China motores de aviação RD-93, assegurando, assim, reequipamento de mais de cem aviões paquistaneses com motores russos avançados. 

    Aspecto indiano 

    Vale destacar a reação da Índia, sendo este país o maio competidor geopolítico do Paquistão e um dos principais compradores do armamento de defesa russo. Ainda em 2010, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, assegurou que seu país leva em consideração as preocupações de Nova Deli e que Moscou não busca reforçar a parceria no campo militar com Islamabad. Contudo, a Índia vem se mostrando cada vez mais exigente, solicitando não somente compra de armamentos, mas compartilhamento de documentação técnica e de segredos industriais. Nos últimos sete anos, Nova Deli vem chantageando seus parceiros comerciais para sair ganhando nas transações, sem contar nas ameaças de comprar o que precisa de outros países. 

    Em 2014, a Rússia e o Paquistão reiniciaram colaboração no campo militar. Em 2016, os países realizaram as primeiras manobras conjuntas Druzhba-2016 (Amizade-2016). Em 2017, Moscou forneceu a Islamabad quatro helicópteros Mi-36 e dois Mi-171. Além disso, os paquistaneses estão demonstrando interesse em helicópteros de transporte Mi-26, sistemas de artilharia, defesa antiaérea, projéteis guiados, e assim por diante. Ademais, vale destacar o interesse de Islamabad nos equipamentos militares russos que mostraram bons resultados na operação antiterrorista na Síria. 

    Exercícios militares conjuntos entre Rússia e Paquistão Druzhba 2017
    © Sputnik / Denis Abramov
    Exercícios militares conjuntos entre Rússia e Paquistão Druzhba 2017

    O especialista militar Andrei Frolov acredita que os contratos militares com o Paquistão dificilmente possam estragar as relações entre a Rússia e a Índia. Pelo contrário, há grandes chances de Nova Deli mudar seu posicionamento quanto a assuntos da colaboração militar e se mostrar mais disposta a compromissos, acrescenta. 

    Embargo dos EUA

    Não é por acaso que Moscou e Islamabad vêm mantendo negociações na esfera militar justamente agora. No início de janeiro, a porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Heather Nauert, afirmou durante briefing que Washington decidiu suspender o fornecimento de equipamento militar ao Paquistão, frisando que Islamabad não estaria aplicando "esforços suficientes para combater o movimento Talibã [organização terrorista proibida na Rússia em vários outros países] e o grupo terrorista Haqqani".

    Anteriormente, Donald Trump se expressou a favor de cessar assistência militar a Islamabad, afirmando que os paquistaneses "achavam que nossos presidentes são idiotas por terem dado asilo a terroristas que vínhamos caçando no Afeganistão".

    Militares paquistaneses (foto de arquivo)
    © AFP 2018 / Abdul Majeed
    Militares paquistaneses (foto de arquivo)

    O embargo dos EUA pode seriamente afetar as capacidades de defesa do Paquistão. Uma vez que tanques e caças são fornecidos ao país islâmico pela China e as armas de pequeno calibre são de países europeus, as empresas norte-americanas ocuparam fortes posições no mercado da República Islâmica de helicópteros de combate e mísseis antitanque. Quando os armazéns paquistaneses de munições e peças de reserva se esvaziarem, o país pode correr risco de ficar com um monte de “sucatas” inúteis e de observar como seu vizinho – Índia – continua reforçando músculos militares.

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    Tags:
    tensão, parceria, colaboração, EUA, Índia, Rússia, Paquistão
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