14:59 29 Setembro 2020
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    Há décadas há uma tradição de batizar operações militares com nomes codificados. No entanto, além de serem estranhas, tais designações muitas vezes não correspondem exatamente aos fins ou à natureza das operações que denominam. O canal RT escolheu alguns dos casos mais interessantes.

    Ramo de Oliveira

    No passado 20 de janeiro, a Turquia lançou na cidade síria de Afrin uma operação militar aérea e terrestre denominada Ramo de Oliveira contra as forças curdas. O objetivo declarado pelo Estado-Maior turco é impedir a formação de um exército terrorista na fronteira turca. O Exército Livre da Síria, que combate as forças governamentais sírias, juntou-se à ofensiva turca, enquanto as tropas de Bashar Assad condenaram a "agressão brutal", considerando a incursão como parte do apoio da Turquia ao terrorismo.

    Se levarmos em consideração que se trata de uma invasão militar do território de uma nação soberana, que os curdos recebem apoio dos Estados Unidos e que as ações de Ancara ameaçam desencadear um conflito militar com Washington, é lógico perguntar o que pode ter em comum esta operação com um ramo de oliveira, o símbolo mundial de paz, escreve o RT.

    Liberdade Duradoura

    Depois dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, o então presidente norte-americano George W. Bush declarou "a guerra contra o terrorismo" e lançou a Operação Liberdade Duradoura (Operation Enduring Freedom, em inglês), que deveria abranger Afeganistão, Iraque, Paquistão, Somália, Iêmen, Indonésia e Filipinas.

    Apesar do nome promissor e dos enormes gastos (a Escola de Governo John F. Kennedy da Universidade Harvard estimou que os conflitos no Iraque e Afeganistão custaram a Washington entre 4 e 6 bilhões de dólares), a operação começou com a invasão do Afeganistão, passando posteriormente pelo Iraque e Líbano, provocando centenas de milhares de mortes e milhões de deslocados, na maioria muçulmanos.

    Acordo de Liberdade

    A Operação Acordo de Liberdade (Freedom Deal, em inglês), não resultou em nenhum acordo nem trouxe liberdade. No âmbito desta campanha, que decorreu entre 1970 e 1973, durante a Guerra do Vietnã, a Força Aérea norte-americana lançou uma série de bombardeamentos massivos na parte oriental do Camboja, especialmente na cidade de Phnom Penh. A campanha aérea teve por objetivo deter o avanço das forças guerrilheiras cambojanas do Partido Comunista do Kampuchea, conhecidas como Khmers Vermelhos.

    Apenas em 1973, os bombardeiros B-52 lançaram cerca de 250 mil toneladas de explosivos sobre o Camboja, superando as 180 mil toneladas lançadas sobre o Japão durante a Segunda Guerra Mundial. O número de vítimas da operação, segundo várias estimativas, foi de entre 50 e 150 mil pessoas. Em abril de 1975, os Khmers Vermelhos tomaram o poder no país.

    Unhas do Pé, Drácula e outros

    O nome incomum Unhas do Pé (Operation Toenails, em inglês), foi dado a uma operação dos Aliados contra o Japão durante a Segunda Guerra Mundial entre junho e outubro de 1943. A campanha é conhecida também como a Campanha da Nova Geórgia, mas não se sabe por que recebeu um nome de código tão estranho.

    Entre outras operações, cujos nomes poderiam causar confusão tanto entre as tropas inimigas como entre os estudiosos da história, cabe destacar a Operação Drácula, que não decorreu na Transilvânia, mas sim na Birmânia, onde os Aliados lançaram em 1945 uma ofensiva contra o Japão. Outro exemplo é a Operação Satânica, o bombardeio do navio Rainbow Warrior (Guerreiro do Arco-íris) da organização Greenpeace, levado a cabo pela França na Nova Zelândia em resposta aos protestos da organização contra um teste nuclear francês que devia ser realizado no oceano Pacífico.

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    Tags:
    operações militares, armas, vítimas, Turquia, Iraque, Afeganistão, Síria, EUA, Japão
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