09:15 17 Janeiro 2018
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    Peça de artilharia autopropulsada Msta-S

    Vaga de fogo: como funcionam táticas de artilharia mais demolidoras

    © Sputnik/ Yegeny Biyatov
    Defesa
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    Um muro de explosões potentes se ergue perante o adversário e avança gradualmente em profundidade, varrendo e triturando tudo em seu caminho. As munições de grande calibre não param de cair, preparando o terreno para o lançamento do último ataque contra o inimigo...

    Tudo isso é artilharia, cujos melhores métodos táticos são recordados neste artigo pelo colunista Andrei Stanavov.

    Dança de fogo

    Pela versão oficial, a primeira vez em que o comando soviético usou a tática de barragem de fogo foi em 1943, no decorrer da contraofensiva contra os nazistas perto da cidade de Stalingrado durante a Segunda Guerra Mundial.

    Contudo, uma série de fontes assegura que esta tática tinha sido usada ainda mais cedo, por exemplo, ao longo da Guerra Soviético-Finlandesa de 1939-1940.

    Do ponto de vista tático, a barragem representa o uso maciço de artilharia contra as posições do inimigo, combinado com a ofensiva de grandes unidades móveis. Tradicionalmente, no bombardeio são usados projéteis explosivos de fragmentação e de fumaça.

    Ao contrário de um ataque de artilharia clássico que costuma antecipar cada ofensiva, neste caso se trata de uma "preparação" total das unidades inimigas com peças de longo alcance que parece um enorme "rolo de fogo".

    Para que o inimigo confundido não tenha tempo para pegar as metralhadoras, são lançados os tanques e a infantaria. Por isso, a escala e a surpresa de tal assalto desmoralizam o inimigo e permitem romper de repente as linhas de defesa escalonadas em profundidade.

    Neste caso, a tarefa mais difícil cabe aos apontadores, que devem dirigir a avalancha de explosões em sincronização com as unidades que avançam. A intensidade do fogo e as áreas de cobertura são determinadas em regime de tempo real.

    Existe também o sistema de falsas transferências de fogo, quando a onda de explosões é deslocada de repente em profundidade. Os defensores o entendem como sinal para a ofensiva, muitos ficam nervosos e começam disparando sem pensar. Este fato desmascara as posições escondidas de metralhadoras e peças de artilharia e faz o jogo do inimigo.

    Contudo, este método também tem suas desvantagens. A principal delas é a necessidade de concentrar um grande número de artilharia e munições em um trecho relativamente estreito. Ademais, normalmente tais atividades não escapam à inteligência do inimigo e indicam de antemão a zona da ofensiva principal. E, finalmente, tal tática é acompanhada de um gasto monstruoso de munições.

    Debaixo de fogo

    A barragem deixou de ser usada pela artilharia soviética nos anos 80, sendo substituída por uma tática parecida, ou seja, a de zona de fogo móvel.

    É, de fato, quase a mesma coisa, porém, neste caso os projéteis de fragmentação explodem não diante das tropas que avançam, mas no ar, por cima das suas cabeças. Evidentemente, a linha ofensiva consiste de veículos de combate blindados, ou seja, tanques e veículos de infantaria mecanizada.

    A avalancha de estilhaços e submunições se move de modo sincronizado e, sem atingir a força ofensiva, elimina completamente os meios antitanque e infantaria inimiga.

    De acordo com o especialista em assuntos bélicos russo Viktor Murakhovsky, este método é uma ferramenta de artilharia original que se usa em casos especiais, quando se deve romper a defesa do inimigo em um ponto estratégico sem perder tempo descobrindo as posições das armas do inimigo.

    Para isso, a unidade atacante recebe várias divisões de artilharia adicionais retiradas de outras partes da frente de batalha, por isso hoje tal tática é usada cada vez mais raramente. Ademais, a artilharia e tropas de mísseis modernas aprenderam a eliminar os alvos com mais precisão e de forma mais econômica e eficiente.

    Abordagem individual

    "Hoje em dia, a artilharia e as tropas de mísseis táticos geralmente atuam integrados nos chamados perímetros de reconhecimento e fogo", explica Murakhovsky.

    "Em traços gerais, os alvos na zona de responsabilidade da unidade são eliminados à medida que são detectados, ou seja, em regime on-line. Este trabalho se efetua ininterruptamente e pontualmente, sem acumular artilharia e munições", adiantou.

    Vale ressaltar que a introdução de perímetros automatizados de controle de fogo torna esse processo mais inteligente, pois após a detecção e identificação do alvo o próprio sistema determina como ele será eliminado. Neste caso, são tomados em conta numerosos parâmetros, inclusive o nível de prontidão da instalação, a distância até ela e o tipo de munição, isto é, antitanque, uma munição explosiva de fragmentação ou de cluster.

    Entretanto, frisa Murakhovsky, os artilheiros russos seriam capazes de criar uma barragem com facilidade mesmo hoje, tanto mais que ela se torna muito mais fácil de gerir devido aos sistemas automatizados modernos.

    Assim, o obuseiro autopropulsado de calibre 152 mm Koalitsia-SV pode disparar uma munição a 70 quilômetros sem poder ser alcançada pelo adversário. Uma de tais peças autopropulsadas pode atingir o alvo com várias munições ao mesmo tempo, lançadas por trajetórias diferentes.

    "O suor da artilharia poupa o sangue da infantaria" — parece que este antigo provérbio militar ainda continuará atual por muito tempo.

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    Tags:
    tática de guerra, metralhadora, artilharia, Forças Armadas da Rússia, Viktor Murakhovsky, URSS, Rússia
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