16:38 27 Maio 2018
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    Sistema de defesa antimíssil estadunidense Aegis Ashore, localizado no Havaí

    'Requer-se enfoque mais responsável': Moscou acusa EUA de violar tratado de mísseis

    CC BY 2.0 / Agência de Defesa Antimíssil dos EUA / FTO-02-E1a-002
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    EUA e Rússia continuam a troca de acusações mútuas quanto as violações do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF). Cada parte tem seus próprios argumentos sobre as ações que não correspondem aos artigos do Tratado. Nesta conexão, o vice-chanceler russo, Sergei Ryabkov, expressou a posição da Rússia.

    De acordo com o diplomata, Rússia tem uma vasta gama de reclamações em relação à atividade militar norte-americana. "É ampla e inclui uma série de teses que discutimos com os EUA já por muitos anos", declarou o diplomata russo em entrevista ao jornal russo Kommersant.

    Neste contexto, o vice-ministro russo destacou que o posicionamento dos sistemas de defesa antimíssil estadunidense Aegis Ashore na Polônia, previsto para o próximo ano, viola gravemente o Tratado INF.

    "Sem dúvida, a situação com o posicionamento — já realizado na Romênia e previsto para o próximo ano na Polônia — dos complexos universais Aegis Ashore, capazes de lançar não só mísseis antibalísticos, mas também mísseis de cruzeiro de longo alcance, representa, em nossa opinião, uma grave violação do Tratado. Já dissemos e continuamos dizendo isso aos estadunidenses", indicou.

    Entretanto, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia já denunciou o posicionamento de baterias de mísseis norte-americanas na Polônia, considerando-o parte do plano dos EUA para criar uma rede de sistemas de mísseis ao redor da Rússia. Moscou considera as alegações da OTAN como "ameaças míticas".

    Ao falar sobre outras violações efetuadas por parte dos EUA, Ryabkov sublinhou que os norte-americanos utilizam mísseis-alvo alegadamente para testar seus sistemas de defesa antimíssil, mas que, na realidade, são muito parecidos com mísseis balísticos de médio e curto alcance, cujos testes são proibidos pelo Tratado INF.

    Ao mesmo tempo, ele lembrou sobre veículos aéreos não tripulados (VANT) de combate que estão em serviço do Exército estadunidense. O vice-ministro apontou que nenhum país do mundo produz e utiliza esses veículos de combate em uma escala tão elevada.

    Além disso, o vice-chanceler russo chamou a atenção para um artigo do orçamento militar dos EUA aprovado para 2018 considerado bastante ambíguo pela Rússia. O novo artigo permite ao Pentágono começar o desenvolvimento de um míssil de cruzeiro de baseamento terrestre com alcance de 250 a 500 km. Assim, por um lado ele não viola diretamente o Tratado INF, mas, por outro lado, não dá uma definição certa quanto aos avanços militares dos EUA.

    Finalmente, Sergei Ryabkov destacou que "para preservar o Tratado INF se requer um enfoque mais responsável por parte dos EUA".

    Mais cedo, o secretário de Estado adjunto dos EUA, Thomas Shannon, tinha declarado que EUA estão avaliando soluções militares para criar sistemas de mísseis de médio alcance se Moscou violar o Tratado INF.

    Datado de 1987, o Tratado INF previa a eliminação dos mísseis balísticos e de cruzeiro, nucleares ou convencionais, cujo alcance fosse entre 500 e 5.500 km. Além disso, o acordo permite a qualquer uma das partes inspecionar as instalações militares da outra.

    Até o momento, Rússia e EUA se acusam repetidamente de desenvolver sistemas que violam este tratado.

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    orçamento militar, mísseis de cruzeiro, drones, sistema de defesa antiaéreo, mísseis balísticos, Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, Ministério das Relações Exteriores da Rússia, OTAN, Sergei Ryabkov, Europa, EUA, Rússia
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