18:49 14 Dezembro 2017
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    Bombas de fragmentação lançadas por aviões militares israelenses durante guerra entre o Hezbollah e Israel

    Semeadura letal: por que Rússia e EUA não querem liquidar bombas de fragmentação

    © AP Photo/ Mohammed Zaatari
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    Bombas de fragmentação, capazes de destruição maciça, ainda são insubstituíveis e usadas por potências militares de todo o mundo.

    Reação disseminada

    O piloto coloca o bombardeiro pesado na trajetória de combate e ativa o sistema automatizado de pontaria. O dispositivo irá calcular com precisão de centésimas de segundo o momento certo e largará várias cápsulas de aço, cada uma contendo centenas de esferas com explosivo. Elas vão explodir simultaneamente a vários metros do solo por cima da infantaria que não suspeita nada.

    Em 2008, os EUA decidiram substituir suas ogivas que se "disseminam" por outras mais precisas e modernas depois de ter sido assinada a Convenção sobre Munições de Fragmentação. Os EUA decidiram não aderir ao documento. Contudo, segundo a edição Jane's 360, na altura o Pentágono praticamente proibiu o uso de tais munições, mas agora foi obrigado a voltar ao tema por causa das "preocupações relacionadas com a artilharia russa e norte-coreana".

    A própria convenção é um documento contraditório, cheio de emendas e reservas. De acordo com ele, uma bomba de fragmentação é uma munição convencional destinada a espalhar ou libertar submunições explosivas com peso menor que 20 quilos cada uma. Tal arma se caracteriza como mortal para a população civil por causa das vastas áreas que alcança.

    Além disso, se nota que os elementos das bombas de fragmentação que não explodirem podem ficar na terra representando uma ameaça para civis. A convenção obriga todos os países participantes a destruírem as reservas de tais bombas durante os oito anos seguintes à obtenção do estatuto de signatário.

    O documento entrou em vigor em 1 de agosto de 2010 e foi apoiado por cerca de 100 Estados. Contudo, os maiores produtores e usuários das armas de fragmentação se recusaram não só a assinar o documento, mas também de participar nas suas preparações. Entre eles se encontram os EUA, China, Índia, Brasil, Paquistão e Israel.

    "Estou 100% certo que se algum dos signatários enfrentar uma guerra séria e se estiver ameaçada a soberania do país, eles vão logo colocar estas munições na cadeia de produção", disse à Sputnik o editor-chefe da revista Arsenal Otechestva ("Arsenal da Pátria" em russo), coronel Viktor Murakhovsky. "Só é possível lutar pelo humanismo e tolerância e concluir tais acordos no caso de você viver numa Europa Ocidental bem-sucedida e não se chamar Iugoslávia".

    É interessante notar que a convenção não aborda as munições ou bombas com alguns tipos de submunições, inclusive as autoguiadas e outras de alta tecnologia que os EUA também possuem. Este fato pode ser explicado por um "menor perigo humanitário". Tal abordagem seletiva levantou questões sérias por parte do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, que declarou que a Rússia não pode rejeitar o uso de bombas de fragmentação, especialmente nestas condições estranhas.

    Há insubstituíveis

    "É sempre necessário ter como fundamento as munições convencionais que já há muito que provaram sua eficácia. Os militares russos na Síria, na ausência de sistemas de defesa antiaérea do inimigo e com domínio aéreo absoluto, cumpriram ao menos 50% das missões de combate com ajuda da artilharia. Entretanto, a aviação utiliza sobretudo munições não guiadas", diz Murakhovsky.

    As bombas de fragmentação, em suas várias modificações, são usadas por exércitos de vários países do mundo e já tiveram tempo de se recomendarem como armas pouco dispendiosas e muito eficazes. Os seus "antepassados" antigos, as munições explosivas recheadas com balas de chumbo, apareceram no início do século XIX. Agora as munições "disseminadas" são usadas pela artilharia, forças de mísseis e aviação. O seu leque é bastante vasto: somente na Rússia elas contam com dezenas de tipos e modificações. Começando com as ogivas de chamada ação não seletiva até às complexas autoguiadas.

    Por exemplo, tais munições podem ser usadas pela maioria dos lançadores múltiplos de foguetes do exército russo, sistemas tático-operativos Tochka-U e Iskander, tal como pela artilharia de calibre 152 e 203 milímetros. As armas de fragmentação permitem cumprir muitas tarefas, incluindo a colocação de minas à distância e a luta contra material blindado e infantaria do inimigo. Para as descartar, é preciso ter no mínimo uma substituição equivalente, o que não se prevê no futuro mais próximo.

    Mata mais barato

    Quanto aos norte-americanos, lançando em 2008 o programa para substituição das bombas de fragmentação por armas mais modernas, eles contavam com o desenvolvimento da sua indústria. Mas ela, apesar de boas premissas técnicas, foi incapaz de abastecer o exército com tais armas a curto prazo e por um preço acessível.

    "Na altura, os EUA se focaram nas munições de pequena dimensão e de pequeno calibre que deveriam ser usadas na luta contra material blindado e veículos automóveis", notou Murakhovsky, adicionando que depois os EUA passaram às munições muito pequenas para os drones, cujo peso era de até 2,5 quilos. Para a pontaria remota era usado um raio laser ou uma ogiva autoguiada. Depois surgiram os chamados "drones kamikaze".

    No Afeganistão, o Pentágono usou muito no início os drones de ataque MQ-1 Predator e MQ-9 Reaper, assim como meios de alta precisão e pequeno calibre. Mas, ao perceber rapidamente que bombardear carros baratos de jihadistas com armas caras não era nada vantajoso, ele começou usando as habituais bombas aéreas incendiárias e a artilharia rebocada de 155 milímetros, caso contrário, seria "como pregar pregos com um microscópio", resumiu Murakhovsky.

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    Tags:
    convenção, ogiva, bombardeiros, civis, bombas de fragmentação, ameaça, Pentágono, EUA, Rússia
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