15:02 27 Fevereiro 2020
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    Sistemas de defesa antiaérea, sistemas de mísseis táticos, caças modernos e helicópteros de combate. Estes e vários outros itens com a marcação "Made in Russia" em breve encontrarão novos compradores nos mercados do Oriente Médio e África do Norte.

    Nesta quarta-feira (15), o Serviço Federal de Cooperação Técnico-Militar anunciou no âmbito da exposição Dubai Airshow 2017 a assinatura de vários grandes contratos. Trata-se não apenas de material bélico comprovado, mas também de sistemas baseados em princípios novos.

    Neste artigo, a Sputnik revela as armas que conquistaram os corações de militares estrangeiros sem ainda terem combatido.

    Novo e leve

    A colaboração técnica e militar entre a Rússia e os anfitriões do fórum Dubai Airshow 2017 sempre se desenvolveu a ritmos estáveis, mas modestos. Geralmente, as monarquias dos Emirados Árabes Unidos (EAU) preferiram equipar seu enorme exército com armas ocidentais. Suas forças armadas incluem material bélico fabricado nos EUA, França, Reino Unido, África do Sul, Suécia, Brasil e China. Somente alguns tipos de armamento russo estão representados nos EAU. Eles são 50 sistemas antiaéreos Pantsir S-1E, aproximadamente 600 veículos de combate de infantaria BMP-3 e várias dezenas de lançadores múltiplos de foguetes Grad e Smerch.

    Qualquer outro governo que não conte com enormes reservas de "ouro preto" não conseguiria lidar com tal variedade em seu arsenal de armas, munições e componentes. Contudo, os EAU podem-se permitir experimentar, comparar e escolher. Além disso, de acordo com analistas, ultimamente vários monarcas árabes têm intencionado aperfeiçoar sua própria base tecnológica e científica, tentando obter tecnologias de ponta e estudando exemplares de armas pouco conhecidas.

    Caça russo MiG-29 (foto de arquivo)
    © Sputnik / Vladimir Astapkovich
    Caça russo MiG-29 (foto de arquivo)

    O programa de elaboração de um caça leve de quinta geração virou um dos projetos mais perspectivos da Rússia com os EAU, o contrato correspondente foi firmado em fevereiro do ano corrente. De acordo com o chefe da empresa estatal de exportações Rostec, Sergei Cheremezov, o caça pode ser criado na base do MiG-29 e MiG-35, seu desenvolvimento pode demorar aproximadamente 7 ou 8 anos.

    "Os EAU não poupam dinheiro com a modernização do potencial da sua indústria de defesa. Seu desejo de aprender conosco é lógico. Por um lado, o país obterá acesso a determinadas tecnologias e aperfeiçoarão sua base científica. Por outro lado, para a Rússia isto também trará benefícios. Receberemos investimentos para concluir alguns de nossos próprios projetos. Além do mais, quando o caça estiver pronto, os EAU podem ser o nosso cliente inicial. Sendo assim, outros compradores também manifestarão seu interesse", acredita Andrei Frolov, especialista militar e editor da revista Exportações de Armas.

    F-16, dê espaço! 

    No momento, a Rússia e a Índia estão elaborando em conjunto o "avião do futuro". Trata-se do projeto FGFA, uma versão do caça pesado de quinta geração russo Su-57, "ajustado" para o mercado indiano. Contudo, há pouco tempo, o analista do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), Douglas Barrie, afirmou em seu artigo que os militares indianos duvidam quanto ao custo e características do avião. Porém, ele ressaltou que não existem alternativas ao FGFA, por isso a crítica por parte da Índia pode representar uma tentativa de obter condições mais benéficas. Nesta situação, o acordo com os EAU quanto a um projeto semelhante pode servir como um sinal claro: "Ainda temos outros parceiros para desenvolver armas perspectivas em conjunto."

    Vale ressaltar que, inicialmente, na Rússia foram estudados programas para criação de dois caças da quinta geração – um leve e um pesado. O primeiro devia servir para cumprir missões perto da linha da frente, apoio a tropas terrestres e luta contra aviões de assalto e bombardeiros do inimigo. O objetivo do aparelho pesado era assegurar a supremacia aérea em todo o teatro de operações. No fim das contas, o Su-57 virou este caça, mas para elaborar um caça leve a indústria de defesa russa na época dos anos 2000 ainda não tinha recursos. Hoje em dia, este projeto ganhou um novo fôlego. Vale destacar que o programa do caça norte-americano F-35 (sendo, de fato, uma versão leve do F-22 pesado) foi financiado por quase uma dezena de países, por isso esta prática não é nova.

    Caças de combate multiuso Sukhoi Su-35 da equipe russa de acrobacias realizam um voo de demonstração no Salão Aeroespacial MAKS 2017
    © Sputnik / Ilia Pitalev
    Caças de combate multiuso Sukhoi Su-35 da equipe russa de acrobacias realizam um voo de demonstração no Salão Aeroespacial MAKS 2017

    Entretanto, no futuro próximo a colaboração técnica e militar ente a Rússia e os EAU não será limitada apenas a veículos perspectivos. No momento, os países estão negociando quanto ao fornecimento de várias dezenas de caças Su-35 da geração 4++ aos EAU. Provavelmente, o contrato será firmado no futuro mais próximo. Assim, os EAU podem virar o segundo maior comprador estrangeiro deste avião. Ele vai defender os céus das monarquias árabes em pé de igualdade com os caças norte-americanos F-16 e Mirage 2000 franceses.

    "Primeiro, a diversificação da exportação de armas é uma prática comum que permite evitar a dependência de um só comprador. Segundo, não se pode esquecer que durante os últimos dois anos a situação no Oriente Médio mudou completamente devido às ações da Rússia na Síria", sublinha Frolov.

    Uma carteira significativa

    Não são somente os EAU que estão interessados nos aviões russos que combatem na Síria. De acordo com o Serviço Federal de Cooperação Técnico-Militar, os aviões Sukhoi têm uma demanda elevada na África do Norte. Por exemplo, a Argélia, onde atualmente estão ao serviço 44 caças Su-30MKA, expressou repetidamente seu desejo de comprar bombardeiros Su-32 (versão para exportação do Su-34). A operação militar contra o Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e em vários países) virou uma campanha publicitária do avião, destinado a missões contra o solo. Mas, por enquanto, este aparelho ainda está aguardando pelo seu primeiro comprador: o Su-32 nunca ainda foi vendido ao exterior.

    A geografia da demanda também se está expandindo quanto aos sistemas russos de defesa antiaérea. Os representantes do Serviço Federal de Cooperação Técnico-Militar comunicaram durante a exibição Dubai Airshow 2017 sobre a assinatura de um acordo com a Arábia Saudita para fornecimento de sistemas S-400. Assim, o reino será o terceiro país, após a China e Turquia, a receber esta arma. Ao mesmo tempo, está em curso o fornecimento de sistemas de defesa antimíssil S-300VM ao Egito.

    Caças Su-35, Su-27 e Su-34 durante ensaio da parte aérea da Parada da Vitória em Moscou
    © Sputnik / Vladimir Astapkovich
    Caças Su-35, Su-27 e Su-34 durante ensaio da parte aérea da Parada da Vitória em Moscou

    Tudo o acima mencionado é apenas uma parte dos contratos que foram firmados ultimamente. De acordo com o diretor da empresa estatal russa Rosoboronexport, Aleksandr Mikheev, o valor total da carteira de encomendas com países do Oriente Médio e da África do Norte somou aproximadamente US$ 8 biliões (R$ 26 biliões), sendo uma quinta parte dos contratos de exportação militares que a Rússia firmou com seus parceiros.

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    Tags:
    material bélico, colaboração, avião, Sukhoi, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Rússia
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