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    Marinheiro ucraniano de guarda em Odessa, em 3 de maio de 2015

    Serão os 'lobos' da Marinha ucraniana capazes de eliminar navios russos?

    © AFP 2018 / GENYA SAVILOV
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    A mídia ucraniana publicou uma reportagem sobre os métodos de combate que a Marinha da Ucrânia planeja usar contra a Frota do Mar Negro da Rússia. Dado que Kiev hoje em dia não dispõe de uma frota de submarinos, um capitão ucraniano afirma que as lanchas blindadas fluviais seriam suficientes para lutar contra navios russos.

    Trata-se dos navios do projeto Gyurza, Akkerman e Berdyansk, que fazem parte da frota ucraniana desde 2016, bem como das embarcações Vyshgorod e Nikopol da mesma classe que ainda estão sendo testadas.

    Ou seja, no total haverá apenas quatro dos chamados "lobinhos" para a tática conhecida como "wolf pack", ou "alcateia de lobos", escolhida pelo comando naval ucraniano, explica o colunista da Sputnik Andrei Kots.

    Entretanto, o tamanho do navio já é o principal critério para um combate naval bem-sucedido. Assim, os navios de mísseis russos do projeto Buyan-M também não são muito grandes, mas estão equipados com mísseis Kalibr que podem "surpreender" até um cruzador, ressalta o jornalista.

    As capacidades dos navios de mísseis russos utilizados para lutar contra terroristas na Síria foram valorizadas até pelos especialistas ocidentais.

    Será que os produtores ucranianos também serão capazes de equipar seus navios com bom armamento para compensar o tamanho?

    Parece que não, assegura o autor. Os navios Gyurza possuem dois canhões automáticos de 30 mm, ZTM-1 (análogo do canhão 2A72 para veículos blindados ligeiros russos) e mísseis antitanque Barier-VK. Além disso, os navios têm duas metralhadoras e dois lança-granadas automáticos.

    "Assim, se este navio se encontrar com um tanque ou um pelotão de infantaria no mar aberto, terá uma chance de vencê-los, embora não muito grande", ironiza Kots.

    Contudo, qualquer navio de mísseis russo, sem falar das fragatas Admiral Grigorovich e Admiral Essen, pode atingir esse inimigo mesmo sem o ver, afirma o colunista.

    O único remédio para os navios ucranianos é um abalroamento, mas hoje em dia tais ataques suicidas são realizados apenas por "estados" e "organizações" proscritos, diz o colunista, referindo-se aos radicais islâmicos.

    As declarações dos marinheiros ucranianos não provocaram qualquer reação do Ministério da Defesa da Rússia.

    Entretanto, os políticos russos as comentaram, indicando que a tática dos ucranianos não é razoável.

    Enquanto isso, o deputado de Sevastopol Aleksei Chaly insistiu que os políticos ucranianos devem perceber as possíveis consequências de tal aventura e, portanto, não se atreveriam a atacar.

    Deve-se notar que as declarações dos políticos russos não são apenas uma bravata sem fundamento. Há alguns anos, a Frota do Mar Negro já enfrentou com sucesso uma "frota mosquito". Em agosto de 2008, durante o confronto militar entre a Geórgia e a Rússia, os navios russos foram atacados por lanchas militares e um navio de pesca armado georgianos.

    O ataque foi repelido por apenas um navio russo, o navio de mísseis ligeiro Mirazh, lançado em 1986, que eliminou o barco de pesca georgiano com dois mísseis antinavio e danificou uma das lanchas com um míssil antiaéreo. Os restantes barcos se retiraram do combate.

    No entanto, deve-se notar que uma equipe bem treinada junto com armamento forte pode permitir que os "lobinhos" ganhem uma batalha contra um inimigo sério.

    Assim, em 21 de outubro de 1967, o destróier israelense Eilat foi atacado por duas lanchas lança-mísseis egípcias de produção soviética da classe Komar (mosquito, em russo).

    As embarcações Komar atacaram seu alvo com mísseis antinavio soviéticos P-15 Termit sem sair do seu local de estacionamento em Port Said. Três dos quatro mísseis atingiram o alvo e afundaram o navio israelense.

    O caso Eilat foi a primeira derrota de um navio atingido por mísseis antinavio, o que levou a comunidade internacional a falar sobre uma possível nova época nos combates navais.

    Atualmente, a Ucrânia possui apenas um navio desse tipo, o Priluki, equipado com os mesmos mísseis Termit, projetados na década de 50, por isso é improvável que este "lobo" velho e solitário consiga se aproximar suficientemente perto para atacar, conclui o jornalista.

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    Tags:
    lancha, mísseis, Marinha, Admiral Essen, Buyan-M, Kalibr, Admiral Grigorovich, Marinha dos EUA, Rússia, Ucrânia
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