Torpedo do juízo final: para que Marinha russa precisa de armas nucleares submarinas?

© Sputnik / Sergei MamontovNovo submarino nuclear russo - Kazan
Novo submarino nuclear russo - Kazan - Sputnik Brasil
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Hoje se celebra o 60º aniversário do primeiro teste do torpedo nuclear soviético T-5, lançado em 10 de outubro de 1957 pelo submarino S-144.

O projétil, de 10 quilotons de trinitrotolueno (TNT), percorreu uma distância de 10 km e explodiu à profundidade de 35 metros, destruindo dois submarinos, dois destróiers e dois navios-varredores.

A Sputnik lhe apresenta uma lista de alguns de torpedos da fabricação soviética e russa mais temíveis.

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A URSS iniciou o desenvolvimento de torpedos nucleares imediatamente depois de realizar o ensaio da primeira bomba atômica em 1949. Ao contrário dos bombardeiros e mísseis de longo alcance, vulneráveis aos sistemas de defesa antimíssil, os submarinos soviéticos eram capazes de chegar às costas do inimigo de maneira discreta para logo atacar infraestruturas e portos estadunidenses.

Além disso, muitos marinheiros tinham uma grande experiência adquirida durante os anos da Grande Guerra pela Pátria (parte da Segunda Guerra Mundial, compreendida entre 22 de junho de 1941 e 9 de maio de 1945, e limitada às hostilidades entre a União Soviética e a Alemanha nazista e seus aliados).

O projeto mais ambicioso na história da Marinha da Rússia foi o torpedo gigante T-15, desenvolvido na década de 50. Os supertorpedos de 1.550 milímetros, 40 toneladas e 20 metros de comprimento podiam ser portados por submarinos atômicos do projeto 627, desenhados especialmente para transportar tais projéteis.

Supunha-se que, com estes torpedos, a URSS atacaria alvos estratégicos norte-americanos, tais como portos e grandes cidades costeiras.

Os trabalhos para construir o torpedo se desenvolviam enquanto se realizavam os testes da primeira bomba de hidrogênio, a RDS-6, ativada em agosto de 1952. Não obstante, quando dois anos depois os marinheiros soviéticos acessaram os detalhes secretos da documentação técnica do torpedo, acabaram por não ver utilidade nessa arma, que ocuparia uma quinta parte de todo o espaço do navio. Além disso, a velocidade e o alcance do torpedo deixavam muito a desejar.

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Assim, a URSS se viu obrigada a rechaçar o projeto e iniciou o desenvolvimento do torpedo T-5, de apenas 533 milímetros e equipado com uma ogiva nuclear tática RDS-9. Este torpedo, por sua vez, podia ser instalado em qualquer submarino soviético. Em setembro de 1955, a URSS levou a cabo um ensaio do projétil que provocou a primeira explosão nuclear submarina na história.

O torpedo, de 3 quilotons de TNT, explodiu a uma profundidade de 12 metros.

Dois anos depois, em 10 de outubro de 1957, o torpedo foi lançado de um submarino do projeto 613, o S-144. A explosão afundou 4 navios, além de dois submarinos obsoletos. Após um teste bem-sucedido, o torpedo entrou no serviço da Marinha. Em 1960, porém, ele foi substituído pelo projétil ASBZO, de 533 milímetros e 20 quilotons.

Em outubro de 1961, após a detonação histórica da Tsar Bomba, que tinha mais de 50 megatons, no Ártico russo, o acadêmico soviético Andrei Sakharov também sugeriu a necessidade de projetar um poderoso torpedo submarino.

"Quanto a mim, me preocupava o fato de ainda não existir um bom portador para a bomba. Os bombardeiros não contam, pois é muito fácil derrubá-los. Decidi que um torpedo muito grande lançado de um submarino poderia se converter nesse portador. Pensei que seria possível criar um motor nuclear reativo de água e vapor para um torpedo deste tipo, com o objetivo de atacar logo os portos do inimigo localizados a centenas de quilômetros", escreveu ele no seu livro de memórias.

Nos finais de 2015, um diapositivo com o torpedo russo do projeto secreto Status-6 apareceu acidentalmente na televisão russa, em uma reportagem sobre uma reunião do presidente Vladimir Putin com os representantes do setor da defesa em Sochi. O projeto russo se tornou em uma preocupação para a comunidade internacional.

O torpedo, com 10 mil km de alcance e capaz de alcançar uma velocidade máxima de 185 km por hora, poderá ser colocado nos submarinos nucleares Belgorod e Khabarovsk.

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Este torpedo, dotado de uma ogiva nuclear, será capaz de provocar "danos garantidos" através de uma ampla e duradoura contaminação radioativa nas zonas costeiras do inimigo.

Nos finais de 2016, o portal Popular Mechanics, citando fontes do Pentágono, informou que teria sido efetuado o primeiro ensaio do torpedo russo, e o qualificou de uma "notícia muito má". De acordo com fontes da inteligência estadunidense, ele foi lançado pelo submarino especial B-90 Sarov.

As mesmas fontes comunicaram que, em caso de um conflito global, este projétil poderia causar um tsunami capaz de destruir todas as infraestruturas costeiras do inimigo, inclusive porta-aviões, fábricas de armas e cidades. Entretanto, ainda se desconhecem os detalhes do alegado teste do projétil russo.

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