13:31 29 Março 2020
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    Finlândia e Suécia, únicos países da Europa Setentrional que não são membros da OTAN, estão inclusos na participação dos maiores exercícios de gestão de crises da Aliança. As manobras CMX17 acontecerão no início de outubro de 2017 como sinal de parceria com a OTAN.

    A Finlândia anunciou a sua participação do CMX – exercício anual da OTAN de consulta e tomada de decisão – através de um comunicado de imprensa do Ministério das Relações Exteriores de seu país.

    CMX significa Exercício de Gestão de Crises. As manobras CMX com países-membros da OTAN, Finlândia, Suécia e a UE serão realizadas entre 4 e 11 outubro, baseadas em um cenário militar fictício sem aplicação de força.

    Além da OTAN e dos centros estratégicos de operações militares, espera-se que esses exercícios envolvam pessoal civil e militar em representações-participantes da OTAN e quartéis-generais. A Finlândia será representada pelo Ministério das Relações Exteriores, o Ministério da Defesa, o Estado-Maior e pela representação do país nórdico em Bruxelas.

    O Ministério das Relações Exteriores finlandês não revelou detalhes do cenário e geografia dos exercícios, mas se referiu à OTAN como coordenadora das manobras. O ministério enviou explicação detalhada do CMX ao parlamento, mas pediu aos Comitês das Relações Exteriores e o da Defesa para guardá-la em segredo.

    "A OTAN coordena estes exercícios, cria o seu cenário e decide que tipo da informação tem que ser classificada", disse Mikko Kinnunen, funcionário do Ministério das Relações Exteriores finlandês, ao jornal llta-Sanomat.

    A participação da Finlândia nos exercícios rima bem com o Centro Europeu de Excelência para Combater as Ameaças Híbridas, estabelecido em Helsinque no início deste ano. O centro, que tem um orçamento anual de cerca de US$ 2,1 milhões (R$ 6,6 milhões), teria atingido sua capacidade de operação inicial no início de setembro. O Centro de Helsinque, com doze países participantes, é visto como um complemento aos postos semelhantes de Stratcom em Tallinn, Estônia, e Riga, na Letônia. 

    A "guerra híbrida" é um termo vago que vem ganhando impulso nos últimos anos. Na maioria das vezes, é usado em referência a uma combinação de ameaças militares tradicionais e ameaças à segurança civil. Seus exemplos populares incluem disseminação de desinformação ou notícias falsas através de mídia social, ataques cibernéticos ou tropas anônimas denominadas normalmente de "pequenos homens verdes". Embora a guerra híbrida seja menos perturbadora em comparação com a guerra tradicional, afirma-se que foca especificamente nas fraquezas de um país e semeia insegurança entre a população local.

    No ano passado, quando os planos para estabelecer esse centro em Helsinque foram anunciados pela primeira vez, o vice-secretário de Estado responsável pelos assuntos da UE, Jori Arvonen, disse que as ameaças à ciberguerra estavam aumentando e mudando, identificando a Rússia e o Daesh como "os que têm uma influência híbrida" na nação escandinava.

    Em conexão com os exercícios CMX17, a UE está organizando manobra coordenada paralela de gestão de crises EU PACE 17. O exercício faz parte do desenvolvimento das relações UE-OTAN.

    A Finlândia começou a participar do CMX em 1998 e neste ano será o 9º exercício dela. O Ministério das Relações Exteriores finlandês especialmente frisou que os exercícios têm em foco o apoio à parceria da Suécia e Finlândia com a OTAN. No ano passado, o presidente finlandês, Sauli Niinisto, elogiou a importância do CMX para a Finlândia.

    A Suécia, por sua vez, participa do CMX de vez em quando desde 1997.

    Apesar do envolvimento crescente da Suécia e Finlândia nas operações da OTAN, Niistro disse em setembro que é muito provável que os países europeus renunciem à sua dependência da OTAN e à assistência dos EUA no futuro, dando passos rumo à garantia de segurança com seus próprios esforços. Para ele, esse processo seria muito longo.

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    Tags:
    guerra híbrida, segredo, exercício militar, União Europeia, OTAN, Europa
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