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    Nesta segunda-feira (18), um grupo de navios de guerra chineses chegou à cidade russa de Vladivostok para participar da segunda etapa das manobras conjuntas Cooperação Marítima 2017 que se vai ter lugar entre 18 e 26 de setembro na base da Frota do Pacífico russa.

    Particularmente, a fase costeira dos exercícios decorrerá entre 18 e 21 de setembro, durante essa fase serão treinados os fuzileiros navais russos e chineses.

    A segunda parte dos treinamentos se efetuará nas águas do mar do Japão (também conhecido como Mar do Leste) e na parte sul do mar de Okhotsk. Em um comentário para a Sputnik China, o eminente especialista russo em assuntos militares, Vasily Kashin, detalhou as particularidades do evento.

    "As manobras deste ano têm enfoque em novos aspetos das operações no mar, sobretudo ligadas à guerra submarina. Por outro lado, ao contrário dos anos anteriores, das manobras não participam navios de desembarque", precisou.

    Em vez disso, os exercícios contam com a participação de navios russos e chineses de resgate de submarinos, equipados de aparelhos de grande profundidade. Além disso, das manobras tomarão parte aviões antissubmarino russos e helicópteros antissubmarino russos e chineses. Dado que serão envolvidos dois submarinos da Frota do Pacífico russa, "provavelmente serão eles que a unidade russo-chinesa terá que achar e resgatar", observa Kashin.

    "Deste modo, as manobras estão relacionadas com os novos aspetos, com uso tecnologia de ponta, da atividade naval e têm um grande valor prático. As marinhas de ambos os países podem trocar experiência de operações de resgate. Além disso, graças aos treinamentos de coordenação, surgirá uma oportunidade real de realizar operações de resgate conjuntas, caso um submarino de um dos dois países sofra um acidente. Ao mesmo tempo, se efetuará uma troca de experiências em questões de guerra antissubmarino, o que representa o maior interesse por parte dos chineses", explica o especialista russo.

    Da parte russa, mas manobras se vai estrear o novíssimo navio da Frota do Pacífico, a corveta Sovershenny do projeto 20380. O analista observa que a modernização da Marinha russa "decorre a ritmos bastante lentos", por isso antigamente as manobras russo-chinesas contavam com a participação de navios antigos, predominantemente soviéticos, face a navios modernos de Pequim.

    "Pouco a pouco, isso está mudando. As corvetas do projeto 20380, que estão armados com sistemas de mísseis, bem como de defesa antiaérea, bastante potentes, já participaram da primeira etapa destas manobras no Báltico", relembrou.

    O grupo naval chinês é composto pelo destróier de mísseis Shijiazhuang, a fragata de mísseis Daqing, o navio de abastecimento Dongping e o navio de resgate de submarinos Changdao, enquanto a Rússia usará também navios mais velhos que a corveta Sovershenny, por exemplo, o navio-antissubmarino grande Admiral Tributs e a lancha de mísseis R-11.

    "O aumento do papel da guerra submarina na agenda das manobras russo-chinesas é um sinal da confiança crescente entre a Rússia e a China na esfera militar e da disponibilidade para trocar dados sobre os assuntos mais sensíveis. A cooperação russo-chinesa nesse âmbito ainda não chegou tão longe como a cooperação russo-indiana, pois a parte indiana está recebendo em leasing submarinos nucleares russos. Porém, se pode supor que um dos objetivos da cooperação russo-chinesa é atingir o mesmo nível de confiança e coordenação", resumiu Kashin.

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    Tags:
    China, Rússia, Índia, Frota do Pacífico, Cooperação Marítima, navios de guerra, submarino
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