06:47 19 Novembro 2017
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    Desfile militar do Irã

    Quem Teerã tenta assustar com criação do 'pai de todas as bombas'?

    © AFP 2017/ CHAVOSH HOMAVANDI
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    Ao anunciar a criação de uma bomba superpotente convencional de 10 toneladas, o Irã envia um sinal sobre as suas capacidades militares a Israel e a outros adversários potenciais da região, acredita Vladimir Korovin, especialista do Centro de Estudos Militares e Políticos do Instituto Estatal de Relações Internacionais de Moscou.

    Vários dias atrás, em uma entrevista ao canal IRIB, o comandante da Força Aeroespacial do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica do Irã, Amir Ali Hajizadeh, revelou que o país acaba de construir uma bomba de 10 toneladas capaz de ser lançada de aviões de tipo Ilyushin (Il).

    Hajizadeh chamou a munição de "pai de todas as bombas", uma alusão à "mãe de todas as bombas" estadunidense e frisou que a bomba iraniana tem um enorme poder de destruição.

    "A situação existente no Oriente Médio mostra que ora tentam aproximar o Irã, ora tentam afastá-lo. O próprio Israel, por exemplo, está muito preocupado com o fato do Irã, na Síria, estar se aproximando das fronteiras israelenses. Provavelmente, isto foi planejado com um sinal a Israel e a todos os adversários do Irã", disse Korovin à Sputnik.

    O especialista observou que 10 toneladas é uma carga muito séria e que apenas um avião Il-79, aeronave militar e de transporte de produção soviética e russa equipado para carregar bombas, pode ser capaz de lidar com essa tarefa.

    De acordo com Korovin, não há nada de novo na fabricação de tal tipo de munição.

    "Na União Soviética, durante a Grande Guerra pela Pátria [parte da Segunda Guerra Mundial, compreendida entre 22 de junho de 1941 e 9 de maio de 1945, e limitada às hostilidades entre a União Soviética e a Alemanha nazista e seus aliados] havia uma bomba de 5 toneladas, e, ao que me lembro, ela foi lançada ainda em 1943. Ademais, uma bomba semelhante, construída ainda 10 anos atrás, foi usada nesta primavera pelos americanos contra os bunkers subterrâneos no Afeganistão", explicou.

    O analista tem certeza de que o Irã nunca atacaria os EUA com esta bomba.

    "Não tem como. Já quanto a Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein — isto cria uma situação bem tensa. É uma informação para eles", sublinhou.

    Para Korovin, a hipótese de realmente esta munição ser usada em combate é duvidosa, pois o bombardeiro reequipado Il-76, para poder lançar tal projétil deve ser acompanhado por caças, voar a determinada altitude e alcançar o alvo sem resistência de fogo do terreno.

    "Por tudo isso, se trata apenas de uma demonstração de força, tal como o lançamento de um satélite na época. Eles não os lançam sistematicamente, como sabe. Já os mísseis balísticos, eles não os lançam tão frequentemente como a Coreia do Norte. É um elemento de demonstração, digamos, destinado inclusive a Israel", resumiu.

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    Tags:
    armamento, bomba, Il-76, Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, Arábia Saudita, Israel, Irã
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