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    Membros das forças de resposta rápida iraquianas disparam um míssil contra militantes do Daesh durante uma batalha no sul da cidade de Mossul, Iraque, 19 de fevereiro de 2017

    Mísseis de cruzeiro iraquianos abriram caminho para o pior pesadelo do Pentágono?

    © REUTERS/ Zohra Bensemra
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    O domínio norte-americano no âmbito militar parece estar chegando a seu fim. Cada vez mais países de segundo escalão desenvolvem seus próprios mísseis de cruzeiro e projéteis balísticos. Alguns deles deixaram o Pentágono preocupado.

    Surpresa desagradável para o Departamento de Defesa

    Em 2003, os acontecimentos ligados à guerra no Iraque destacaram que inclusive os militares americanos, em condições de domínio aéreo completo e disponibilidade para instalar sistemas da defesa antiaérea, não eram capazes de acabar com os mísseis de cruzeiro iraquianos.

    Os mísseis de cruzeiro iraquianos foram criados no âmbito do programa Fao, que começou a ser implementado na segunda metade dos anos 90 do século passado.

    O objetivo do Fao foi a criação de um míssil de cruzeiro útil para atacar alvos terrestres localizados a distâncias de entre 180 e 200 km. Este projeto foi realizado tomando como modelo o míssil antinavio chinês C-201.

    Apesar da sua idade avançada, o C-201 tinha várias vantagens. Em primeiro lugar, o Iraque dispunha de um enorme número destas armas no seu arsenal e obteve uma considerável experiência na sua utilização durante a guerra com o Irã e no conflito armado no golfo Pérsico.

    Em segundo lugar, este projétil era capaz de voar a altitudes muito baixas, enquanto em condições do deserto sua altitude mínima podia se reduzir ainda mais.

    Além disso, o desenvolvimento de tecnologias computorizadas e de navegação permitia usar vários meios que estavam ao alcance de todos para criar sistemas de controle de voo e de mísseis guiados.

    Em terceiro lugar, ter à disposição um projétil que tivesse um alcance de 200 km era muito importante nas condições relacionadas com a geografia específica da região.

    Apesar de todos os esforços das tropas americanas, estes mísseis atingiam os alvos terrestres antes que os sistemas de defesa antiaérea dos EUA pudessem detectá-los.

    "Embora o efeito causado por seus ataques fosse mais psicológico [do que material], os soldados americanos ficaram literalmente chocados", escreveu no seu artigo para a edição Zvezda o jornalista russo Vladimir Khrustalev.

    Mísseis nucleares para os pobres

    De acordo com Khrusralev, os projéteis de cruzeiro são armas de alta precisão que representam uma plataforma ideal para transportar armas nucleares.

    "Apesar de os mísseis de cruzeiro serem alvos fáceis, é impossível interceptá-los em combate real após seu lançamento maciço, especialmente caso sejam eles utilizados tendo em conta a localização dos sistemas de defesa do inimigo", afirmou.

    Este tipo de foguetes consegue voar a altitudes baixas e é menos visível para o radar do que os aviões de combate e os mísseis balísticos.

    De acordo com o jornalista, os mísseis de cruzeiro podem portar uma ogiva cuja potência superaria 10 vezes à da bomba lançada contra a cidade japonesa de Hiroshima.

    Perspectivas para futuras guerras de Washington

    Pouco a pouco, as armas de precisão de longo alcance deixaram de pertencer unicamente ao "clube de elite", acredita o especialista, destacando que o número dos países que contam com projéteis nucleares continuará crescendo no futuro.

    Além disso, muitos sistemas de longo alcance não requerem já foguetes portadores grandes e pesados como antes. Em um futuro próximo, os países pequenos e de tamanho médio poderão se defender com projéteis que podem ser transportados por um caça multifuncional.

    Como consequência, mais fornecedores destes projéteis provenientes dos países de "segundo escalão" aparecerão no mercado de armamentos.

    "Há desenvolvimentos ativos em curso em ambas as Coreias, na Índia e em muitos outros países. Isto significa que logo veremos o crescimento da demanda dos sistemas de defesa antiaérea. É uma boa notícia para os produtores destes equipamentos militares na Rússia", frisa Khrustalev.

    Paralelamente, o especialista sublinha que, para os EUA, o desfecho não promete nada de bom.

    "Tomando em consideração a história dos mísseis de cruzeiro iraquianos, o Pentágono ficará preocupado cada vez que queira lançar um ataque ou instalar suas tropas, dado que os países de segundo escalão poderão responder de modo sério", concluiu.

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    Tags:
    ogiva nuclear, mísseis de cruzeiro, foguete, Coreia do Norte, EUA, Iraque
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