11:01 12 Dezembro 2019
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    Militares da OTAN durante as manobras Spring Storm 2017

    A própria incompetência da OTAN provoca baixas

    © AP Photo / Vadim Ghirda
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    A fase final das manobras da grande escala da OTAN Spring Storm 2017 (Tempestade Primaveril) começou na Estônia no dia 23 de maio.

    Porém, os exercícios, dos quais participam cerca de 10.000 militares de 13 países, se converteram num pesadelo devido à falta da experiência dos soldados, assim como a numerosas falhas técnicas.

    Como declarou à edição estoniana Delfi  a porta-voz das manobras, tenente Kristel Maasikmets, um total de seis militares da Aliança foram hospitalizados devido a várias razões, desde o manejo imprudente de armas até negligência.

    "Até mesmo um acidente é demais para as forças armadas. Esperamos que os feridos melhorem pronto", indicou Maasikmets. A militar acrescentou que os efetivos são instruídos regularmente e que a segurança está em primeiro lugar para a OTAN.

    Porém, no dia 16 de maio, um militar de infantaria estoniano resultou gravemente ferido no polígono Mianniku, quando contra um veículo de transporte foram disparadas balas de treino e o condutor atropelou o efetivo por não ter olhado pelo espelho. No dia seguinte, outro condutor estoniano calculou mal a altura do veículo blindado e tocou em um cabo elétrico com a antena, o que causou o incêndio do veículo e, como resultado, queimaduras nos efetivos.

    No dia 19 de maio, um veículo blindado britânico acabou em uma vala cerca do povoado de Soonurme. O condutor, de 35 anos, e o franco-atirador, de 33, foram hospitalizados com ferimentos. Poucas horas antes, um veículo militar chocou com um automóvel civil, quando seguia em marcha à ré.

    Além da falta de conhecimento das normas de condução, os militares também tiveram vários acidentes devido ao incumprimento das regras de segurança. Assim, um efetivo quase se queimou quando atirou etanol ao fogo quando preparava comida.

    As manobras poderiam ter sido canceladas devido a um incêndio grande que ocorreu no dia 4 de maio durante os exercícios de tiro no polígono central, que fica na região de Kuusalu. Atualmente, está completamente em desuso devido às consequências do fogo.

    Por sua parte, as autoridades — como se soubesse que algo poderia correr mal — publicaram folhas informativas para os residentes da zona, nas quais explicaram o que devem fazer se sua propriedade for danificada por culpa dos efetivos durante as manobras. Além disso, foi pedido aos residentes para não levantar objetos suspeitos do chão.

    Os exercícios militares também causaram uma onda de descontentamento entre os residentes locais. Eles se queixam nas redes sociais do elevado nível de acidentes de trânsito, bem como do barulho, da destruição das estradas pelos veículos militares, assim como da presença de efetivos camuflados por toda a parte. Os políticos de esquerda estonianos também pediram para se devolver ao país báltico a "verdadeira independência e segurança no futuro". Segundo os ativistas, é impossível falar da soberania do país quando há tropas estrangeiras instaladas no seu território.

    A infraestrutura militar na Estônia também não estava preparada para receber os militares da Aliança. Em particular, a cidade de Tapa não tinha lugares suficientes nos quarteis para alojar todos os soldados franceses e britânicos. Como consequência, eles foram alojados num acampamento de barracas num polígono. Ao mesmo tempo, a Estônia não é capaz de construir os novos quarteis, posto que isso custaria 38 milhões de euros, o que constitui quase uma décima parte do orçamento militar do país báltico.

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    Tags:
    falha, exercício militar, manobras, OTAN, Estônia
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