03:09 22 Setembro 2019
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    Caça F-16 da Força Aérea da Noruega

    Noruega precisa do escudo antimíssil da OTAN para compensar brechas na defesa

    © AFP 2019 / Trond Hoeyvik/Scanpix Norway
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    Noruega terá de se juntar ao escudo antimíssil da OTAN ou adquirir um. A Força Aérea da Noruega chegou a tal conclusão após ter identificado brechas enormes em seu sistema de defesa aérea, diz o documento classificado.

    As Forças Armadas da Noruega se revelaram incapazes de proteger o país de ataques com mísseis ou bombas de alta precisão. As capacidades da defesa aérea norueguesa foram descritas como "limitadas", tendo um escopo e alcance demasiado pequenos. Isso faz com que as bases aéreas norueguesas, que aspiram a se tornar bases para a nova frota de caças F-35, se tornem alvos fáceis, noticiou o jornal norueguês Klassekampen.

    Assim sendo, a Força Aérea da Noruega concluiu que a Noruega tem duas opções: se juntar ao muito discutido escudo antimíssil da OTAN ou adquirir um sistema antimíssil nacional. Por acaso, esta foi a primeira vez que a Força Aérea Norueguesa expressou seu desejo de ter um escudo antimíssil.

    Agora os políticos noruegueses estão entre a espada e a parede. Um escudo antimíssil próprio seria extremamente caro, até para um país rico em óleo e abastado como a Noruega. Por outro lado, o escudo antimíssil da OTAN tinha sido criticado antes por estimular uma nova corrida armamentista.

    Entretanto, ambas as bases principais da Noruega, Evnes e Orlandet, foram criticadas por terem deficiências cruciais em termos de segurança. As bases para aeronaves de combate foram reconhecidas como os alvos mais prováveis de ataques com mísseis no âmbito de um ataque estratégico contra a Noruega. Segundo os dados prestados pela inteligência do país, a maior ameaça para as bases advém de mísseis balísticos tácticos (TMB, sigla em inglês).

    "A futura força aérea tem que ser capaz tanto de repelir ataques com TMB, como contribuir para o sistema de defesa antimíssil da OTAN [BMD, Ballistic Missile Defense, na sua sigla em inglês]", escreveu a Força Aérea citada pelo Klassekampen.

    O governo norueguês continua estando indeciso se o país deve ou não participar do escudo antimíssil da OTAN, tendo apontando já um grupo de especialistas noruegueses e norte-americanos para avaliarem a possível contribuição da Noruega para o projeto. Anteriormente, havia sido informado que a Noruega era capaz de contribuir para o escudo antimíssil com alguns radares e sensores (tais como o radar Globus II em Vardo) ou com o sistema de radares Aegis instalado atualmente em cinco das fragatas norueguesas. O grupo de especialistas apresentará sua avaliação em 2017, a decisão do governo deverá ser anunciada em meados de 2018.

    Mais cedo, a Rússia prometeu dar uma resposta dura no caso da Noruega aderir ao controverso escudo antimíssil da OTAN. Em março, o embaixador da Rússia na Noruega, Teimuraz Ramishvili, disse que tal decisão iria estimular o agravamento das relações entre os países vizinhos, alertando contra os "resultados catastróficos" para a Europa e todo o mundo.

    Na última década, a Noruega tem evoluído de um opositor ao escudo antimíssil para um defensor ativo dos planos da OTAN. Ironicamente, o secretário-geral da OTAN e ex-premiê da Noruega, Jens Stoltenberg, tinha uma atitude céptica quanto ao escudo antimíssil dos EUA. Em seu discurso contra o sistema de defesa antimíssil, durante sua viagem a Moscou em 2007, ele foi criticado pela mídia norueguesa por "ter mostrado sua fraqueza aos russos".

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    Tags:
    defesa aérea, escudo antimísseis, OTAN, Jens Stoltenberg, Rússia, Noruega
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