13:40 16 Outubro 2019
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    Porta-helicópteros Mistral

    Bom é o que acaba bem: navio Mistral de produção francesa saiu à Rússia quase grátis

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    A elaboração do acordo russo-egípcio sobre os helicópteros navais Ka-52K Katran para os navios de assalto anfíbio Mistral entrou em sua fase final. O especialista militar russo Aleksandr Sitnikov, colunista do diário Svobodnaya Pressa, explicou como a Rússia acabou ganhando com a transição dos porta-helicópteros.

    "Se a Rússia ganhar a licitação para os helicópteros, o que é muito provável, os especialistas egípcios darão acesso à documentação completa do Mistral aos engenheiros e arquitetos navais russos", explica Sitnikov.

    Isto permitirá que os peritos russos entendam melhor como operam os porta-helicópteros da OTAN. De fato, o Ministério da Defesa russo não descarta a hipótese de que a experiência desta colaboração seja tomada em consideração na hora de desenvolver navios similares.

    "Ou seja, Moscou recebeu a documentação do Mistral a troco de nada ou, sendo mais precisos, por dinheiro de Cairo", assinalou o colunista da edição Svobodnaya Pressa.

    Contudo, é provável que o principal benificiário seja o Egito, opina o autor. Depois da criação da Frota do Sul egípcia, Cairo se converterá em uma potência marítima regional e será capaz de proteger o enorme campo de gás recentemente descoberto perto de sua zona econômica exclusiva.

    Sitnikov recordou que, em janeiro de 2017, o Egito anunciou a criação da sua Frota do Sul.

    Neste sentido, de acordo com o jornalista, o papel crucial é desempenhado pela França e pela Rússia. O país eslavo promoveu a venda dos Mistrais especificamente ao Egito, que tinha sofrido uma deterioração drástica nas relações com Washington no verão de 2013, após o derrube do presidente Mohamed Mursi.

    "A intervenção descarada dos Estados Unidos nos assuntos internos do Egito, através do apoio à chamada Primavera Árabe, se converteu em um balde de água fria para a maioria dos egípcios, que se deram conta que os americanos os estavam empurrando para o abismo", explicou o autor.

    Para Sitnikov, é logico que Cairo prefira Paris e Moscou que, apesar da pressão por parte de Washington, conseguiu manter seus contatos de negócios.

    "Como resultado, manifestando desobediência em relação aos EUA, a França recebeu contratos militares adicionais; a Rússia, obteve a documentação do Mistral e um novo aliado estratégico, enquanto o Egito se converteu em uma potência marítima", assegurou o analista.

    Em 2014, a França construiu dois porta-helicópteros da classe Mistral para a Rússia. Entretanto, em agosto de 2015, o presidente francês decidiu cancelar o contrato com Moscou devido aos acontecimentos na Ucrânia.

    Depois disso, o Egito decidiu comprar estes navios de assalto anfíbio à França, com permissão por parte da Rússia. Os representantes da Rússia, por sua vez, anunciaram sua disposição para vender o respectivo equipamento ao Egito.

    A França devolveu à Rússia 949,7 milhões de euros do pré-pagamento pelos porta-helicópteros Mistral e lhe transferiu três processos tecnológicos chave, incluindo a construção de blocos de porta-helicópteros.

    De acordo com o diário Le Monde, o custo da documentação do projeto obtido por Moscou foi de 220 milhões de euros.

    Ao mesmo tempo, do ponto de vista formal, a França cumpriu todas as exigências de Washington em relação ao boicote contra Moscou, observou o autor.

    Em consequência, Paris recuperou a reputação de um fornecedor de armas fiável, o que teve um impacto positivo no sistema francês de exportações militares, que conseguiu aumentar drasticamente seus volumes.

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    Tags:
    cooperação econômica, porta-helicópteros, contrato, Mistral, OTAN, Egito, França, Rússia
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