09:04 22 Junho 2017
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    Bombardeiro estratégico TU-95

    Que estavam fazendo os bombardeiros russos perto do Alasca

    © Sputnik/ O. Grachev
    Defesa
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    O Comando do Norte das Forças armadas dos EUA confirmou que dois caças F-22 e um avião de AWACS Boeing E-3 levantaram voo para interceptar bombardeiros russos TU-95 perto da costa do Alasca no dia 17 de abril.

    Os aviões americanos escoltaram mais de meia hora os TU-95 até os bombardeiros deixarem a zona de reconhecimento da defesa antiaérea, que se estende por 200 milhas desde a costa dos Estados Unidos.

    De acordo com os dados do Ministério da Defesa da Rússia, dois bombardeiros estratégicos TU-95MS da base aérea cumpriram com sucesso as missões de patrulhamento no espaço aéreo internacional sobre o Oceano Pacifico e regressaram à base Ukrainka [Região de Amur]. Os aviões voaram cerca de 5.000 quilômetros à velocidade de até 850 quilômetros por hora a a altitudes de até 10 mil metros. A duração do voo foi de mais de 7 horas.

    O canal de TV Fox News notou que os dois TU-95 russos foram detectados a 450 quilômetros ao sudoeste da base da Força Aérea dos EUA Elmendorf (Anchorage) na madrugada de segunda-feira e a aproximação máxima dos aviões russos da ilha de Kodiak, na costa meridional do Alasca, foi de cerca de 161 quilômetros.

    A Voz da América informa: "Os aviões russos já há relativamente muito tempo que não provocavam os militares americanos com sua aproximação às fronteiras dos EUA. O último incidente deste tipo aconteceu em 4 de julho de 2015 durante a comemoração do Dia da Independência."

    Os militares dos EUA consideram este comportamento da Rússia como provocatório e interpretam como a vontade do Kremlin em mostrar ao Ocidente a sua força.

    Mas afinal o que estavam fazendo os bombardeiros TU-95 a 4.000 quilômetros de sua base, perto da ilha de Kodiak?

    O alvo principal é o NORAD

    Anteriormente, o comandante da Defesa Aeroespacial da América do Norte (NORAD), almirante William Gortney, declarou: "A Rússia está avançando para o seu objetivo de desdobrar mísseis de cruzeiro de grande raio de alcance com equipamento convencional e com uma distância cada vez maior do alvo se lançados de bombardeiros pesados… Isso amplia o conjunto de capacidades flexíveis à disposição do Kremlin até o nível nuclear… Se essa tendência continuar, o NORAD com o tempo irá enfrentar riscos crescentes para as nossas capacidades de proteger a América do Norte das ameaças russas aérea, naval e de mísseis".

    Segundo a opinião do almirante Gortney, os bombardeiros pesados e os meios de reconhecimento marítimo russos estão estudando as capacidades do NORAD e se sentem cada vez mais seguros perto das fronteiras dos EUA.

    No Alasca, um quilômetro e meio ao noroeste da cidade de Anchorage, está localizada a importante base aérea dos EUA Elmendorf, que tem duas pistas e é utilizada para o transporte de tropas e cargas dos EUA ao Extremo Oriente e ao Sudeste Asiático, bem como para testes do material aeronáutico e treinamentos dos militares em condições árticas.

    Aqui se encontram o comando da zona da defesa antiaérea do Alasca (Alaskan NORAD Region — ANR), o quartel-general do comando da Força Aérea no Alasca (11ª Força Aérea), uma esquadra aérea mista, destacamentos de caças da defesa antiaérea, o serviço de busca e salvamento, serviços meteorológicos e outras unidades e destacamentos. Perto se encontra a base do exército dos EUA Fort Richardson. A base unificada se chama Joint Base Elmendorf-Richardson.

    Sem dúvida que objetos militares tão importantes na vizinhança não podiam ficar de fora da atenção da aviação e inteligência da Rússia.

    Do Amur à Chukotka

    Os bombardeiros de mísseis TU-95MS compõem a base da aviação estratégica russa. Estes aviões podem transportar mísseis de cruzeiro Kh-55.

    O míssil de cruzeiro Kh-55SM (código da OTAN — AS-15В Kent) entrou em serviço em 1987 e pode atingir alvos à distância até 3000 quilômetros. O peso do míssil é de 1500-1700 quilos. Em condições de combate, o bombardeiro pode destruir várias cidades do inimigo não entrando na sua zona de defesa antiaérea.

    Os pilotos da aviação de longo alcance (aviação estratégica) efetuam regularmente voos de patrulhamento aéreo sobre as aguas neutras do Ártico, Atlântico e Pacifico a partir de aeródromos das suas bases e de pistas operacionais.

    Atualmente, os aviões antissubmarino de longo alcance TU-142МZ acabaram de cumprir missões de busca, classificação, vigilância e utilização de armas contra submarinos do inimigo convencional.

    Os voos dos aviões da Força Aeroespacial da Rússia são efetuados em rigorosa conformidade com as regras internacionais de utilização do espaço aéreo e não podem ser considerados nem como provocações, nem como um desafio em relação aos países vizinhos.

    Além disso, o Ministério da Defesa planeja instalar legitimamente em Chukotka (a menos de 100 quilômetros do território dos EUA e a cerca de 1000 quilômetros de Anchorage) para o ano de 2018 uma nova divisão de defesa costeira. Provavelmente, essa divisão vai receber como equipamento os mais novos sistemas de lançadores de mísseis supersônicos Bastion, sistemas tático-operacionais Iskander e sistemas de mísseis antiaéreos S-400 e se tornará um elo firme na cadeia de defesa do Extremo Oriente russo. Um suporte seguro da aviação e meios eficientes de guerra eletrônica na área operacional de Chukotka também serão úteis. 

    Aleksandr Khrolenko, observador da Sputnik

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    Tags:
    bombardeiro estratégico, reconhecimento, caça, NORAD, Ministério da Defesa, Extremo Oriente Russo, Alasca, EUA, Rússia
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