02:44 26 Setembro 2017
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    Sistemas de mísseis S-400 Triumph do regimento de defesa antiaérea na cidade russa de Teodósia, na Crimeia

    Que capacidades possui o sistema coletivo de defesa antiaérea do antigo espaço soviético?

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    As unidades militares dos países membros da Comunidade dos Estados Independentes (CEI) vão desenvolver um sistema de patrulha militar pelas forças unidas do sistema de defesa antiaérea, comunicou na quinta (13) tenente-general Pavel Kurachenko.

    "Elaboramos propostas e recomendações de desenvolvimento da interação durante as missões de patrulha pelas forças unidas do sistema da defesa antiaérea. As recomendações correspondentes foram elaboradas após o treinamento conjunto das forças do sistema antiaéreo unido dos países da CEI em outubro de 2016", acrescentou o militar russo Pavel Kurachenko após a reunião em Bishkek. 

    Destes exercícios participaram a Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguízia, Rússia, Tajiquistão e Uzbequistão. O acordo de 1995 prevê a troca de informação sobre o espaço aéreo, a realização de missões de patrulha, e, em caso da agressão contra um dos Estados, apoio à contenção do inimigo.

    Um complexo S-300 visto no fórum militar EXÉRCITO 2016 em Kubinka, perto de Moscou, em 6 de setembro de 2016
    © Sputnik/ Ekaterina Kozlova
    Um complexo S-300 visto no fórum militar EXÉRCITO 2016 em Kubinka, perto de Moscou, em 6 de setembro de 2016

    Nas condições de instabilidade política no mundo, a defesa coletiva pode se tornar um fator de grande importância na Eurásia. Mas muitos analistas acham que o sistema coletivo de defesa antiaérea dos países da CEI por enquanto não funciona adequadamente, seja por causa da desigualdade de preparação dos militares e potencial econômico dos países membros, seja por causa das atitudes diferentes para com os seus princípios de funcionamento. 

    União de países diferentes entre si

    Segundo o tenente-general Kurachenko, hoje em dia as forças e meios do sistema coletivo de defesa dos países da CEI incluem 19 unidades da aviação, 38 unidades de forças de mísseis, 15 unidades de forças radiotécnicas, 9 brigadas da defesa antiaérea e três unidades de guerra radioeletrônica. Ele acrescentou que, em caso da necessidade, o pessoal pode ser aumentado. 

    A maior parte destas forças pertence à Rússia, que possui um dos sistemas antiaéreos mais avançados do mundo. A Bielorrússia também dispõe de um arsenal significativo, tendo na disposição várias dezenas de mísseis S-300 e dois S-400, bem como sistemas de pequeno e médio alcance Buk e Tor. A aviação do país é representada pelos caças recentes MiG-29. 

    O Cazaquistão também possui um sistema da defesa antimíssil avançado, tendo na disposição S-300, S-200 e S-125, bem como os caças MiG-29 e Su-27 das várias modificações. É o único país, além da Rússia, que possui caças de intercepção hipersônicos MiG-31 e MiG-31BM.

    A Armênia possui sistemas S-300PS e mísseis Buk-M2. No país está localizada uma base aérea russa com dezenas de caças MiG-29 e sistemas de mísseis S-300V mais recentes. 

    Objetivo comum

    Segundo a opinião de diversos analistas militares, a ideia do sistema de defesa antiaérea no espaço pós-soviético é lógica e vantajosa para a Rússia. A questão não é só o número de mísseis ou caças que possui cada um dos países. O principal é a troca constante de informações sobre a situação na aérea. 

    Além disso, o significado político e econômico do sistema coletivo da defesa antiaérea é também importante. Fornecendo os sistemas de mísseis e os caças para os países vizinhos, a Rússia fica responsável pela sua produção e manutenção. Trata-se de fornecimentos de armas e componentes, da assistência técnica dos especialistas russos e da instrução e ensino de militares estrangeiros nas universidades russas. Os vizinhos da Rússia, muitos de quais possuem arsenais envelhecidos, também estão interessadas em tal cooperação. Mas na prática o sistema coletivo da defesa antiaérea ainda não realizou completamente o seu potencial e possui uma série de insuficiências. 

    "Ainda não foi resolvida a maior questão — quem vai comandar este sistema da defesa antiaérea coletiva", comentou o analista militar Mikhail Hodaryonok em declarações à Sputnik. 

    Segundo ele, a maior vantagem do sistema coletivo é a possibilidade dos diferentes países de treinarem conjuntamente e partilharem experiências. Esta união pode se tornar um instrumento efetivo de contenção. Aqui, segundo ele, é mais importante que os países percebam que têm objetivos comuns e não tentem apenas beneficiar da situação. 

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    defesa antiaérea, forças, capacidade militar, defesa, interação, treinamento militar, união, cooperação, Tor-M2U, S-400, MiG-31, S-300, MiG-29, Buk, CEI, Rússia
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