11:35 20 Outubro 2018
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    Militares ucranianos junto a um morteiro na aldeia de Peski, região de Donbass

    Por que Kiev esconde o número real de seus soldados mortos em Donbass?

    © AFP 2018 / ANATOLY STEPANOV
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    No contexto da intensificação dos combates do exército ucraniano no sul da autoproclamada República Popular de Donetsk, o porta-voz do Ministério da Defesa ucraniano, Andrei Lisenko, afirmou que desde o início do conflito em Donbass morreram 2.629 e ficaram feridos 9.453 militares deste país.

    Os números apresentados por Lisenko geram desconfiança, falando de forma suave, assinalou o colunista da Sputnik, Aleksandr Khrolenko.

    De acordo com os dados oficiais da ONU, nos combates no Leste da Ucrânia morreram 10.056 pessoas, além de 22.800 que ficaram feridas.

    Segundo comunicam os serviços de inteligência alemães, em 2015 faleceram dezenas de milhares de soldados das Forças Armadas ucranianas. O jornal Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung assinala: "Os serviços secretos alemães estimam que o número de militares e civis ucranianos mortos no conflito atinge a 50 mil. Estes números superam os dados oficiais em 10 vezes. Os números oficiais são artificialmente baixos e carecem de credibilidade…"

    Em 2014, o presidente da Ucrânia, Pyotr Poroshenko, falou abertamente das enormes perdas do exército ucraniano: "Uns 60-65% das equipes militares das divisões colocadas na primeira linha da zona de conflito foram destruídas", afirmou.

    O portal digital ucraniano Apostrof também admitiu que, nos combates de Donbass, "as Forças Armadas da Ucrânia perderam mais de 300 tanques, mais de metade dos veículos blindados, assim como quase 50% dos sistemas de artilharia".

    "É possível que milhares de unidades do material do exército ucraniano fossem destruídas sem que isso tivesse afetado os soldados e todas as tripulações, paraquedistas, e que todas as guarnições de artilharia sobreviveram?", pergunta Khrolenko.

    A matemática não engana

    Durante as hostilidades, as partes em conflito não comunicaram dados precisos acerca das suas baixas para não revelar a situação operacional. É possível que haja divergências nas estimativas das organizações internacionais e dos peritos. Contudo, as perdas do Exército da Ucrânia em Donbass são matematicamente transparentes, assegura o jornalista.

    O relatório da agência militar de análise do Instituto Internacional para Estudos Estratégicos de 2016 permite calcular com grande precisão as perdas em pessoal e equipamento do Exército da Ucrânia durante a fase ativa da "operação antiterrorista".

    Em comparação com os dados do relatório de 2013, ou seja, publicado 3 anos atrás, o número de tanques ucranianos se reduziu de 1.435 a 788, o que significa que 647 arderam. De 3 mil veículos de combate de infantaria ficaram 1.300, ou seja, 1.700 foram destruídos. De 3.350 peças de artilharia e lança-foguetes permaneceram ilesos apenas 1.850.

    "No campo de batalha, os tanques normalmente ardem com uma tribulação lá dentro", observou o jornalista.

    Um tanque T-72 conta com três operadores. O BMP-1, veículo de combate de infantaria, tem capacidade para 8 militares. Mesmo que não tomemos em consideração as baixas dos soldados fora dos carros de combate, se pode supor que poucos tripulantes dos 647 tanques queimados (1.947 pessoas no total) sobreviveram.

    Seria lógico pensar que nem todos os operadores conseguiram sair dos 1.700 veículos BMP-1 (18.700 militares). Das guarnições das 1.500 unidades de artilharia destruídas podem ter perdido a vida cerca de 4.500 pessoas, segundo calculou o colunista.

    Daí resulta que as baixas das Forças Armadas da Ucrânia relacionados somente com tanques, artilharia e veículos de combate de infantaria atingem mais de 25 mil mortos e feridos, considera Khrolenko.

    O jornalista opina que, neste contexto, se pode falar ao certo sobre milhares de soldados mortos nas trincheiras. Deste modo, as baixas presumíveis do exército ucraniano durante os três anos da operação em Donbass ascendem a 30 mil pessoas. A inteligência alemã tomou em conta também as baixas civis, por isso o autor admite a possibilidade de que no conflito tenham perdido a vida um total de 50 mil ucranianos.

    Perda da dignidade

    "Há mais de 1.000 dias e noites que decorre a guerra civil que se tornou em uma continuação lógica da 'revolução da dignidade', do projeto ‘colorido' da União Europeia e dos EUA. Durante este período, o exército da Ucrânia levou a cabo dezenas de operações ofensivas (punitivas) com a intenção de conquistar algumas localidades no território das repúblicas autoproclamadas de Donetsk e Lugansk. Praticamente todas fracassaram", assinala Khrolenko.

    Segundo o autor, as autoridades de Kiev não conseguiram tirar as conclusões corretas. Os acordos de Minsk não estão sendo observados, frisa.

    "A área da ‘operação antiterrorista' se converteu em um negócio lucrativo para alguns políticos ucranianos (contratos militares, contrabando de bens e serviços).Periodicamente, surgem conflitos, inclusive tiroteios sangrentos entre as forças de segurança e os radicais ucranianos. O declínio econômico é disfarçado com retórica antirrussa. As Forças Armadas da Ucrânia contam com uns 200 mil soldados, sendo que a maioria deles está envolvida nesta operação", prosseguiu.

    No Comitê de Investigação da Rússia há 104 processos penais relacionados com delitos no Leste da Ucrânia. Os acusados são políticos ucranianos, deputados da Suprema Rada (parlamento nacional), o comando das Forças Armadas da Ucrânia e o chefe do Serviço de Segurança.

    Entretanto, em 2016, mas de 100 mil ucranianos receberam a cidadania russa, ou seja, 49% mais do que em 2015 (67.400 pessoas), concluiu o autor.

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    Tags:
    crise ucraniana, militares, perdas, baixas, ONU, Exército da Ucrânia, Pyotr Poroshenko, Donbass, Ucrânia
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