12:39 21 Setembro 2018
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    Bandeiras da Republica Tcheca, Eslováquia e os EUA

    Parlamentar tcheco: não consideramos a Rússia como ameaça

    © AFP 2018 / Brendan Smialowski
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    O deputado do Partido Social Democrata (CSSD), presidente do grupo interparlamentar da República Tcheca - Sérvia na Câmara dos Deputados Jaroslav Foldyna responde as perguntas de Sputnik.

    A passagem através do território da República Tcheca do comboio militar americano (da Alemanha para os países bálticos para participar nos exercícios da OTAN Saber Strike 2016), anunciado para o final de maio deste ano pelo ministro da Defesa da República Tcheca, Martin Stropnicky, não é visto por todos os tchecos com optimismo. A consideramos como mais uma exibição de músculos, os tchecos não têm medo de ameaças exteriores, disse Jaroslav Foldyna, deputado do CSSD, presidente do grupo interparlamentar da República Tcheca — Sérvia na Câmara dos Deputados.

    Jaroslav Foldyna: Tal passagem seria um acontecimento comum para o nosso país. A República Tcheca, como membro da OTAN, deve permitir aos comboios da aliança cruzar o seu território. O problema é como apresentar estes exercícios militares. Neste caso eles são abertamente usados para fins políticos, como um instrumento de intimidação e demonstração de força militar. É por isso que os exercícios provocam sempre tanta polêmica. Teria uma atitude neutra para com este comboio, se não fosse <…> a mídia usar a passagem na sua campanha de publicidade.

    Sputnik: Os exercícios militares dos EUA no ano passado nos países bálticos e a permanência das tropas estadunidenses na República Tcheca durante três dias custaram aos americanos 7,3 milhões de dólares. O comboio atual é maior: 800 homens, 250 unidades de equipamento militar. Por que não economizar o dinheiro e não enviá-los por ferrovia, que é obviamente mais barato?

    JF: É porque o objetivo do comboio também é político, ideológico, é, mais uma vez, uma demonstração de poder militar, exibição de músculos, o que aumenta a tensão internacional ainda mais. Será que precisamos disto?

    S: O ministro Stropnicky disse que desta vez os americanos serão acompanhados por militares da República Tcheca e que estão planejados exercícios conjuntos dos dois exércitos. Para demonstrar a unidade tcheca-americano?

    JF: É um grande erro. Pan Stropnicky diz tanta coisa polêmica que nós poderíamos debater com ele eternamente. Posso imaginar a polêmica que esta passagem vai causar na mídia e quantos comentários negativos sobre a Rússia nós vamos ouvir. Em minha opinião, nós temos que procurar a saída da crise nas relações bilaterais com a Rússia juntos, e não tentar agravar a situação. No final das contas, o principal problema no cenário internacional agora não é o confronto entre a Rússia e a OTAN, ou entre a Rússia e os Estados Unidos. O problema principal de hoje é a xenofobia, a intolerância, a ameaça ao mundo cristão por parte dos radicais muçulmanos. Devemos trabalhar juntos para garantir a segurança mundial, e não para tornar a Rússia numa "ameaça militar" para a Europa e para o mundo, o que (em minha opinião pessoal), não é verdade.

    S: O comboio vai seguir para o Báltico, onde vai participar nos exercícios Saber Strike. Está bem claro contra quem este "golpe de espada" vai ser treinado…

    JF: Se a Lituânia, a Letónia e a Estónia sentem necessidade de ter tropas estrangeiras no seu território, é a decisão deles. Nós, os tchecos, não temos medo da ameaça militar do exterior. E claro que, (é a minha profunda convicção), não consideramos a Rússia como ameaça militar. O que nós realmente tememos é o perigo crescente dos terroristas e islamitas".

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    Tags:
    terrorismo islâmico, equipamento militar, exercício militar, OTAN, República Tcheca, EUA, Rússia
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